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Atualizado em 13 DE setembro DE 2017 ás 11:31

Cultura indígena na universidade: luta e resistência

Encontro Nacional de Estudantes Indígenas acontece essa semana e têm como foco principal a resistência das culturas indígenas no meio universitário e a troca de experiênEncontro Nacional de Estudantes Indígenas acontece essa semana e têm como foco principal a resistência das culturas indígenas no meio universitário e a troca de experiência entre os estudantes ia entre os estudantes

POR REBECA ALMEIDA*
rasbeca@gmail.com

A descolonização do pensamento é o tema principal da quinta edição do Encontro Nacional de Estudantes Indígenas (ENEI), realizado desde o dia 11 e segue até dia 15 de setembro, no Museus de Ciência e Tecnologia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Parque de Exposição de Salvador. A realização do V ENEI é uma iniciativa do Núcleo de Estudantes Indígenas (NEI) em parceria com o Programa de Educação Tutorial  (PET) – Comunidades Indígenas da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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Ritual de abertura do segundo dia de atividades do V ENEI Foto: Matheus Buranelli

O ENEI é um evento pensado e voltado para estudantes indígenas, focando a troca de experiências e o fortalecimento da luta indígena dentro e fora da universidade. Daiara Tukano, estudante da Universidade de Brasília (UnB). participa pela primeira vez do encontro e fala dos da importância para os indígenas . “Esse espaço de troca entre os estudantes indígenas é fundamental para o fortalecimento das lutas indígenas”. Para ela é imprescindível que os indígenas ocupem esse espaço para que a sociedade não-indígena abra os olhos, a mente e o coração para as diferentes culturas indígenas.

Durante a cerimônia de abertura o cacique Babau Tupinambá, também ressaltou a importância de ocupar a universidade. “Quando um guerreiro tem sonho o sonho não morre. [...] Vocês estão sonhando por todos nós, vocês representam todos os Tupinambás e todas as nações [indígenas]”, disse se direcionando aos estudantes indígenas que resistem na universidade, considerado por ele um espaço que reflete a cultura hegemônica eurocêntrica.

No entanto, para o cacique, além de cotas e alguns cursos específicos “está na hora de se pensar na Universidade Indígena Federal, governada por indígenas [...] uma universidade nossa”, frisou.

Acontecendo pela primeira vez na região Nordeste, o ENEI visa também descolonizar o pensamento de que não existem mais povos indígenas na Bahia. Segundo uma das coordenadoras desta quinta edição, Vanessa Pataxó, a escolha do tema também reflete a especificidade da luta dos povos indígenas do Nordeste do país.

“As pessoas, às vezes os próprios parentes [forma como se indígenas se referem a indígenas de qualquer etnia], têm a visão de que os indígenas do nordeste perderam a sua cultura ou não parecem com indígenas”, afirma a coordenadora. Para ela, é preciso descolonizar, mudar esse pensamento, uma vez que os indígenas do nordeste “serviram de barreira [...] fomos os primeiros a ter contato com a colonização, mas a gente está aqui firme e o movimento indígena do nordeste têm um papel fundamental no movimento nacional”, reforça.

Como resposta à denúncia de massacre de indígenas isolados ocorrido no rio Jandiatuba, interior da Terra Indígena Vale do Javari, no extremo oeste do estado do Amazonas, em agosto deste ano, e que ainda está sob investigação do Ministério Público Federal, uma das ações do V ENEI será a elaboração de uma carta de repúdio como resposta ao acontecimento.

As atividades do Encontro Nacional de Estudantes Indígenas conta com mesas de debates, minicursos, apresentação de trabalhos e atividades culturais e segue até sexta-feira,15.  A programação completa você confere aqui.

*Estudante de jornalismo da Faculdade de Comunicação e repórter da Agência de Notícias em CT&I – Ciência e Cultura UFBA

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