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Atualizado em 4 DE setembro DE 2011 ás 17:39

ALB celebra 200 anos da Imprensa na Bahia em sessão especial

Jornalistas, historiadores, escritores e pesquisadores lembram a trajetória da imprensa baiana e debatem a inclusão de novas formas de difusão do jornalismo

Por Ítalo Cerqueira*
italo.lirio@gmail.com

Nesta última quinta-feira (1), a sede da Academia de Letras da Bahia (ALB), recebeu uma sessão especial em homenagem aos 200 anos da imprensa baiana. O evento celebrou o bicentenário do primeiro jornal impresso do Estado, o Idade d’Ouro do Brazil, mais conhecido como Gazeta da Bahia. O jornal, fundado pelo empresário Manoel Antônio da Silva Serva, era publicado as terças e sextas-feiras e se caracterizava por sua linha conservadora em defesa do absolutismo monárquico português.

A mesa foi composta pelo Prof.º Edivaldo M. Boaventura, Dr.ª Consuelo Novais Sampaio, Prof.º Carlos Ribeiro, Profº. Waldir Freitas Oliveira e Prof.º Luís Henrique Dias Tavares

Para compor a mesa de discussão foram convidados a Dr.ª em história, Consuelo Novais Sampaio, o professor e escritor, Waldir Freitas Oliveira, o historiador, escritor e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Luís Henrique Dias Tavares, o professor da Ufba, Edivaldo Boaventura e o articulista do Jornal Tribuna da Bahia, Joaci Góes. A sessão foi presidida pelo professor e jornalista, Carlos Ribeiro.

Dr.ª Consuelo Novais Sampaio traçou a história de um importante jornal republicano da Bahia, o Diário de Notícias, fundado em 13 de março de 1875, por Manuel Lopes Cardoso. A professora citou algumas particularidades do jornal, “tinha como principal característica o seu não partidarismo, o que agregava bastante prestígio por parte de seus leitores, entretanto, este caráter de neutralidade na cena política não se prolongou por muito tempo devido aos seus sucessivos proprietários. O posicionamento e visão se adaptavam à direção vigente”, lembra.

A historiadora destaca que muitos acontecimentos nacionais e internacionais estamparam as páginas do Diário de Notícias, como a abolição da escravatura, a revolução de 30, o golpe de Vargas e a I e II Guerras Mundiais. “Sua história é uma verdadeira história do país, especialmente da Bahia”, declarou.

Em seguida o professor da Ufba, Edivaldo Boaventura, trouxe a trajetória do jornal A Tarde. Lembrando que em 2012 o jornal completará 100 anos de existência e desde sua criação em 1912, pelo Dr. Simões Filho, caracteriza-se por sua postura política e partidária. Além disto, traçou toda a evolução do jornal, desde a sede na Praça Castro Alves até a atual no bairro do Caminho das Árvores, destacando a consolidação como jornal referência na Bahia. Boaventura destacou a informatização e ampliação da base comunicacional de A Tarde, como a Rádio A Tarde, portal A Tarde, provedor Avance Telecom, Revista Muito, Mob e o Jornal Massa.

Boaventura destacou que A Tarde tem “o mais precioso arquivo da Bahia”, que está sendo digitalizado. Ele disse também que os exemplares diários estão sendo gradativamente reduzidos, devido a esta nova reconfiguração do mercado impresso, hoje a grande ênfase do jornal é a parte de informática, do que a parte impressa, apesar de ainda o jornal impresso cobrir os custos do jornal digital”, ressaltou.

O terceiro momento foi marcado pela presença do professor e escritor, Waldir Freitas Oliveira. Sua abordagem foi sobre a presença de duas revistas de tendências modernistas em terras baianas. A primeira apresentada foi a revista Momento, com apenas 9 edições, ela tinha aspectos ideológicos socialistas, porém nunca se declarou socialista de fato, dentre seus escritores estavam Jorge Amado, Edson Carneiro e Walter da Silveira. Já a segunda foi a revista Samba, com apenas 5 números e era assinada, por exemplo, por Bráulio de Abreu e Naomar Marques. O momento modernista baiano está relacionado a presença da Academia dos Rebeldes, formado por um grupo de jovens escritores que foi responsável pela renovação das letras no Estado, tendo como um dos integrantes o já citado Jorge Amado. Oliveira aproveita o momento e declara que “nunca houve na Bahia ninguém interessado em fazer uma tese de mestrado ou doutorado sobre a Academia dos Rebeldes”, para o professor “o modernismo na Bahia foi uma brincadeira de intelectuais”, lembra.

Em seguida, o professor da Ufba, Luís Henrique Dias Tavares, fez a leitura de duas crônicas suas, uma intitulada Moça sozinha na sala, a qual obteve bastante repercussão a ponto de o próprio escritor Jorge Amado a levar para ser publicada, e a seguinte leva o nome de Almoço posto na mesa, uma metáfora que se posiciona contra o golpe militar de 64 ocorrido no Brasil. Tavares é autor de 5 livros de crônicas.

Por fim, o articulista do Jornal Tribuna da Bahia, Joaci Góes, faz uma previsão baseada no presente, sobre o futuro do jornalismo. Ele afirma que “o jornalismo terá um futuro brilhante tanto na Bahia, quanto no Brasil, isto se deve porque o papel deixará de existir e tudo que será produzido permeará pela internet e pelos mais diversos dispositivos e isto vai exigir que o jornalismo pare de reproduzir o fato na matéria, em dar somente a notícia, mas também fazer uma reflexão sobre ela”, profetiza. Para Góes, mesmo que tenha se perdido o aprofundamento nos textos, as pessoas estão lendo pela internet desde as barbaridades até as coisas mais esclarecedoras, “nunca se leu tanto como hoje”.

Carlos Ribeiro, organizador do evento, explica que pensa em dar continuidade aos eventos voltados para o universo jornalístico. Para a ALB o evento tem um significado especial já que boa parte de seus integrantes atuaram ou atua de forma bastante preponderante na imprensa. “A imprensa sempre foi e continua sendo um espaço de atuação de intelectuais que refletem sobre os problemas do nosso tempo e interferem na esfera pública, através de artigos, ensaios e entrevistas”, ressaltou Ribeiro. Além disso, ele destacou a relevância do evento para o momento atual da imprensa baiana, “trata-se de um momento especial, de crise e redimensionamento do que chamamos hoje, de forma bastante genérica, de mídia, tanto em nível local, como nacional e internacional. Busca-se encontrar e consolidar uma identidade em meio a uma revolução tecnológica sem precedentes”, acrescenta.

*Estudante de Produção Cultural da Faculdade de Comunicação da Ufba – Facom

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