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	<title>Ciência e Cultura &#187; Sustentabilidade</title>
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	<description>Agência de notícias sobre ciência, tecnologia e inovação da Bahia</description>
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		<title>Modelo econômico e sustentação do projeto</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Apr 2019 13:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[ O que, como, quanto e para quem a comunidade produz? Essa é a pergunta respondida na última matéria, da série especial, produzida pela jornalista e ativista Liliana Peixinho]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p id="docs-internal-guid-ed2c2752-7fff-54b1-5136-9871c37e1c8e" dir="ltr">O marco inicial da ideia do <em>Recanto Peixinhos</em> foi em 1996. A partir daí foram cinco anos de debates, experimentos, adaptações, até ser concretizado, em 2000, como proposta legal e formal e na forma de um negócio próprio, vencendo, aos poucos, o desafio de viver bem na região onde nasceu, com a prática das atividades agropecuárias de forma harmoniosa. Os altos índices de êxodo rural da região desapareceram. O exemplo do <em>Recanto Peixinhos</em> tem sido inspiração para a prática da produção agroecológica. E o prazer e compromisso com a terra onde nasceu, para de viver de forma harmoniosa, seja orgulho de todos.</p>
<p dir="ltr">O modelo de gestão é cooperativa familiar. Cada família tem a responsabilidade de produzir, acompanhar e distribuir a produção de forma justa, sem deixar ninguém com mais, ou menos do que necessário para a satisfação das necessidades, sejam elas, de alimentos, de manutenção de suas residências e assistência médica e de viagens que fazem nos programas de articulação com outros projetos, Brasil e mundo afora.</p>
<p dir="ltr">O projeto se sustenta nos seguintes pilares: preservar os valores socioculturais e religiosos da família; ter o próprio negócio; não migrar para São Paulo ou outro grande centro; vencer o desafio de viver bem na região, praticando as atividades agroecológicas; viver e produzir em harmônia com o ambiente.</p>
<p style="text-align: center;" dir="ltr">
<div id="attachment_25504" class="wp-caption aligncenter" style="width: 420px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/CAM13733.jpg"><img class="size-large wp-image-25504  " title="NORDESTE EM PAUTA" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/CAM13733-1024x768.jpg" alt="" width="410" height="307" /></a><p class="wp-caption-text"> Visitas técnicas são constantes no Recanto Peixinhos/ Foto: Liliana Peixinho</p></div>
<p dir="ltr">Mais que teoria sistematizada em vídeos, apresentações de power point, relatórios, palestras, mesas redondas, seminários, encontro, o<em> Recanto Peixinhos</em> coloca em prática a máxima de &#8220;Fazer a fala&#8221; e isso pode ser comprovado em todo o tempo que a reportagem esteve presente, acompanhado as atividades cotidianas, em duas visitas in loco.</p>
<p dir="ltr">Atividades como vivências e práticas religiosas; missas, novenários, grupos de animação, participação em pastorais; catequeses com crianças e jovens; celebrações e terços em família, nutrem o compromisso espiritual de fé e religiosidade do Projeto.</p>
<p dir="ltr">Como todo trabalho bem sucedido existem os elos sociais, Barreira do Tubarão afora. Tanto o projeto se faz representar fora do seu espaço geográfico, como recebe representações de fora. Associações, cooperativas, sindicatos, grupos de reflorestamento, turmas de alunos de escolas da região, professores, ambientalistas, cientistas, jornalistas e estudiosos, procuram o projeto para entender e multiplicar suas práticas, Bahia, Brasil, mundo afora. Em abril de 2018, por exemplo, Antonio Peixinho representou o projeto na América Central, levando a experiência e trazendo outras, de agricultores da Nicarágua.</p>
<p dir="ltr">A administração requer planejamentos anual, mensal e semanal. Controle de mão de obra, anotações diárias, mensais e anuais e um calendário de trabalho com 26 dias/mês para todos que trabalham. O controle financeiro é feito através de caixa único, com retirada mensal é necessidades extras. Existe Livro Caixa,  fluxo de caixa é balanço patrimonial.</p>
<p dir="ltr">No final do ano, ao fechar os controles, é contabilizado quanto cada um ganhou e gastou no período. Com o valor que sobra desse caixa único, as famílias que integram o<em> Recanto Peixinhos</em> decidem, em assembleia, o que fazer. O objetivo é sempre garantir o sustento das famílias, com harmonia e compromisso coletivo.</p>
<p style="text-align: center;" dir="ltr">
<div id="attachment_25505" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/IMG-20180630-WA0062.jpg"><img class="size-large wp-image-25505 " title="NORDESTE EM PAUTA" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/IMG-20180630-WA0062-1024x768.jpg" alt="" width="448" height="336" /></a><p class="wp-caption-text">Budega coletiva armazena alimentos das famílias / Foto: Liliana Peixinho</p></div>
<p dir="ltr">Os resultados são apresentados de forma transparente, para o próprio núcleo administrativo e para os visitantes que querem saber sobre o processo de trabalho, e seguir o exemplo do projeto. Trabalho que não surgiu de repente. Foram necessários anos e anos de ajustes aos procedimentos para colher os frutos de muito trabalho, compromisso, união familiar e comunitária. O caminho do sucesso do projeto é discussão permanente, união das famílias e a perspectiva de promover o desenvolvimento econômico, sociocultural, educacional e ambiental, de forma transversal.</p>
<p dir="ltr">Existe em funcionamento diário uma série de atividades integradas à filosofia do projeto que é produzir de forma orgânica, harmoniosa com o ambiente. A administração do projeto divide as atividades em setores de produção como apicultura, melipolicultura, ovinocultura, piscicultura, avinocultura, fruticultura e bodega coletiva.</p>
<p dir="ltr"><strong>Apicultura</strong> &#8211; A produção de mel de abelhas, feita de forma coletiva, é o que dá sustentação econômica para garantir o que a comunidade não produz. Além de ser uma importante fonte de renda, a criação de abelhas aumenta a polinização natural de plantas que sustentam a vida e o ecossistema caatinga. Historicamente castigado pela falta d’água em suas múltiplas atividades de uso, o sistema sofre, também, com a estiagem que castiga o ambiente e obriga os produtores a migrar as casas de abelha para um ou outro lugar, onde as chuvas chegam mais cedo.</p>
<p dir="ltr">Esse trabalho é complicado e exige deslocamentos perigosos, em estradas sem estruturas. No entanto, com a coragem e o compromisso típicos de um povo que não desiste e se pauta em recomeços, dessa forma, a migração é uma alternativa para garantir a produtividade nos períodos de estiagem, para manter os enxames em condições favoráveis para a produção e em cadeia harmoniosa para a  extração de mel, própolis, cera e pólen.</p>
<p style="text-align: center;" dir="ltr">
<div id="attachment_25507" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/IMG-20180630-WA0061-1.jpg"><img class="size-large wp-image-25507 " title="NORDESTE EM PAUTA " src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/IMG-20180630-WA0061-1-1024x768.jpg" alt="" width="448" height="336" /></a><p class="wp-caption-text">A apicultura como elo entre preservação e renda / Foto: Liliana Peixinho</p></div>
<p dir="ltr">Fui convidada para um almoço na casa da família de Antônio é Gidelma. Normalmente, o almoço é servido a meio- dia. A esposa de Antônio preparou um super almoço, com galinha caipira, pirão, legumes cozidos, saladas cruas, suco de graviola, tudo muito caprichado. Deu meio- dia, uma hora, e nada de Antonio chegar da viagem que sempre faz, para levar, observar, dar manutenção e recolher as caixas de produção de mel.</p>
<p dir="ltr">Antônio tem sempre muitas histórias e informações novas sobre o que acontece entre as diversas fases da produção de mel, principalmente sobre a instalação das caixas num raio médio de 200 quilômetros da região. São roubos de caixas, perdas, avarias ou mesmo floração comprometida em função do tempo ou de chuvas, esperadas e não vindas.</p>
<p dir="ltr"><strong>Meliponicultura </strong>- Outra atividade é a criação de abelhas sem ferrão, como as espécies mandaçaia ou mosquito. As espécies de abelhas são polinizadoras e o trabalho contra a extinção é constante e requer mais tempo dos trabalhadores, que lutam contra as agressões ao ecossistema. Na caatinga, as abelhas sofrem com a ação humana quando extrai o mel e destrói árvores, onde estão as colméias. Realidade que as famílias do <em>Recanto Peixinho</em>s assumiram com o compromisso de resgatar, preservar e multiplicar essas espécies, através da criação de abelhas ao redor de suas casas.</p>
<p dir="ltr"><strong>Ovinocultura </strong>- A criação de ovelhas é uma atividade que a comunidade considera viável e rentável, por se tratar de animais adaptados à região. Eles se alimentam de forragens disponíveis na propriedade como silagem de cana- de açúcar e milho – também consumido pelas famílias – e produzem esterco, utilizado como adubo orgânico no cultivo de hortaliças e criação de peixes. Além de garantir parte da renda familiar, as ovelhas fazem parte do cardápio dos integrantes do projeto.</p>
<p dir="ltr"><strong>Piscicultura</strong> &#8211; O peixe é um dos quatro tipos de carnes usadas pela comunidade (os outros são galinha, boi e ovelha). A criação é feita em tanques naturais, que recebem água das chuvas ou de canos que vêm de um sistema implantado para suprir o bom funcionamento do ambiente, onde os peixes se reproduzem. Esses tanques de criação são alimentados por meio de um sistema de reaproveitamento de subprodutos da cozinha e de outros ambientes com sobras alimentos. Nada se perde, tudo é integralmente utilizado aqui ou ali. Há sempre um lugar, um ambiente, um animal, uma terra para ser aproveitada organicamente.</p>
<p dir="ltr"><strong>Avinocultura </strong>- A criação de galinhas, com a produção de ovos, entra nesse sistema de garantia de uma alimentação diversificada em proteínas, por meio dos ciclos de reaproveitamento de cascas de frutas, legumes, hortaliças ou qualquer resíduo orgânico em que não tenha tido tempo para entrar na cadeia alimentar humana.</p>
<p style="text-align: center;" dir="ltr">
<div id="attachment_25508" class="wp-caption aligncenter" style="width: 440px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/26907193_1731622456870966_7053608296320244999_n.jpg"><img class="size-full wp-image-25508   " title="NORDESTE EM PAUTA" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/26907193_1731622456870966_7053608296320244999_n.jpg" alt="" width="430" height="323" /></a><p class="wp-caption-text">As galinhas são tratadas com medicamentos naturais para produção de ovos e alimento das famílias / Foto: Liliana Peixinhos</p></div>
<p dir="ltr"><strong>Fruticultura </strong>- As crianças adoram subir nas árvores, catar, ou coletar frutas maduras, caídas ao chão, ou que estão madurinhas, no pé, esperando um pássaro ou um humano, para ir lá, colher, saborear. Como a produção é sempre superior à necessidade imediata do consumo diário, a comunidade faz o planejamento da coleta para a produção de polpas, pois desperdício zero é regra é compromisso diário, de cada um, seja a criança que começa a andar, seja o visitante ou o morador mais antigo. Qualquer resíduo desse sistema é utilizado na horta, com os animais ou na compostagem. Existem vasilhas específicas, em cada canto da casa ou roça, para se colocar isso em prática.</p>
<p dir="ltr"><strong>Bodega coletiva </strong>- Como antigamente, as pessoas vão até a bodega, pega o produto, e anota num classificador, no espaço específico para cada família, com a data, o  nome, e quantidade e o peso de cada produto. Esse é o espaço onde se pratica a Economia Solidária. Tudo o que é produzido na comunidade e o que se adquire em compras feitas a granel e em grande quantidade, para baratear os custos e reduzir as idas e vindas aos mercados de outras cidades, como Heliópolis e Ribeira do Pombal, fica disponível nas prateleiras e nos freezers adquiridos para conservar produtos como carnes e polpas de  frutas. A quantidade utilizada é contabilizada conforme os acordos estabelecidos pelo grupo.</p>
<p dir="ltr"><em>*Liliana Peixinho – Jornalista, ativista, Especializada em Jornalismo Científico e Meio Ambiente. Fundadora e coordenadora do Movimento AMA. MIDIA ORGANICA. REAJA. RAMA. Colaboradora de diversas mídias especializadas em Jornalismo Ambiental.</em></p>
<p id="docs-internal-guid-837c41ea-7fff-46f3-71a8-1693bfc87740" dir="ltr"><span style="color: #008000;"><strong><span style="color: #008000;">Lei</span><span style="color: #008000;">a mais:</span></strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p dir="ltr"><strong><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/o-paraiso-exite-e-e-fruto-de-muita-labuta-diaria/"><span style="color: #008000;">Paraíso existe<span style="color: #008000;">, </span></span><span style="color: #008000;">mas é fruto de muita labuta diária</span></a></span></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p dir="ltr"><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/educacao-transversal-e-multifacetada/"><span style="color: #008000;">Educação Transversal e<span style="color: #008000;"> </span></span><span style="color: #008000;">multifacetada</span></a></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p dir="ltr"><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/familia-uniao-e-desenvolvimento-sustentavel/"><span style="color: #008000;">Família, união e desenvolvimento<span style="color: #008000;"> </span></span><span style="color: #008000;">sustentável</span></a></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p dir="ltr"><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/vida-em-rituais-sagrados/"><span style="color: #008000;">Vidas em rituais sa<span style="color: #008000;">g</span></span><span style="color: #008000;">rados</span></a></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p dir="ltr"><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/acoes-em-cadeias-harmoniosas/"><span style="color: #008000;">Ações em cad</span><span style="color: #008000;">eias harmoniosas</span></a></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p dir="ltr"><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/recaatingamento-um-compromisso-com-a-preservacao/"><span style="color: #008000;">Recaatingamento,<span style="color: #008000;"> </span></span><span style="color: #008000;">um compromisso com a preservação</span></a></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p dir="ltr"><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/mulheres-e-a-luta-em-campo-aberto/"><span style="color: #008000;">Da Bahia para </span><span style="color: #008000;">o mundo </span></a></span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p dir="ltr"><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/mulheres-e-a-luta-em-campo-aberto/"><span style="color: #008000;">Mulheres e a</span><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;"> l</span>uta em campo aberto</span></a></span></strong></p>
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		<title>Da Bahia para o mundo</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Mar 2019 03:07:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Disciplina, conhecimento e a coletividade são as principais características de sucesso da comunidade Recanto Peixinhos. Dessa forma, virou bom exemplo visto também por outros países. Essa é a experiência apresentada pela jornalista Liliana Peixinho, na próxima matéria da série especial Nordeste em Pauta ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- p { margin-bottom: 0.25cm; direction: ltr; line-height: 120%; text-align: left; }a:link { color: rgb(0, 0, 255); } --></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><em><strong>Recanto Peixinhos </strong></em></span><span style="color: #000000;"><strong>é modelo em autos</strong></span><span style="color: #000000;"><strong>s</strong></span><span style="color: #000000;"><strong>ustentação -</strong></span><span style="color: #000000;"> Compromisso com a vida, em filosofia e prática do Bem Viver, harmonioso com o ambiente, não é trabalho fácil. Exige informação, disciplina, conhecimento aplicado e o desejo de um fazer diário conectado ao todo, em sentido amplo de coletividade. E é assim na comunidade </span><span style="color: #000000;"><em>Recanto Peixinhos</em></span><span style="color: #000000;">, que pensa e faz local e globalmente, a partir de Barreira do Tubarão, Heliópolis, Bahia, Brasil, Planeta Terra. Essa projeção planetária tem uma razão de ser: é real a possibilidade de que o trabalho ali desenvolvido sejam links abertos para alcançar corações, mentes e cérebros, humanidade afora. </span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"> </span></span></p>
<div id="attachment_25288" class="wp-caption aligncenter" style="width: 378px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/18192345_1468442686522279_3471971401570992374_o.jpg"><img class="size-full wp-image-25288  " title="NORDESTE EM PAUTA" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/18192345_1468442686522279_3471971401570992374_o.jpg" alt="" width="368" height="490" /></a><p class="wp-caption-text">A coleta direto da horta para o preparo do almoço  / Imagem: Liliana Peixinho</p></div>
<p><span style="color: #000000;">Padre Renato, por exemplo, um dos 11 filhos do casal Bento e Nice, já esteve juntinho ao Papa Francisco, mostrando sua disposição em reforçar a <em>Laudato Si</em></span><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">,</span> como Encíclica de princípios transversais em valorização e cuidado com a vida, com o ambiente, onde as relações se desenvolvem. Empresário de outros países, como Alemanha, acompanham de perto as ações do Projeto </span><span style="color: #000000;"><em>Recanto Peixinhos</em></span><span style="color: #000000;"> e, com o cérebro focado na razão do Bem Viver, da valorização do que o planeta Terra demanda como importante e urgente na vida.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A reportagem dos </span><span style="color: #000000;"><em>Movimentos AMA/Reaja/Mídia Orgânica </em></span><span style="color: #000000;">acompanhou reuniões, exposições, visitas técnicas e caminhadas pela comunidade, de diversos grupos de agricultores da região e até de empresários de fora do país. A comitiva do empresário </span><span style="color: #000000;">alemão, </span><span style="color: #000000;">Alexander Ruhle, por exemplo, fez uma visita ao projeto no final do mês de janeiro de 2018, acompanhado de engenheiro e técnico agrônomo. Recepcionados pelas crianças e seus pais, os visitantes assistiram a um vídeo sobre a história do projeto, participaram de debates sobre o uso racional da água, ouviram relatos sobre compromissos, por exemplo, com a preservação do Bioma Caatinga, foram a campo ver de perto a forma de plantio em princípios da agroecologia, da criação dos animais, da coleta e uso de frutas, legumes, verduras, raízes .</span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Ao meio-dia, foram convidados para a celebração dos alimentos, com um almoço preparado pelas famílias. Tudo o que foi servido &#8211; legumes, carnes, raízes, sucos, frutas – fo</span><span style="color: #000000;">i</span><span style="color: #000000;"> produzido na própria comunidade. Ainda como parte da visita, houve troca de</span><span style="color: #0070c0;"> </span><span style="color: #000000;">experiências e compartilhamento de informações para reforçar, mundo afora, o trabalho do “Recanto Peixinhos”, como exemplo multiplicador de autos</span><span style="color: #000000;">s</span><span style="color: #000000;">ustentação orgânica.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"> </span></span></p>
<div id="attachment_25290" class="wp-caption aligncenter" style="width: 413px"><span style="color: #000000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/26907193_1731622456870966_7053608296320244999_n1.jpg"><img class="size-full wp-image-25290  " title="NORDESTE EM PAUTA" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/26907193_1731622456870966_7053608296320244999_n1.jpg" alt="" width="403" height="302" /></a></span><p class="wp-caption-text">Criação de galinhas com alimentação orgânica / Imagem: Liliana Peixinho</p></div>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;">Um relato do técnico Evandro Peixinho, contratado pela empresa Biococos Orgânicos,  localizada no Sertão da Bahia, e de propriedade do empresário alemão Alexander Ruhle &#8211; chama a atenção para um fato ocorrido na fazenda onde ele foi convidado a administrar. Alguns animais estavam comendo frutas nas plantações e, o que poderia ser um problema, foi encarado com naturalidade pelo alemão: Ele falou `deixa eles comerem e, depois, nós plantamos mais`. Em situações semelhantes – a perda de produtos em decorrência de ataque animal –, a reação mais frequente entre empresários agricultores costuma ser a de matar os animais. Mas a surpresa de um comportamento que primou pelo olhar mais amplo sobre a importância de preservação da fauna em ambientes fragilizados, como o Bioma Caatinga, é uma constatação de que existe esperança, sim, de convivência, entre o capital e a preservação ambiental, de forma harmoniosa, inteligente, racional e preventiva.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">As práticas observadas pela reportagem, em semanas e semanas de interação local &#8211; iniciadas em abril de 2017, interrompidas por problemas de saúde da jornalista, e reiniciadas entre janeiro e fevereiro de 2018 – demonstram esse sentido amplo de um fazer integral, perdido em meio à realidade dos grandes centros urbanos ou mesmo de pequenas cidades do interior.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">O técnico Antonio Peixinho foi convidado a participar e compartilhar experiências do Recanto em encontro realizado em El Salvador, onde participou como representante brasileiro, para levar as experiências a agricultores de diversos países.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;">Das histórias e adversidades, a  exemplo multiplicador. Confira os depoimentos no documentári<span style="color: #000000;">o <span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Caminhos da Agroecologia abaixo:</span></span></span></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><a href="https://www.youtube.com/watcPjcDRhK4Mn0">Caminhos da Agroecologia</a></span></span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/PjcDRhK4Mn0" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/PjcDRhK4Mn0"></embed></object><br />
</span></span></span></span></p>
<p><!-- p { margin-bottom: 0.25cm; direction: ltr; line-height: 120%; text-align: left; }a:link { color: rgb(0, 0, 255); } --><em><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: small;">* Jornalista, ativista, Especializada em Jornalismo Científico e Meio Ambiente. Fundadora e coordenadora do Movimento AMA. MIDIA ORGANICA. REAJA. RAMA. Colaboradora de diversas mídias especializadas em Jornalismo Ambiental.</span></span></em></p>
<p><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/o-paraiso-exite-e-e-fruto-de-muita-labuta-diaria/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Leia mais:</span></a></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #008000;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/o-paraiso-exite-e-e-fruto-de-muita-labuta-diaria/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Paraíso existe, mas é fruto de muita labuta diária</span><br />
</a><br />
<a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/educacao-transversal-e-multifacetada/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Educação Transversal e multifacetada</span><br />
</a><br />
<span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/familia-uniao-e-desenvolvimento-sustentavel/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Família,</span> <span style="color: #008000;">união e desenvolvimento sustentável</span></a></span></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #008000;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/vida-em-rituais-sagrados/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Vidas em rituais sagrados</span> </a></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #008000;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/acoes-em-cadeias-harmoniosas/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Ações em cadeias harmoniosas</span></a></span></span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #008000;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/recaatingamento-um-compromisso-com-a-preservacao/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Recaatingamento</span><span style="color: #008000;">, um compromisso com a preservação</span></a></span><br />
</strong></p>
<img src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/?ak_action=api_record_view&id=25286&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Recaatingamento, um compromisso com a preservação</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Mar 2019 13:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
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		<description><![CDATA[Economia Solidária é fortalecida no Recanto Peixinhos, tendo como objetivo o cultivo de espécies nativas da Caatinga e da biodiversidade local]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O  Recanto Peixinhos, na comunidade Barreira do Tubarão, município de  Heliópolis, entende que a expressão “recaatingar” representa o  compromisso com a necessidade de resgatar, recuperar, preservar, cuidar  das espécies nativas ao bioma caatinga. Cientes do processo de  desertificação, acelerado, com as práticas promovidas por sistemas  econômicos como o do agronegócio, o Recanto Peixinho utiliza práticas  que promovem o reflorestamento, ou Recaatingamento, como preferem  conceituar.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_25160" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/IMG-20180630-WA0039-1.jpg"><img class="size-large wp-image-25160 " title="Nordeste em Pauta" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/IMG-20180630-WA0039-1-768x1024.jpg" alt="" width="448" height="597" /></a><p class="wp-caption-text">Mudas cultivadas para recaatingar / Foto: Liliana Peixinho</p></div>
<p>A  partir de um levantamento, minucioso, de espécies nativas da Caatinga e  a cata de mudas e sementes em áreas que ainda não foram desertificadas,  os agricultores utilizam técnicas de reintrodução de espécies,  frutíferas ou não. Na área tem plantação de espécies como: pau de  colher, caixão, araticum, mandacaru de boi e de facho, pau de sapo,  jurema branca e preta, coração negro, mandioca brava, cajarana, mulugum,  macambira, laranja brava, bandola, angico liso e de espinho, pregusoso,  ipê rôxo e amarelo, tamboril, barriguda, quina-quina, umburana,  saboneteira, licurizeiro, catingueira, entre outras.</p>
<p>Com  isso a área do Recanto Peixinhos vem sendo recuperada e  biodiversificada. Reapareceram inúmeras espécies animais como lagartos,  cobras, corujas, macacos, colibris, entre outros, raros, como a ”Avó da  Lua”. Esse ambiente biodiverso proporcionou a formação de uma cadeia  harmoniosa de ponta a ponta e hoje os moradores fazem a coleta e o  beneficiamento de frutas, raízes, folhas, legumes, hortaliças típicos da  caatinga. Nesse cuidado com a riqueza nativa, a comunidade se beneficia  com uma alimentação nutricionalmente rica, a partir do uso in natura,  ou em sucos, geleias, bolos, mingaus, e receitas de pratos em culinária  afetiva, funcional, na promoção do bem viver.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_25161" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/CAM13403.jpg"><img class="size-large wp-image-25161 " title="Nordeste em Pauta " src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/03/CAM13403-1024x768.jpg" alt="" width="448" height="336" /></a><p class="wp-caption-text"> Crianças brincam nas sombras de árvores frutíferas / Foto: Liliana Peixinho</p></div>
<p>Culturas diversas &#8211; Junto com o recaatingamento, a plantação é voltada para a produção  alimentar. Há todo um cuidado ao que já existia na época da chegada ao  local e vem sendo plantado diariamente. Assim, pode-se ver na comunidade  o aproveitamento integral da terra, em plantações diversas como umbu,  manga, goiaba, abacate, acerola, pinha, mamão, cajá, caju, cana,  laranja, limão, coco, romã e bananas de vários tipos (da terra, maçã,  nanica, ouro) dentre dezenas de outros frutos. No mesmo ambiente,  observa-se o cultivo de legumes, verduras, raízes e hortaliças: coentro,  cebolinha, couve, alface, tomate -cereja, cenoura, maxixe, beterraba,  quiabo, batata doce, mandioca (aipim), milho, feijão, dentre outras  culturas que garantem o sustento comunitário.</p>
<p>A  Economia Solidária se fortalece por meio de bancos de sementes  crioulas, aproveitamento integral de resíduos orgânicos, redução da  entrada de plásticos, alimentação funcional, afetiva, em compromisso de  prevenção a doenças, através do uso da flora como matriz de princípios  ativos para o combate aos males.</p>
<p><strong>Não às solinhas plásticas: </strong><strong>c</strong><strong>omunidade e Movimento AMA firma ações de desperdício zero </strong>- Recentemente, a comunidade firmou compromisso com o Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente na campanha Lixo Zero, Desperdício Zero, para fortalecer as práticas locais em princípios do consumo consciente, por meio da prática de Cultura dos “Rs”: Racionalizar, Reduzir, Repartir, Recusar, Reaproveitar, Reinventar, Recriar, desenvolvida pelo AMA.</p>
<p>O   Movimento doou tecidos de cortinas velhas e forros de sofá para a   comunidade reutilizar com reaproveitamento criativo. O AMA apresentou um   modelo de sacolão   reutilizável como referência útil na substituição das sacolas   plásticas. A comunidade foi reunida, com todas as famílias, para   discutir formato, tamanho, pintura, e sinalizar quem   estaria disposto a produzir as sacolas. A artesã, Zélia, uma das  filhas  do casal Bento e Nice, é a referência comunitária em trabalhos  de  reaproveitamento de tecidos e outros materiais. Convidada a executar  o  conceito dado às sacolas permanentes, ela aceitou a tarefa de  costurar e  pintar as sacolas. A proposta é barrar a entrada das indesejáveis sacolinhas plásticas no ambiente.</p>
<p>Ao   final dos trabalhos, cada família recebeu seu próprio sacolão   permanente (com tamanho de 60 centímetros de altura, por 50 de largura, e   30 de fundo). Esse modelo comporta produtos pesados e grandes, em   compras nas feiras e mercados de localidades vizinhas, de produtos que a   comunidade local ainda não produz.</p>
<p>J<em>ornalista, ativista, Especializada em Jornalismo Científico e  Meio Ambiente. Fundadora e coordenadora do Movimento AMA. MIDIA  ORGANICA. REAJA. RAMA. Colaboradora de diversas mídias especializadas em  Jornalismo Ambiental.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><span style="color: #339966;"><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/o-paraiso-exite-e-e-fruto-de-muita-labuta-diaria/" target="_blank"><strong><span style="color: #339966;">Leia mais</span>:</strong></a></strong></span></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/o-paraiso-exite-e-e-fruto-de-muita-labuta-diaria/" target="_blank"><span style="color: #339966;">Paraíso existe, mas é fruto de muita labuta diária<br />
</span></a><span style="color: #339966;"><br />
</span><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/educacao-transversal-e-multifacetada/" target="_blank"><span style="color: #339966;">Educação Transversal e multifacetada</span><br />
</a><br />
</strong><span style="color: #339966;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/familia-uniao-e-desenvolvimento-sustentavel/" target="_blank"><strong><span style="color: #339966;">Família<span style="color: #339966;">, </span></span><span style="color: #339966;">união e</span> <span style="color: #339966;">desenvolvimento</span> <span style="color: #339966;">sustentável</span></strong></a></span></p>
<p><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/vida-em-rituais-sagrados/" target="_blank"><span style="color: #339966;"><strong><span style="color: #339966;">Vidas em rituais sagrados </span></strong></span></a></p>
<p><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/acoes-em-cadeias-harmoniosas/" target="_blank"><span style="color: #339966;"><strong><span style="color: #339966;">Ações em cadeias harmoniosas </span></strong></span></a></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>Paraíso existe, mas é fruto de muita labuta diária</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Feb 2019 00:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Conforme pesquisas feitas pelo Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente, a partir de abril de 2013 –  durante trabalho sobre a série Seca Sertão adentro, prêmio de Jornalismo e Sustentabilidade Mercado Ético – descobrimos, com ineditismo, na Comunidade Barreira &#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conforme pesquisas feitas pelo Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente, a partir de abril de 2013 –  durante trabalho sobre a série Seca Sertão adentro, prêmio de Jornalismo e Sustentabilidade Mercado Ético – descobrimos, com ineditismo, na Comunidade Barreira do Tubarão, município de Heliópolis, nordeste da Bahia, um projeto iniciado em 2010, em área típica nordestina, onde, a olhos rápidos, nada poderia se produzir. Mas ao longo dos anos, com muito trabalho, pesquisa aplicada e compromisso sustentável, de fato, a comunidade vem garantindo cerca de 80% de tudo o que consome.</p>
<p>O modelo de gestão cooperativo é exemplar e a credibilidade dos trabalhos tem gerado diversas oportunidades de conhecimento das técnicas aplicadas para diversas outras comunidades agrícolas, como exemplo multiplicador. Grupos de agricultores, com apoio de associações, viajam de suas cidades para vivenciar, in loco, como os produtores agrícolas orgânicos do Recanto realizam os trabalhos.</p>
<p><strong>___________________________________________________________________</strong></p>
<p><span style="font-weight: bold;">História e desafios de vida &#8211; </span>Os anos eram de 1970. O processo migratório do Nordeste para o Sudeste – São Paulo, basicamente,  estava em alta no cenário econômico nacional.  Em paralelo, as pessoas sentiam na pele os desafios contra a garantia de direitos. A luta pela permanência no lugar onde nasceram e se criaram, na contramão do crescente movimento do êxodo rural nordestino para cidades prometidas, exigia coragem e fé perseverantes. A união da família numerosa seria a base para a sustentação do sonho do casal Bento Anchieta da Cruz e Maria Eunice Peixinho Cruz: cuidar e viver no ambiente de origem, de forma harmoniosa com a Natureza.</p>
<p>Bento e Eunice nasceram – ele em março de 1941 e ela em abril de 1939 – se criaram e moraram na roça toda a vida. Ele em Macambira, ela em Tanque Novo, distritos de Ribeira do Pombal, nordeste da Bahia. A vida os uniu e se casaram  em janeiro de 1965. Bento e Nice, então recém-casados, residentes e trabalhadores em Macambira, queriam mudar de vida, morar e trabalhar em outro lugar, próximo, mas onde as condições da terra pudessem ser mais propícias para o plantio próprio. Entre muitas habilidades, Bento era pedreiro, pequeno agricultor familiar e trabalhava em sistema meeiro – aquele onde se planta numa área de outra pessoa para dividir a produção, ao final da colheita. Nice, além de cozinhar, costurar, lavar, cuidar dos filhos e dos animais, também ajudava o marido, na roça e nos negócios.  Aos poucos, com a família crescendo, o número de filhos aumentando, o casal planejava sair de Macambira para outro lugar, onde pudesse plantar em área própria. Bento, então, resolveu seguir o caminho de uma das irmãs, Zefa, que morava com a família num lugar chamado Barreira do Tubarão, município de Heliópolis.</p>
<div id="attachment_25058" class="wp-caption aligncenter" style="width: 522px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/02/materia1-espe.jpg"><img class="size-large wp-image-25058 " title="Matéria especial - Nordeste" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/02/materia1-espe-1024x768.jpg" alt="" width="512" height="384" /></a><p class="wp-caption-text">Cada membro do Recanto desenvolve diversos papéis, em revezamento,assim todos, homens e mulheres, sabem fazer de tudo / Foto: Liliana Peixinho</p></div>
<p><strong>Filhos, amor e cuidado</strong> &#8211; O casal teve 11 filhos. No início dos anos 1970, a peleja de vida ficou dividida nas estradas, sobre mulas e carroças, com idas e vindas, num percurso de cerca de 40 quilômetros, para aproveitar o tempo bom, de invernos que variavam entre maio e início de julho, para plantar, e no final de julho e agosto, pra bater, ensacar, estocar e vender a colheita.</p>
<p>Entre um serviço e outro, Bento e a mulher Nice, começavam uma nova vida, em outro lugar. Foram cinco anos de idas e vindas, entre Macambira e Barreira do Tubarão, na labuta entre o plantio na roça e os serviços de pedreiro na região. Nesse ritmo, trabalhavam numa área comum, com a irmã Zefa e sua família.</p>
<div id="attachment_25059" class="wp-caption aligncenter" style="width: 522px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/02/materia1-espe1.jpg"><img class="size-large wp-image-25059 " title="matéria especial - nordeste" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/02/materia1-espe1-1024x768.jpg" alt="" width="512" height="384" /></a><p class="wp-caption-text">Dona Zefa, irmã de Bento, deu todo apoio à família do irmão, na labuta da terra / Foto: Liliana Peixinho</p></div>
<p>Dividiam a moradia, faziam pequenos ranchos para se abrigar do tempo, preparavam café em fogão improvisado com pedras e galhos de madeira morta, cozinhavam aipim, para tocar a labuta diária. Dona Zefa, mulher guerreira, incansável e de coração generoso, além de amamentar seus filhos, foi ama de leite de alguns dos filhos de Bento e Nice. “Eram duas crianças mamando, ao mesmo tempo, uma num peito, e outra, no outro”, lembra Zefa, com a satisfação típica de quem gosta de ajudar o outro.</p>
<p><strong>Um novo tempo</strong> &#8211; Tempos depois, Bento comprou uma terra mais adiante da casa da irmã e os planos de melhoria de vida tomaram forma, com muito trabalho e disciplina. O plantio era o tradicional: feijão, milho, mandioca. O tempo passa, os filhos crescem, a harmonia familiar se consolida e o gosto pelo cuidado com a terra aumenta na mesma proporção do compromisso com a diversificação e preservação do ambiente.</p>
<p>Aos poucos, na nova terra, passaram a plantar mais, guardar excedentes num pequeno armazém, e com a venda do que produziam começaram a construir a casa da família. Os tempos eram de chumbo! Exigiam coragem e determinação. Nada podia esmorecê-los. O dia começava antes de o sol raiar e entrava noite adentro, no cuidado com a casa e as crianças. Entre um serviço e outro, Bento e Nice se  revezavam nos trabalhos, entre a roça, a casa e a educação dos 11 filhos, dos quais cinco são surdos. Quando união e amor são armas para os desafios, a labuta até parece leve. Assim o casal enfrentava a vida, enquanto os filhos cresciam e ajudavam em tudo.</p>
<p>A família, aos poucos, vai se mudando para Barreira do Tubarão. Com o passar do tempo o casal cria os 11 filhos que Dona Nice, 77 anos, faz questão de dizer, cronologicamente, o nome e a data de nascimento de cada um, da mais velha, Zélia, nascida em 17 de novembro de 1965, ao mais novo, José Renato, de 31 de agosto de 1980. Todos<span style="text-decoration: line-through;"> </span>se casaram e tiveram filhos, à exceção do caçula, Renato, que é padre e recentemente voltou da Alemanha, onde foi aprofundar os estudos teológicos. Padre Renato é presente na comunidade de Barreira do Tubarão e com honra é recebido para celebrar missas, batizados, casamentos, e fortalecer os rituais sagrados, compromisso de um povo movido pela fé cristã.</p>
<div id="attachment_25060" class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/02/materia1-espe3.jpg"><img class="size-large wp-image-25060 " title="matéria especial - nordeste" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2019/02/materia1-espe3-1024x768.jpg" alt="" width="576" height="432" /></a><p class="wp-caption-text">Em trabalho coletivo, diário, construíram a primeira casa, e hoje cada um dos 11 filhos tem sua casa, em área própria/ Foto: Liliana Peixinho</p></div>
<p><strong>Cinco surdos na família</strong><strong> &#8211; </strong>Entre os desafios da família, cinco dos onze filhos nasceram surdos. A família desenvolveu um método próprio, com uma linguagem focada na inclusão. Todos se comunicam bem, se entendem perfeitamente e, mesmo os netos que nasceram com deficiência auditiva, são pessoas dotadas de alta capacidade de interação no trabalho coletivo. Participam de reuniões, trabalham, são independentes, felizes e formaram novas famílias, com lastro no amor coletivo.</p>
<p>Com novas famílias, surgidas dos filhos do casal Bento e Nice, os desafios aumentaram. A partir de meados dos anos 1990 as ideias e propostas sobre formas de produção mais harmônicas com o ambiente ganham espaço, por meio de discussões em grupo, durante as refeições, nas noites de lua, sentados nas varandas das casas, entre uma labuta e outra na roça. Daí surge um novo projeto, focado em agroecologia, que é amadurecido e colocado em prática sob o símbolo afetuoso, batizado de “Recanto Peixinhos”, na localidade de Barreira do Tubarão.</p>
<p><span style="font-style: italic;">Jornalista, ativista, Especializada em Jornalismo Científico e Meio Ambiente. Fundadora e coordenadora do Movimento AMA. MIDIA ORGANICA. REAJA. RAMA. Colaboradora de diversas mídias especializadas em Jornalismo Ambiental.</span></p>
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		<title>Povos tradicionais, sustentabilidade e proteção da terra</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Oct 2018 22:24:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pesquisadores discutiram como o modo de subsistência e tradição dos povos latino-americanos contribuem para a utilização de recursos naturais sem gerar grandes impactos ao meio ambiente 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Patcha mama, Gaia, Onilé, mãe natureza são diferentes nomes, colocados por diversas culturas ao redor do mundo, para representar uma mesma manifestação natural chamada de “mãe terra”. A relação de respeito e preservação que esses povos tradicionais latino-americanos possuem com a natureza foi tema de debate na mesa “Os Direitos da Mãe Terra: Uma Análise dos Povos e Comunidades Tradicionais da América Latina”, que aconteceu no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), durante o segundo dia do Congresso da UFBA 2018.</p>
<p style="text-align: center;" dir="ltr">
<div id="attachment_24520" class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/Povos-tradicionais-12.jpg"><img class="size-large wp-image-24520 " title="Povos-tradicionais-1" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/Povos-tradicionais-12-1024x722.jpg" alt="" width="576" height="406" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem: Giovanna Hemerly</p></div>
<p dir="ltr"><strong>Tradição e preservação -</strong> O modelo de subsistência dos povos tradicionais têm base nos conhecimentos passados de geração em geração pelos ancestrais. Mãe Alda de Oyá, sacerdotisa do Candomblé, explicou a importância da terra para os praticantes desta religião afro-descendente.</p>
<p dir="ltr">Segundo a ialorixá, os ancestrais transmitiram através de lendas a necessidade de proteger o solo, já que é ele quem garante a sobrevivência do ser humano. “O Ilê Aiye, é a nossa casa, é a terra. A última sentença que Olodumaré determinou é que precisamos ‘pagar prenda para o solo’, no sentido figurado, pois precisamos tratá-la e cuidar bem dela. Mas é prenda dos vivos e dos mortos também, porque é nela que o nosso corpo descansa quando não existe mais vida”, afirmou a mãe de santo.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_24521" class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/Olho-1.jpg"><img class="size-large wp-image-24521 " title="Olho-1" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/Olho-1-1024x724.jpg" alt="" width="576" height="407" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem: Giovanna Hemerly</p></div>
<p dir="ltr">Tanto no Candomblé, como em outras manifestações tradicionais, a terra é reconhecida como uma entidade sagrada que, por estar relacionada a manutenção da vida no planeta, foi associada à figura materna. A especialista nos estudos da América Latina,  Natalie Lessa, reitera que essa visão personificada da natureza é fundamental por remeter à ideia de que ela é um sujeito de direito que precisa ser respeitada. “O primeiro princípio para esses povos é que a mãe terra não está dissociada, pois nós também somos ela. Então se fazemos mal para o nosso planeta, para nossa mãe, estamos fazendo mal a nós mesmos”, reforça Lessa.</p>
<p dir="ltr">De acordo com a especialista, a visão da terra como sujeito ao invés de um objeto de propriedade, meramente particular, serviu de referência para a produção de leis ambientais durante a criação do novo constitucionalismo latino-americano, adotado pela Bolívia e Equador, países com forte influência da tradição ameríndia. “Nesta constituição estava previsto os direitos da natureza e o direito de bem viver, de escolher como você quer viver, e não viver esse modelo individualista e eurocentrado imposto pelo capitalismo”.</p>
<p dir="ltr"><strong>Produção não sustentável -</strong> Apesar do avanço do novo constitucionalismo em adotar a cosmovisão dos povos e sua tradição de respeito à natureza, a ideia ainda predominante na maioria dos países da América Latina tem origem no modelo socioeconômico baseado na ideologia capitalista. A lógica mercantil e de exploração dos recursos a todo custo tem desprezado as práticas de sobrevivência dos povos tradicionais.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_24527" class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/Olho-21.jpg"><img class="size-large wp-image-24527 " title="Olho-2" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/Olho-21-1024x724.jpg" alt="" width="576" height="407" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem: Giovanna Hemerly</p></div>
<p dir="ltr">Hoje, a agropecuária é o modelo de produção prioritário na maioria dos países da América Latina. Segundo Natalie Lessa: “O que a gente vive hoje é a imposição  de um modelo único de produção de alimentos e de bens de consumo”. A agropecuária tornou-se uma forte ameaça a subsistência dos povos tradicionais por ser um modelo de produção que não permite a existência de outros como práticas que divergem da sua. E por ser utilizada por produtores ruralistas com forte influência no âmbito político, o racismo ambiental está sendo institucionalizado, negando aos povos tradicionais o direito ao território, acesso aos recursos naturais não poluídos e de manter suas práticas de subsistência.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">Lessa alerta ainda que vários países latino-americanos estão perdendo sua biodiversidade e sua pluralidade por conta da monocultura, que prega o plantio em larga escala de espécies vegetais específicas e do latifúndio, que exige grande áreas de terra por não ser uma produção auto-sustentável. Para a especialista, os mais prejudicados são os povos que estão perdendo seu território e tradições de práticas agrícolas realizadas desde épocas anteriores ao descobrimento e, que hoje, estão sendo afetadas pelos produtos transgênicos e os agrotóxicos. “A semente da soja invadiu o território do Xingu e o veneno chegou também nesse território, matando essas formas de bem viver que já era cultivadas antes dos portugueses chegarem aqui”, disse Lessa.</p>
<p dir="ltr"><strong>Bancada ruralista -</strong> A bióloga e pesquisadora sobre comunidades e povos tradicionais, Júlia Borges, afirma que além de gerar impactos socioambientais, a elite ruralista brasileira tornou-se um dos principais obstáculos para projetos que visam recuperar os danos da degradação. Com uma forte representação no Congresso Brasileiro, esse grupo tem conseguido eliminar propostas que vão de encontro aos seus interesses. “No brasil a gente ainda tem uma estrutura latifundiária, a gente ainda tem no congresso uma bancada ruralista que é institucionalizada e fortíssima. E são grupos de interesse que estão atuando e dialogando constantemente”.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_24530" class="wp-caption aligncenter" style="width: 594px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/bancada-ruralista.jpg"><img class="size-full wp-image-24530   " title="bancada-ruralista" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/bancada-ruralista.jpg" alt="" width="584" height="383" /></a><p class="wp-caption-text">A bancada ruralista brasileira é um dos grupos políticos com maior poder de influência no parlamento / Imagem: J.Batista (Câmara dos Deputados)</p></div>
<p dir="ltr">Um exemplo citado pela pesquisadora sobre articulação política em prol desse grupo foi a reforma do código florestal, realizada em 2008. Dentre as medidas aprovadas, existe uma que perverte o conceito de sustentabilidade para servir aos interesses ruralistas, permitindo que  pessoas que degradaram terras, antes de 2008, fossem anistiadas. “A sustentabilidade implica em permitir que as novas gerações tenham acesso aos recursos e benefícios naturais que nós temos. Só que este é um conceito que muitos grupos de enfrentamento têm se apropriado, inclusive a bancada ruralista”, delata a bióloga.</p>
<p dir="ltr">Propostas que visam utilizar a terra de forma coletiva para o bem estar comum é outra questão também dificultada pela frente ruralista. Para Júlia Borges, a reforma agrária e a demarcação de terras são assuntos que não podem ficar de fora de discussões sobre preservação ambiental, pois também envolvem a necessidade de “Retirar a terra de uma lógica da economia mercantil em que ela tem o seu valor medido na bolsa de valores” em prol de questões de justiça social e sustentabilidade.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">Julia explica que a ideia tem origem nos discursos do pesquisador espanhol Joan Martinez Alier. Em seu livro “Ecologismo dos Pobres”, Alier descreve este ecologismo como um tipo de ambientalismo que pensa a natureza como forma de sobrevivência. Por isso, partindo desta perspectiva, os povos tradicionais possuem uma tendência maior a não gerar grandes impactos ambientais porque sua cultura e tradição pregam a coletividade, o respeito aos ciclos naturais do planeta e o entendimento de que os recursos essenciais para a sobrevivência são finitos.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_24539" class="wp-caption aligncenter" style="width: 545px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/o-lider-dos-seringueiros-chico-mendes-colhe-latex-de-seringueira-em-xapuri-acre-ele-sera-morto-11.jpg"><img class="size-full wp-image-24539  " title="o-lider-dos-seringueiros-chico-mendes-colhe-latex-de-seringueira-em-xapuri-acre-ele-sera-morto-(1)" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/10/o-lider-dos-seringueiros-chico-mendes-colhe-latex-de-seringueira-em-xapuri-acre-ele-sera-morto-11.jpg" alt="" width="535" height="280" /></a><p class="wp-caption-text">De acordo com Júlia Borges, as lutas de Chico Mendes pela defesa da floresta Amazônica entram no conceito de &quot;ecologismo dos pobres&quot;, de Juan Martínez Alier / Imagem: Homero Sérgio (Folhapress)</p></div>
<p dir="ltr"><strong>O papel da universidade -</strong> Durante a discussão a pesquisadora Letícia de Souza reclamou a ausência do debate ambiental na esfera do direito, especialmente dentro das salas de aula da faculdade. “A gente está na faculdade de Direito e não vemos determinadas discussões que vão trazer fissuras a essa visão eurocêntrica de conhecer e reconhecer o direito”, afirmou.</p>
<p dir="ltr">Contudo, ela ressalta a importância de existir hoje na universidade um número maior de pessoas pertencentes a população tradicional, já que a presença deles contribui para a representação desse grupo social dentro do ambiente acadêmico. “Não basta os acadêmicos falarem por eles [povos tradicionais]. Eles estão aqui, estão na academia. Nós temos quilombolas e indígenas que estão aqui trazendo representação para seu povo e servindo de instrumento de luta”, disse a pesquisadora.</p>
<p dir="ltr">Já o professor e mestre em Direito pela UFBA, Geraldo Rui Almeida, reclama a necessidade das esferas públicas, inclusive as universidades, posicionarem-se em defesa das causas sociais e ambientais. “A corte constitucional brasileira ficou refém do lobby. É bom que se diga isso claramente numa mesa de debate, em especial, de uma universidade federal, porque é uma instituição que tem que se posicionar também quanto a esse respeito, porque estamos perdendo soberania, riqueza e território nacional”, lamentou.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr"><strong>Ganhador do &#8220;Prêmio de Melhor Curta Metragem no Festival Ambiental das Ilhas Canárias de 2016&#8243;, o documentário &#8220;Para Onde Foram as Andorinhas?&#8221;, Instituto Catitu e Instituto Socioambiental, aborda o impacto da agropecuária na subsistência dos povos indígenas do Xingu. Assista:</strong></p>
<p dir="ltr"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="580" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/T0-INQW3It0" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="580" height="350" src="http://www.youtube.com/v/T0-INQW3It0"></embed></object></p>
<p dir="ltr"><em>*Estudante do curso de jornalismo da Faculdade de Comunicação e repórter na Agência de Notícias em CT&amp;I – Ciência e Cultura UFBA</em></p>
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		<title>Por uma política de mobilidade sustentável na universidade</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jul 2016 03:05:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[CONGRESSO UFBA 70 ANOS]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Aragão]]></category>
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		<description><![CDATA[Durante a realização do evento pesquisadores apontam soluções para a consolidação de uma política de mobilidade sustentável 
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			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A credibilidade da mobilidade sustentável realizada na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e as dificuldades enfrentadas para a implantação destas políticas foram as principais questões abordadas em debate, que reuniu pesquisadores da área de engenharia, arquitetura e estudantes, em mais um dia do Congresso UFBA.</p>
<p dir="ltr">Na visão do professor de Engenharia de Transportes, Juan Pedro Delgado, o problema central da UFBA é a fragmentação, sendo assim, existe necessidade de sua incorporação às inovações da mobilidade. “Temos que pensar uma rede de relações que crie interdisciplinaridade, algo que não se dá pela internet, e sim pelo contato social”, afirma Delgado. Pensando dessa maneira, o principal objetivo da política de mobilidade é a integração dos ambientes para que seja possível reduzir a necessidade de viagens motorizadas, diminuir as distâncias a serem percorridas, e inserir inovações tecnológicas para uma maior eficiência nos sistemas de transportes.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_20025" class="wp-caption aligncenter" style="width: 522px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2016/07/20160715_161309.jpg"><img class="size-large wp-image-20025 " title="20160715_161309" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2016/07/20160715_161309-1024x576.jpg" alt="" width="512" height="288" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Marina Aragão / Agência de Notícias Ciência e Cultura</p></div>
<p dir="ltr">Uma alternativa apresentada para integrar a universidade e facilitar o trajeto dos alunos pelos campi pode ser através do aplicativo do Buzufba, desenvolvido por Ítalo Costa, que explica: “A intenção é fazer com que os estudantes tenham conhecimento dos espaços e construam uma conexão entre si. Porque o problema da UFBA não é apenas de mobilidade, mas também de comunicação”.</p>
<p dir="ltr">Os principais pontos valorizados na discussão foram o serviço de transporte público e o controle da demanda por viagens de automóveis. O aumento da oferta de serviços e infraestrutura com qualidade, segurança e, principalmente, acessibilidade, aspecto negligenciado tanto dentro da universidade como também na cidade de Salvador também foram reforçados.</p>
<p dir="ltr">Para o professor da Faculdade de Arquitetura, Antonio Heliodório Sampaio, a universidade não tem recurso suficiente para fazer uma proposta concreta, devido a existência de uma descontinuidade administrativa, que prejudica o seguimento dos projetos. “A UFBA tem uma herança maldita em que cada unidade olha para o seu próprio umbigo. Ideias não faltam, mas não funcionam porque a gestão é deslocada do planejamento”, critica.</p>
<div>
<p><em>*Estudante de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UFBA e esagiária da Agência de Notícias em CT&amp;I- Ciência e Cultura</em></p>
</div>
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		<title>Charbel Niño El-Hani</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jun 2016 18:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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		<description><![CDATA[“É preciso mostrar para esse estado que temos orgulho da música da Bahia, mas que também devemos ter orgulho da ciência”, afirma o professor de Biologia da UFBA e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares em Ecologia e Evolução, Charbel Niño El-Hani, em entrevista concedida à repórter Marina Aragão, para a Agência de Notícias Ciência e Cultura]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="https://www.ufba.br/noticias/os-incts-gerados-na-bahia" target="_blank">Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares em Ecologia e Evolução</a> (IN-TREE) aparece em 10º lugar na lista de 252 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (<a href="http://inct.cnpq.br/" target="_blank">INCTs</a>), divulgada pelo <a href="http://www.cnpq.br/" target="_blank">Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico</a> (CNPq) no mês de maio deste ano.</p>
<p>O IN-TREE é coordenado pelo professor do <a href="http://www.biologia.ufba.br/" target="_blank">Instituto de Biologia da UFBA</a>, Charbel Niño El-Hani, que falou um pouco da atuação do INCT em entrevista para a Agência de Notícias em CT&amp;I – Ciência e Cultura<a href="http://www.ufba.br" target="_blank"> UFBA</a>. Na entrevista, o pesquisador fala da importância do Instituto no desenvolvimento da Biologia e da Ecologia, aliada à Sustentabilidade, e destaca os desafios enfrentados para transpor os ganhos teóricos para a prática.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura &#8211; Uma parte da rede do INTC já existe desde 2010. Como surgiu a iniciativa de criar esse Instituto e, consequentemente, essas parcerias?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>O INCT é resultado do PRONEX, um Projeto de Excelência, iniciado em 2010. Ele aumentou muito de tamanho. Hoje tem 200 pesquisadores e 49 laboratórios vinculados. Isso aconteceu porque, ao longo do PRONEX, estabeleceu-se uma estratégia de fortalecer os vínculos com pesquisadores nacionais e internacionais. Fizemos isso ao chamar pessoas para avaliarem o nosso PRONEX. A Fapesb não exigiu uma avaliação externa, mas nós criamos uma que era feita a cada seis meses, basicamente. E esses pesquisadores, brasileiros e estrangeiros, vinham para avaliar o nosso trabalho, e, assim, tomaram conhecimento de tudo. Quando decidimos montar o INCT, contactamos várias dessas pessoas e eles tinham muito interesse em trabalhar conosco, pois já haviam visto como era o projeto, o espírito do INCT e, consequentemente, do PRONEX.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – Quais outras parcerias institucionais do Instituto, além das ligadas à Biologia, Ecologia e Biodiversidade?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>O INCT, desde o PRONEX, tem foco em pesquisa interdisciplinar e transdisciplinar. A interdisciplinaridade tem conceitos mais largos. Aquele mais usado faz relação com a união de pessoas de diferentes disciplinas, não para abordar o problema separadamente, o que seria uma abordagem multidisciplinar, mas para construir um corpo de conhecimento integrado entre as disciplinas para resolver esse problema. Essa é uma compreensão mais usual da interdisciplinaridade. Já transdisciplinaridade é um termo com uma diversidade de significados na literatura. Usamos um significado muito preciso que se relaciona, no momento da resolução de um problema complexo, reunimos atores que são de fora da academia, que trarão uma parte do conhecimento não acadêmico, e então fazemos um corpo integrado de conhecimento interdisciplinar acadêmico e não acadêmico. Esses participantes seriam técnicos ambientais, professores de educação básica que fazem parte do INCT também e estão listados no mesmo patamar dos pesquisadores. Além disso, temos pessoas de Biologia, Física, Computação, Filosofia da Ciência, História da Ciência, Pesquisa em Educação Científica, Ciências da Terra, Geologia, Antropologia, Sociologia e Comunicação.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura &#8211; Dentro desse contexto, como podemos relacionar Ecologia, Evolução e Sustentabilidade?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-hani &#8211; </strong>Evolução e Ecologia estão intimamente relacionadas porque um dos fatores fundamentais para compreendermos como as espécies se distribuem hoje no planeta e como elas estabelecem interações ecológicas é entender a evolução dessas espécies, os fatores históricos que as levam a terem certas propriedades. É claro que compreender Ecologia é mais do que isso, porque além do fator histórico, existe o fator local no qual se deram as interações, os processos de colonização, extinção, recolonização, migração. Evolução e Ecologia são disciplinas que, inclusive, avançaram ao longo do século XX muito separadas e um dos problemas importantes hoje em Biologia é como integrá-las. Isso está diretamente dentro do foco do projeto.</p>
<p>E quanto à sustentabilidade, pretendemos, com o INCT, contribuir com a proposição de soluções para problemas ambientais do estado. E isso a partir de um compromisso com a ideia de que a ecologia, para ter relevância na tomada de decisão, ela precisa ter poder preditivo, conseguir construir modelos com previsões testáveis, mesmo que a previsibilidade seja limitada. Pois não se consegue fazer gestão de tomada de decisão se não existe a possibilidade de prever os resultados das ações da gestão. Então, temos a ideia de conseguir produzir este tipo de modelo e ao mesmo tempo estabelecer um vínculo com o setor que usará o conhecimento.</p>
<div id="attachment_19886" class="wp-caption aligncenter" style="width: 494px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2016/06/Charbel-Niño-El-Hani.jpg"><img class="size-full wp-image-19886   " title="Charbel Niño El-Hani" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2016/06/Charbel-Niño-El-Hani.jpg" alt="" width="484" height="272" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem: reprodução TV UFBA</p></div>
<p><strong>Ciência e Cultura &#8211; De que forma é feita a interação com a sociedade?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>Temos várias iniciativas do INCT que são as de divulgação e popularização da ciência para um público que não é ator da prática. Primeiro, o próprio Café Científico Salvador é um exemplo, pois tem um vínculo com o INCT agora. Outro exemplo é um projeto no qual fazemos exposições sobre racismo científico, que já está na 14º exposição. Provavelmente, faremos também sobre questões de sustentabilidade e justiça ambiental. Temos também um programa de colaboração com as escolas. Há seis escolas com cerca de 20 professores, que trabalham conosco na produção de inovação educacional, usando o conhecimento que está sendo gerado no INCT como uma maneira de chegar à escola. Além disso, há um projeto que não sabemos se vai acontecer porque depende de um recurso externo ao INCT, o programa de documentários. Estamos tentando alavancar recursos para fazer o programa de seis documentários vinculados à pesquisa que é feita no INCT. Estamos procurando recurso de outra via porque o de pesquisa, quando mobilizado para o financiamento de um processo de filmagem, tem limites demais. Por isso, precisamos conseguir recursos por um edital que seja de audiovisual mesmo. Fora isso, estamos montando um blog com cinco pesquisadores associados ao INCT, o “Darwinianas”. Mas ainda não está no ar, porque isso só ocorrerá quando tivermos conteúdo suficiente para garantir pelo menos dois meses.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – Quais foram os ganhos trazidos para a sociedade, tendo em vista a realidade do Estado?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>Do ponto de vista da pesquisa, algo muito importante foi mostrado à sociedade baiana, se produz ciência na UFBA e se produz ciência de alta qualidade, a melhor do estado. Vivemos em uma sociedade que não conhece a ciência que se faz na Bahia. É preciso mostrar para esse estado que temos orgulho da música da Bahia, mas que também devemos ter orgulho da ciência. Então, se pensarmos em termos globais, o desempenho da Bahia, da Universidade Federal da Bahia nesse INCT é um testemunho claro da qualidade da comunidade científica.</p>
<p>Além disso, ao longo PRONEX inteiro, houve uma produção científica massiva de 66 artigos, periódicos bem qualificados. Lançamos uma revista, a Revista Caititu, que faz a ponte entre pesquisa ecológica e tomada de decisão, produzindo artigos que os técnicos ambientais poderão usar. Temos também alguns produtos do PRONEX que já estão em uso. Por exemplo, existe um método de avaliação sobre supressão de vegetação nativa que é feito pela superposição de mapas. Criamos esse método no qual, ao superpor mapas obtêm-se uma escala da paisagem, não uma escala pequena que é a do empreendimento sobre a supressão da área de vegetação nativa. Com ele, o indivíduo toma a decisão em três escalas. Olha-se a escala do empreendimento, a escala da bacia hidrográfica na qual o empreendimento está e a escala da paisagem na qual a bacia hidrográfica está, de modo que pode-se tomar uma decisão mais global. Até tentamos articular com a Secretaria do Meio Ambiente para que esse método fosse usado mais largamente pelos técnicos. Não conseguimos nesse nível, mas alguns técnicos que trabalham conosco começaram a colocar em uso.</p>
<p><strong>Ciência e cultura &#8211; E a partir de agora, quais são as metas a serem alcançadas pelo Instituto?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>O INCT tem uma quantidade de parceiros e funcionários que nunca possuiu antes. E isso significa uma integração da pesquisa muito maior do que havíamos conseguido até agora. Significa que somos capazes de atacar os problemas socialmente e ambientalmente relevantes, pois eles não são atacados na perspectiva de uma disciplina. Isso é a grande promessa do INCT. Além do mais, o INCT quer elaborar métodos para produzir corpos integrados de conhecimento. É mais do que meramente produzir o conhecimento, é produzir procedimento.</p>
<p>A nossa rede de relações internacionais é algo que precisamos destacar em relação ao impacto do Brasil no mundo. Pois, internacionalizar a pesquisa brasileira é uma maneira de fazer com que, realmente, ela tenha um impacto cada vez maior. Entretanto, há uma defasagem em relação à comunidade científica internacional. Ela, como economia, política, se estabelece em uma relação entre centro e periferia. E nós somos periferia. Se não quisermos ser, em termos de produção de conhecimento, precisamos nos aliar à comunidade científica do resto do mundo. Assim, se formarmos rede entre nós mesmos para atacar problemas complexos do estado e fazermos isso também com pesquisadores internacionais, conseguiremos conversar com o resto do mundo da ciência, além de resolver problemas locais. Pois não adianta produzirmos uma montanha de conhecimento e nada disso se reverter à qualquer problema local, como também não adianta querer resolver um problema local sem mobilizar o melhor conhecimento possível. Daí a importância da conexão com as pessoas que estão no domínio da prática, isso transporta conhecimento para o contexto do uso. É o que chamamos de pesquisa translacional.</p>
<p><em>*Estudante de graduação em Comunicação Social &#8211; Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social / Facom &#8211; UFBA </em></p>
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		<title>Café Científico discute o uso racional da água</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Mar 2015 02:26:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O engenheiro Luís Roberto Moraes, professor da Escola Politécnica da Ufba, traçou os desafios da atualidade para a problemática ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O primeiro Café Científico Salvador de 2015 trouxe para discussão o tema “O uso racional da água: o grande desafio atual” em função das comemorações do Dia Mundial da Água. Convidado para falar sobre o tema, o pesquisador Luís Roberto Santos Moraes, da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba), debateu os problemas políticos e econômicos relacionados à distribuição deste recurso não renovável. O evento, que ocorreu dia 23 de março, na Biblioteca dos Barris, é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História da Ciência e pela Livraria LDM.</p>
<p><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2015/03/DSC_8693.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-18128" title="DSC_8693" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2015/03/DSC_8693-1024x678.jpg" alt="" width="640" height="423" /></a></p>
<p>Moraes iniciou a palestra falando sobre os problemas locais, tendo usado dados fornecidos pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) para ilustrar a má condição dos rios da capital baiana.  “74% dos rios de Salvador estão em condições péssimas ou ruins a ponto de a população perder a percepção de que aquilo é um rio e não um esgoto que passa no meio da cidade”, diz.</p>
<p>De acordo com o engenheiro, o encapsulamento dos rios, ou seja, tapá-los como solução para o embelezamento da cidade, não é a forma mais adequada para melhorar os recursos hídricos. “O correto seria restaurar os rios trazendo-os para o tecido urbano e convívio das pessoas”, esclarece. O pesquisador chamou a atenção ainda para a falta de controle do número de poços em operação na cidade. Segundo ele, muitos reservatórios funcionam em condições irregulares ou ocupam áreas inapropriadas, correndo risco de contaminação.</p>
<p>Outra situação grave e que envolve a gestão da água está relacionada aos interesses financeiros que guiam as condutas políticas.  Luís Roberto cita como exemplo a barragem de Pedra do Cavalo, que foi construída para atender aos interesses de empresários do setor industrial e da construção civil. “Seria muito mais viável o aproveitamento dos rios e mananciais da Bacia do Recôncavo”, critica. “O governo economizaria ao construir uma barragem na região de Jacuípe, já que o rio Pojuca desemboca no Santa Helena por gravidade”.</p>
<p>Os índices pluviométricos também foram usados como justificativa para embasar esse argumento.  “Salvador é uma cidade com 2 mil mililitros de chuva por ano e tem que importar água do rio Paraguaçu. Já a barragem da Pedra do Cavalo fica a 90 km de Salvador, em um lugar que chove 850 mililitros por ano”, informa.</p>
<p><strong>Uso consciente –</strong> Para Moraes, há ainda um estresse da mídia, do capital econômico e do governo para o uso racional da água dentro de casa. De acordo com ele, existe um conceito relacionado à pegada ecológica, que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. No entanto, segundo o pesquisador, não é apenas o setor doméstico que consome água. “É necessário que haja uma preocupação no uso e manejo deste recurso. Atividades que demandam água em grande quantidade, como a industrial, muitas vezes, são motivos para desencadear conflitos. Não dá para analisar a questão da água desprezando o uso e a ocupação do solo”, comenta.</p>
<p>Os altos padrões de consumo também foram mencionados pelo palestrante. Ele afirma que, além do desmatamento, da poluição e mau uso das riquezas naturais, o desperdício acontece por falta de políticas públicas que estimulem o uso consciente. Trabalhos recentes discutem o que fazer para reduzir o desperdício levando em conta o leve aumento do consumo de água per capita no Brasil.</p>
<p>O professor aproveitou a ocasião para apresentar soluções inovadoras e sustentáveis. Medidas como captação de água da chuva, individualização da conta de água de prédios, reaproveitamento de água usada para descargas e aperfeiçoamento das práticas de esgotamento sanitário devem ser adotadas.</p>
<p>Ele chama a atenção para o fato de que é preciso pensar na água para uso em um mundo sustentável. De acordo com Luís, é fundamental unificar as políticas públicas e estimular a participação social diante dessa problemática. “A cobrança da sociedade é necessária e requer o empoderamento da população, que deve participar e lutar por questões básicas no que se refere à água”, conclui.</p>
<p>*<em>Graduanda no curso de Comunicação Jornalismo na Universidade Federal da Bahia e bolsista da Agência de Notícias em Ciência e Cultura da UFBA</em></p>
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		<title>Apelo à ideia de sustentabilidade distancia verdades por trás do termo</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Oct 2012 19:19:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ACTA 12]]></category>
		<category><![CDATA[Asher Kiperstok]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Avaliar as entrelinhas da publicidade sobre sustentabilidade, considerando os reais desafios que essa concepção sugere é uma das reflexões mais importantes na pauta do meio ambiente, propostas pelo pesquisador Asher Kiperstok durante um dos Cafés Científicos da ACTA 12.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Caminhamos no bom senso, da sustentabilidade, mas no interior de um trem, aquele do desenvolvimento, que desliza dez vezes mais rápido no sentido oposto”. O trecho do livro de Pierre Calame, presidente da Fundação Charles Mayer para o Progresso do Homem, divulgado em entrevista da revista Carta Capital &#8211; em 16 de junho – é uma síntese do pensamento de Asher Kiperstok, professor de Engenharia Ambiental da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (<a href="https://www.ufba.br/" target="_blank">UFBA</a>).</p>
<p dir="ltr"><span style="color: #339966;"><strong>+ ACTA 12</strong></span></p>
<p><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/acta-12-reflete-esforco-baiano-de-incorporar-a-inovacao-a-estrutura-produtiva-local/" target="_blank"><span style="color: #339966;"><strong>ACTA 12 reflete “esforço baiano de incorporar inovação à estrutura produtiva local”</strong></span></a></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/producao-de-conhecimento-tambem-envolve-emocao/" target="_blank"><span style="color: #339966;">Produção de conhecimento também envolve emoção</span></a></strong></p>
<p><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/problema-socioambiental-e-desafio-intercultural/" target="_blank"><span style="color: #339966;"><strong>Problema socioambiental é desafio intercultural</strong></span></a></p>
<p><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/historia-da-ciencia-e-do-conceito-de-raca-e-o-ultimo-debate-do-acta-12/" target="_blank"><span style="color: #339966;"><strong>Debates sobre história do conceito de raça encerram a ACTA 12</strong></span></a></p>
<p style="text-align: justify;">“Quando vamos parar de desvirtuar a palavra sustentabilidade?”. Esse é o primeiro questionamento de Kipersok, que critica o uso indevido que se tem feito do adjetivo sustentável. De acordo com o pesquisador, além de haver um apelo publicitário, o termo é “vendido à sociedade” por meio de discursos, como o que afirma a eficácia ambiental das chamadas energias limpas, ideia que ele discorda. “A substituição do petróleo pelo diesel não traz um ganho significativo [para o meio ambiente]”, exemplifica.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“Se a gente consegue cumprir a lei, ótimo, mas não vamos dizer que isso é sustentabilidade”, pondera Kiperstok. O estudioso reflete que as pessoas começam a “relaxar” para as mudanças necessárias requeridas pelo termo sustentabilidade ao julgarem que “práticas sanitárias do século 18” são suficientes. Ele afirma que se uma criança dentro de um carro decide não jogar o lixo pela janela, isso evidencia a sua educação, e não uma postura sustentável.</p>
<p style="text-align: justify;">Pet verde, prédios ou carros sustentáveis são ideias que Asher Kiperstok enxerga como sendo alternativas, mas que também não garantem uma contrapartida relevante ao meio ambiente, assim como as inovações que surgem para suprir uma não necessidade da população. A redução na venda de automóveis em cerca de 20% ou 30%, tal como se evidenciou durante a mais recente crise econômica norte-americana, implica, por outro lado, em ganhos notórios, na análise do pesquisador.</p>
<p style="text-align: justify;">Asher Kiperstok aponta ainda para a questão do investimento na pauta ambiental. “A gente sabe como controlar a AIDS, mas ela só é controlada onde se tem dinheiro”, pontua. A sua grande reflexão, no entanto, é sobre como essas problemáticas são internalizadas por cada um, pois, ainda segundo ele, só temos capacidade de reduzir o que percebemos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/pesquisadores/asher-kiperstok/" target="_blank">Kiperstok</a> conclui que tendemos a uma estabilidade insustentável. Contudo, defende que não podemos fazer com que a “utopia” de um mundo sustentável gere um imobilismo da nossa parte.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Edvan Lessa é estudante de Jornalismo da Facom &#8211; UFBA e bolsista da Agência de Notícias Ciência e Cultura.</em></p>
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		<title>UFBA realiza II Semana do Meio Ambiente</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jun 2012 21:57:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[II Semana de Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Salvador]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[A II Semana do Meio Ambiente acontece até o dia 06 de junho, na Faculdade de Arquitetura da UFBA. No primeiro dia, o encontro abordou diferentes temas relacionados às condições socioambientais da cidade de Salvador, como a questão do saneamento, captação das águas e da habitação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">“Cidades (in) sustentáveis” foi o tema abordado no primeiro dia de debate da II Semana de Meio Ambiente da UFBA. Participaram da atividade os professores Heliodoro Sampaio da Faculdade de Arquitetura (FAUFBA), Luiz Moraes (Politécnica) e Francisco Zorzo, (IHAC). O encontro abordou diferentes temas relacionados às condições socioambientais da cidade de Salvador, como a questão do saneamento, captação das águas e da habitação.</p>
<p style="text-align: justify;">Heliodoro Sampaio provocou os demais colegas no sentido de se avaliar o encarecimento do solo na cidade e como a lógica ambiental está imposta pela lógica do capitalismo. Ressaltou, ainda, a apropriação do espaço público por empresas e empreendimentos privados. “Se a densidade residencial<strong> </strong>é um fator que interfere nos custos de urbanização caberia aos Planos Diretores e leis complementares fixar os parâmetros urbanísticos em base técnica, pois os custos são rateados com todos os consumidores”, explica o pesquisador.</p>
<p style="text-align: justify;">Retomando a questão da moradia, Francisco Zorzo afirma que as construções irregulares, que deram forma as grandes favelas da cidade, ao mesmo tempo em que representam a conquista do direito de moradia, revela grandes problemas ambientais e estruturais.  “As cidades brasileira estão passando por um processo de urbanização insustentável”, afirma Zorzo. O termo sustentabilidade é considerado, na maioria das vezes, a partir da lógica econômica e nela abrange alocação e distribuição eficientes das riquezas naturais dentro de uma escala que se submete ao desenvolvimento pretendido. Nesta lógica, os recursos ambientais é que devem ser adequados ao desenvolvimento, e não o contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">O aumento da demanda populacional desencadeia novos problemas, principalmente a questão do saneamento básico, tema discutido pelo professor Luiz Moraes, que explica que a questão não se limita ao acesso à rede de esgoto. “Saneamento é o conjunto de ações técnicas e socioeconômicas, que visam níveis crescentes de salubridade por meio de abastecimento de água potável, coleta, tratamento e disposição de resíduos – líquidos; sólidos e gasosos &#8211; drenagem e manejo de águas pluviais, controle de vetores e reservatórios de doenças, prevenção e controle de ruídos e a disciplina da ocupação e uso do solo, contribuindo para a promoção e melhoria das condições de vida nos meios urbano e rural”, define Moraes. Afirma ainda a necessidade de se mudar a lógica de saneamento básico da cidade de Salvador, implementando, inclusive, captação da água das chuvas.</p>
<p style="text-align: justify;">O alto volume de lixo, o descarte irregular dos dejetos sólidos e a poluição dos rios também foram discutidos no evento.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-style: italic;">*Marilúcia Leal é estudante de jornalismo da Facom/UFBA e bolsista da Agência Ciência e Cultura.</span></p>
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