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	<title>Ciência e Cultura &#187; Biologia</title>
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	<description>Agência de notícias sobre ciência, tecnologia e inovação da Bahia</description>
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		<title>Pensamento por um fio</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Aug 2018 17:34:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[REBECA ALMEIDA]]></category>

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		<description><![CDATA[Segundo pesquisador da UFBA, aranhas podem estender seu processo cognitivo para as teias
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Você já parou para pensar sobre como é o processo cognitivo das aranhas? Segundo o biólogo e professor da <a href="https://www.ufba.br/">Universidade Federal da Bahia</a>, <a href="http://lattes.cnpq.br/9708517516877630">Hilton Japyassú</a>, as aranhas são capazes de pensar a partir de suas teias. Ou seja, a teia construída pela própria aranha assume a função de mídia pela qual ela pode obter as informações que precisa para fazer sua leitura do mundo e, assim, realizar suas ações com base nessas leituras.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_24282" class="wp-caption aligncenter" style="width: 563px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/08/cobweb-449911_960_720.jpg"><img class="size-full wp-image-24282      " title="cobweb-449911_960_720" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/08/cobweb-449911_960_720.jpg" alt="" width="553" height="368" /></a><p class="wp-caption-text">Ao tensionar o fio das teias, a aranha é capaz de obter as informações essenciais para sua sobrevivência / Imagem: Creative Commons</p></div>
<p dir="ltr"><strong>Como aconteceu? -</strong> A descoberta aconteceu na época em que o biólogo trabalhava no <a href="http://www.butantan.gov.br/Paginas/default.aspx">Instituto Butantan</a>, em São Paulo. Carolina Garcia, uma de suas alunas, acidentalmente rompeu um dos fios da teia da espécie <em>Zozis geniculata</em> onde estava localizado um inseto que serviria de alimento para a aranha, deixando o mesmo pendurado pelo fio. Ao observar a reação do aracnídeo, a aluna percebeu algo peculiar: a aranha realizou um movimento de captura incomum a espécie. O movimento semelhante ao de uma pescaria para capturar o inseto não seria uma novidade para algumas outras espécies de aranhas que constroem suas teias de forma irregular, como as pertencentes à família do teridídeos. Mas, para a <em>Zozis geniculata</em>, que constrói sua teia em formato circular, esse tipo de comportamento não é típico.</p>
<div id="attachment_24280" class="wp-caption aligncenter" style="width: 379px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/08/Zosis.geniculatus.female.1.-.tanikawa.jpg"><img class="size-full wp-image-24280" title="Zosis.geniculatus.female.1.-.tanikawa" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/08/Zosis.geniculatus.female.1.-.tanikawa.jpg" alt="" width="369" height="258" /></a><p class="wp-caption-text">Espécie Zosis geniculata / Imagem: Akio Tanikawa</p></div>
<p dir="ltr">A partir desse evento, o biólogo passou a realizar o experimento com outras espécies de aranhas e, através de suas pesquisas, Japyassú passou a desenvolver a ideia de “cognição estendida”. Segundo o pesquisador, ao invés de agir e reagir apenas com base no sistema nervoso central, a aranha também processa informações que chegam até ela através de meios externos, o que torna-se uma vantagem diante da capacidade limitada da visão dos aracnídeos, que são praticamente cegos. Além disso, a teia seria também uma forma da própria aranha acessar a memória do seu passado, já que através dos diferentes aspectos do próprio fio da teia, que se alteram conforme o passar do tempo, ela é capaz de entender que aquele é um caminho já percorrido.</p>
<p dir="ltr"><strong>Ferramentas de cognição -</strong> Hilton Japyassú, que realiza pesquisas que envolvem psicologia experimental, comportamento animal (etologia) e evolução da cognição, afirma que ao pensar com os objetos construídos, seja uma teia de aranha, um túnel escavado por um roedor, um ninho de um pássaro ou até mesmo ferramentas construídas por primatas, esses animais modificam a forma como as pressões seletivas afetam sua sobrevivência. Sendo assim, ao pensar a partir desses objetos, as espécies, além de ampliar sua aptidão, e por tanto, o seu próprio sistema cognitivo, estão também superando obstáculos naturais e desenvolvendo comportamentos que influenciam o seu processo de seleção natural. “Animais muito pequenos, por exemplo, que têm dessa forma um cérebro também muito pequeno, estando restritos em termos de capacidade cognitiva, quando exportam cognição para fora do corpo, ampliam essa capacidade que passa a ser menos restrita”, explica o pesquisador.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_24313" class="wp-caption aligncenter" style="width: 602px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/08/cobweb-449909_960_720.jpg"><img class="size-full wp-image-24313   " title="cobweb-449909_960_720" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/08/cobweb-449909_960_720.jpg" alt="" width="592" height="394" /></a><p class="wp-caption-text">A teia da aranha pode ser uma ferramenta cognitiva / Imagem: Creative Commons</p></div>
<p dir="ltr">No entanto, nem todos os objetos construídos pelos animais são necessariamente uma ferramenta cognitiva, pois nem sempre eles auxiliam exatamente no processamento das informações. Mas ainda assim os objetos não cognitivos possuem relevância na evolução das espécies, já que atuam no processo de seleção natural. “Nem toda a ferramenta vai ser uma ferramenta cognitiva, no sentido que ela vai processar informações para você. Mas ao usar ferramentas, mesmo que comuns, isso já amplia a capacidade de diminuir as pressões seletivas que estão atuando sobre a espécie”, afirma Japyassú.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">Um comparativo utilizado pelo pesquisador para explicar a diferença da ferramenta cognitiva das demais é o uso da bengala simples por pessoas com dificuldades de locomoção. Ela é uma extensão do homem, mas não é um artefato cognitivo por não ter a função de processar informações distintas e relevantes. Ela apenas dá sustentação para que haja uma locomoção. Mas caso a bengala pudesse ser moldada e se mexesse para ressaltar diferentes tipos de informações, ela poderia ser considerada uma ferramenta de cognição estendida.</p>
<p dir="ltr"><strong>O pensamento animal -</strong> Atualmente, a capacidade de pensamento dos animais é um consenso entre a maioria dos cientistas. Diversos experimentos já demonstraram que animais não-humanos também são capazes de planejar, antecipar o que está por vir e tomar decisões acertadas com base em processamento de informações. Em alguns casos, existem espécies que podem deduzir o pensamento de outro indivíduo do mesmo grupo social, como no caso dos corvos que são capazes até de “teorizar” o que se passa na mente de outros corvídeos.</p>
<p dir="ltr">No entanto, nem sempre foi assim. Japyassú explica que as ideias do filósofo francês René Descartes, importantes durante a revolução científica do século XVI, influenciaram por muito tempo a concepção de que os animais não-humanos não possuíam capacidades cognitivas. &#8220;Certamente os animais pensam. Essa era uma dúvida que existia, desde de a época de Descartes, quando ele dizia que o corpo é uma máquina e a mente é onde se dá o pensamento, o cogito cartesiano. Mas do ponto de vista dele só os seres humanos tinham esse tipo de pensamento”, afirma o biólogo.</p>
<p dir="ltr"><strong>Racionalismo cartesiano -</strong> René Descartes foi filósofo e cientista francês, conhecido pelo pensamento cartesiano e por sua contribuição para o surgimento da Filosofia Moderna. Descartes era adepto do racionalismo, corrente filosófica que considera ser a razão a única forma de se ter conhecimento do mundo, buscando as respostas através do método científico.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_24285" class="wp-caption aligncenter" style="width: 422px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/08/Frans_Hals_-_Portret_van_René_Descartes.jpg"><img class="size-full wp-image-24285   " title="Frans Hals - Portret van René Descartes" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/08/Frans_Hals_-_Portret_van_René_Descartes.jpg" alt="" width="412" height="504" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem: Wikimedia Commons</p></div>
<p dir="ltr">Enquanto desenvolvia ideias acerca do pensamento, que resultaria em sua célebre frase “penso, logo existo”, Descartes passou a considerar que apenas o ser humano era capaz de realizar processos cognitivos. As outras espécies seriam somente máquinas agindo de acordo com impulsos meramente instintivos, ideia que ficou conhecida posteriormente como “doutrina dos animais-máquina”.</p>
<p dir="ltr">Além da filosofia racionalista e mecanicista, as ideias do filósofo francês também recebia influência do método de pensamento escolástico, que associava a fé cristã ao pensamento racional. Sendo assim, Descartes acreditava no princípio da “dualidade substâncial”, na qual separava o corpo (substância extensa) da alma (substância pensante) em duas concepções distintas. No livro, <a href="https://repositorio.unesp.br/handle/11449/110759">“Consciência e Matéria”</a>, o autor <a href="http://lattes.cnpq.br/3184844767508179">Jonas Gonçalves Coelho</a>, mestre em Lógica e Filosofia da Ciência pela Universidade de Campinas, afirma que, de acordo com a filosofia de Descartes, havia o receio em considerar que os animais pensam, pois implicaria que os animais possuem alma, o que levantaria discussões acerca da imortalidade, liberdade e responsabilidade moral das espécies não-humanas.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr"><object style="width: 560px; height: 400px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="400" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/caHIfSG1Zeg" /><embed style="width: 560px; height: 400px;" type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="400" src="http://www.youtube.com/v/caHIfSG1Zeg"></embed></object></p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">
<p><span style="font-size: 13px; font-weight: bold;">REFERÊNCIAS<br />
</span>COELHO, Jonas Gonçalves. Consciência e matéria: o dualismo de Bergson. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. (Coleção PROPG Digital &#8211; UNESP). ISBN 9788579831089. Disponível em: &lt;<a href="http://hdl.handle.net/11449/110759">http://hdl.handle.net/11449/110759</a>&gt;.</p>
<p>DESCARTES, René. Discurso do Método. São Paulo: Escala, 2009. ISBN: 8575564056</p>
<address></address>
<p><em>*Estudantes do curso de jornalismo da Faculdade de Comunicação e repórter na Agência de Notícias em CT&amp;I – Ciência e Cultura UFBA</em></p>
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		<title>Simpósio discute o futuro das instituições</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Apr 2018 18:49:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na comemoração do 50º aniversário do Instituto de Biologia, temas atuais como saúde mental no ambiente universitário foram levantados 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Foi realizada entre os dias 09 e 10 de abril a comemoração de 50 anos do <a href="https://biologia.ufba.br/">Instituto de Biologia</a> da <a href="https://www.ufba.br/">Universidade Federal da Bahia</a> (IBIO). A instituição, que surgiu da antiga Faculdade de Filosofia em Nazaré, abriu as portas do seu anfiteatro para o diálogo sobre o futuro das instituições de ensino, seja as de Biologia ou a universidade como um todo, com seu Simpósio “Institutos de Biologia Relevantes no Século XXI”.</p>
<div id="attachment_23814" class="wp-caption aligncenter" style="width: 522px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/04/IMG_20180410_165935154-2.jpg"><img class="size-large wp-image-23814 " src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/04/IMG_20180410_165935154-2-1024x575.jpg" alt="" width="512" height="287" /></a><p class="wp-caption-text">Momento de debate ao final da tarde</p></div>
<p>Na tarde do segundo dia do evento, o foco foi a qualidade da saúde mental dos membros da comunidade acadêmica &#8211; evidenciado pela mesa redonda que foi preâmbulo da discussão: “Bem-estar na Vida Acadêmica no Século XXI”. Foram três apresentações sobre o tema &#8211; “Saúde Mental na Pós-Graduação”, “Acolhimento dos Estudantes pela Universidade”, e “Relações de Trabalho na Universidade” além do debate ao final do dia.</p>
<p>Foram à frente debater tais tópicos os acadêmicos: Doutor <a href="https://www.escavador.com/sobre/5811309/marcelo-frederico-augusto-dos-santos-veras">Marcelo Frederico Augusto dos Santos Veras</a>, médico do <a href="http://www.complexohupes.ufba.br/">Hospital Universitário Professor Edgard Santos</a> (HUPES) e Diretor Executivo da <a href="http://www.fapex.org.br/">Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão </a>(FAPEX); Cássia Virgínia Bastos Maciel, <a href="https://proae.ufba.br/">Pró-Reitora de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil</a> da UFBA; a Mestra <a href="https://www.escavador.com/sobre/7229293/caren-queiroz-souza">Caren Queiroz Souza</a>, Pós-Graduada pelo programa em Ecologia e Biomonitoramento na UFBA; Doutora <a href="https://www.escavador.com/sobre/1740259/alessandra-selbach-schnadelbach">Alessandra Schnadelbach</a> da Comissão Interna de Avaliação Institucional do IBIO; além da mediadora Ana Cristina Aguiar da Coordenação Técnica Administrativa e Financeira do IBIO.</p>
<p><strong>O mal dos estudantes -</strong> Em dados divulgados pela última pesquisa da <a href="http://www.andifes.org.br/">Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior</a> (Andifes) em 2016, ansiedade acomete cerca de 58% dos graduandos do país inteiro. Fatores como tristeza acentuada, pensamentos de morte, ou distúrbios alimentares também foram levados em conta.</p>
<div id="attachment_23815" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/04/dados-da-depressão.png"><img class="size-large wp-image-23815 " title="dados da depressão" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2018/04/dados-da-depressão-1024x666.png" alt="" width="640" height="416" /></a><p class="wp-caption-text">Dados referentes até 2014/Fonte: Andifes</p></div>
<p>Com um cenário tão assustador dentro da academia, a proposta de diálogo erguida neste marco do IBIO demonstra o quanto o instituto está olhando adiante, disposto em discutir o seu desenvolvimento começando já nos alunos.</p>
<p><em>*Estudante do curso de jornalismo da Faculdade de Comunicação e repórter na Agência de Notícias em CT&amp;I &#8211; Ciência e Cultura UFBA</em></p>
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		<title>Charbel Niño El-Hani</title>
		<link>http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/charbel-nino-el-hani/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 Jun 2016 18:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[INCT]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[“É preciso mostrar para esse estado que temos orgulho da música da Bahia, mas que também devemos ter orgulho da ciência”, afirma o professor de Biologia da UFBA e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares em Ecologia e Evolução, Charbel Niño El-Hani, em entrevista concedida à repórter Marina Aragão, para a Agência de Notícias Ciência e Cultura]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="https://www.ufba.br/noticias/os-incts-gerados-na-bahia" target="_blank">Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares em Ecologia e Evolução</a> (IN-TREE) aparece em 10º lugar na lista de 252 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (<a href="http://inct.cnpq.br/" target="_blank">INCTs</a>), divulgada pelo <a href="http://www.cnpq.br/" target="_blank">Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico</a> (CNPq) no mês de maio deste ano.</p>
<p>O IN-TREE é coordenado pelo professor do <a href="http://www.biologia.ufba.br/" target="_blank">Instituto de Biologia da UFBA</a>, Charbel Niño El-Hani, que falou um pouco da atuação do INCT em entrevista para a Agência de Notícias em CT&amp;I – Ciência e Cultura<a href="http://www.ufba.br" target="_blank"> UFBA</a>. Na entrevista, o pesquisador fala da importância do Instituto no desenvolvimento da Biologia e da Ecologia, aliada à Sustentabilidade, e destaca os desafios enfrentados para transpor os ganhos teóricos para a prática.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura &#8211; Uma parte da rede do INTC já existe desde 2010. Como surgiu a iniciativa de criar esse Instituto e, consequentemente, essas parcerias?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>O INCT é resultado do PRONEX, um Projeto de Excelência, iniciado em 2010. Ele aumentou muito de tamanho. Hoje tem 200 pesquisadores e 49 laboratórios vinculados. Isso aconteceu porque, ao longo do PRONEX, estabeleceu-se uma estratégia de fortalecer os vínculos com pesquisadores nacionais e internacionais. Fizemos isso ao chamar pessoas para avaliarem o nosso PRONEX. A Fapesb não exigiu uma avaliação externa, mas nós criamos uma que era feita a cada seis meses, basicamente. E esses pesquisadores, brasileiros e estrangeiros, vinham para avaliar o nosso trabalho, e, assim, tomaram conhecimento de tudo. Quando decidimos montar o INCT, contactamos várias dessas pessoas e eles tinham muito interesse em trabalhar conosco, pois já haviam visto como era o projeto, o espírito do INCT e, consequentemente, do PRONEX.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – Quais outras parcerias institucionais do Instituto, além das ligadas à Biologia, Ecologia e Biodiversidade?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>O INCT, desde o PRONEX, tem foco em pesquisa interdisciplinar e transdisciplinar. A interdisciplinaridade tem conceitos mais largos. Aquele mais usado faz relação com a união de pessoas de diferentes disciplinas, não para abordar o problema separadamente, o que seria uma abordagem multidisciplinar, mas para construir um corpo de conhecimento integrado entre as disciplinas para resolver esse problema. Essa é uma compreensão mais usual da interdisciplinaridade. Já transdisciplinaridade é um termo com uma diversidade de significados na literatura. Usamos um significado muito preciso que se relaciona, no momento da resolução de um problema complexo, reunimos atores que são de fora da academia, que trarão uma parte do conhecimento não acadêmico, e então fazemos um corpo integrado de conhecimento interdisciplinar acadêmico e não acadêmico. Esses participantes seriam técnicos ambientais, professores de educação básica que fazem parte do INCT também e estão listados no mesmo patamar dos pesquisadores. Além disso, temos pessoas de Biologia, Física, Computação, Filosofia da Ciência, História da Ciência, Pesquisa em Educação Científica, Ciências da Terra, Geologia, Antropologia, Sociologia e Comunicação.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura &#8211; Dentro desse contexto, como podemos relacionar Ecologia, Evolução e Sustentabilidade?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-hani &#8211; </strong>Evolução e Ecologia estão intimamente relacionadas porque um dos fatores fundamentais para compreendermos como as espécies se distribuem hoje no planeta e como elas estabelecem interações ecológicas é entender a evolução dessas espécies, os fatores históricos que as levam a terem certas propriedades. É claro que compreender Ecologia é mais do que isso, porque além do fator histórico, existe o fator local no qual se deram as interações, os processos de colonização, extinção, recolonização, migração. Evolução e Ecologia são disciplinas que, inclusive, avançaram ao longo do século XX muito separadas e um dos problemas importantes hoje em Biologia é como integrá-las. Isso está diretamente dentro do foco do projeto.</p>
<p>E quanto à sustentabilidade, pretendemos, com o INCT, contribuir com a proposição de soluções para problemas ambientais do estado. E isso a partir de um compromisso com a ideia de que a ecologia, para ter relevância na tomada de decisão, ela precisa ter poder preditivo, conseguir construir modelos com previsões testáveis, mesmo que a previsibilidade seja limitada. Pois não se consegue fazer gestão de tomada de decisão se não existe a possibilidade de prever os resultados das ações da gestão. Então, temos a ideia de conseguir produzir este tipo de modelo e ao mesmo tempo estabelecer um vínculo com o setor que usará o conhecimento.</p>
<div id="attachment_19886" class="wp-caption aligncenter" style="width: 494px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2016/06/Charbel-Niño-El-Hani.jpg"><img class="size-full wp-image-19886   " title="Charbel Niño El-Hani" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2016/06/Charbel-Niño-El-Hani.jpg" alt="" width="484" height="272" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem: reprodução TV UFBA</p></div>
<p><strong>Ciência e Cultura &#8211; De que forma é feita a interação com a sociedade?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>Temos várias iniciativas do INCT que são as de divulgação e popularização da ciência para um público que não é ator da prática. Primeiro, o próprio Café Científico Salvador é um exemplo, pois tem um vínculo com o INCT agora. Outro exemplo é um projeto no qual fazemos exposições sobre racismo científico, que já está na 14º exposição. Provavelmente, faremos também sobre questões de sustentabilidade e justiça ambiental. Temos também um programa de colaboração com as escolas. Há seis escolas com cerca de 20 professores, que trabalham conosco na produção de inovação educacional, usando o conhecimento que está sendo gerado no INCT como uma maneira de chegar à escola. Além disso, há um projeto que não sabemos se vai acontecer porque depende de um recurso externo ao INCT, o programa de documentários. Estamos tentando alavancar recursos para fazer o programa de seis documentários vinculados à pesquisa que é feita no INCT. Estamos procurando recurso de outra via porque o de pesquisa, quando mobilizado para o financiamento de um processo de filmagem, tem limites demais. Por isso, precisamos conseguir recursos por um edital que seja de audiovisual mesmo. Fora isso, estamos montando um blog com cinco pesquisadores associados ao INCT, o “Darwinianas”. Mas ainda não está no ar, porque isso só ocorrerá quando tivermos conteúdo suficiente para garantir pelo menos dois meses.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – Quais foram os ganhos trazidos para a sociedade, tendo em vista a realidade do Estado?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>Do ponto de vista da pesquisa, algo muito importante foi mostrado à sociedade baiana, se produz ciência na UFBA e se produz ciência de alta qualidade, a melhor do estado. Vivemos em uma sociedade que não conhece a ciência que se faz na Bahia. É preciso mostrar para esse estado que temos orgulho da música da Bahia, mas que também devemos ter orgulho da ciência. Então, se pensarmos em termos globais, o desempenho da Bahia, da Universidade Federal da Bahia nesse INCT é um testemunho claro da qualidade da comunidade científica.</p>
<p>Além disso, ao longo PRONEX inteiro, houve uma produção científica massiva de 66 artigos, periódicos bem qualificados. Lançamos uma revista, a Revista Caititu, que faz a ponte entre pesquisa ecológica e tomada de decisão, produzindo artigos que os técnicos ambientais poderão usar. Temos também alguns produtos do PRONEX que já estão em uso. Por exemplo, existe um método de avaliação sobre supressão de vegetação nativa que é feito pela superposição de mapas. Criamos esse método no qual, ao superpor mapas obtêm-se uma escala da paisagem, não uma escala pequena que é a do empreendimento sobre a supressão da área de vegetação nativa. Com ele, o indivíduo toma a decisão em três escalas. Olha-se a escala do empreendimento, a escala da bacia hidrográfica na qual o empreendimento está e a escala da paisagem na qual a bacia hidrográfica está, de modo que pode-se tomar uma decisão mais global. Até tentamos articular com a Secretaria do Meio Ambiente para que esse método fosse usado mais largamente pelos técnicos. Não conseguimos nesse nível, mas alguns técnicos que trabalham conosco começaram a colocar em uso.</p>
<p><strong>Ciência e cultura &#8211; E a partir de agora, quais são as metas a serem alcançadas pelo Instituto?</strong></p>
<p><strong>Charbel El-Hani &#8211; </strong>O INCT tem uma quantidade de parceiros e funcionários que nunca possuiu antes. E isso significa uma integração da pesquisa muito maior do que havíamos conseguido até agora. Significa que somos capazes de atacar os problemas socialmente e ambientalmente relevantes, pois eles não são atacados na perspectiva de uma disciplina. Isso é a grande promessa do INCT. Além do mais, o INCT quer elaborar métodos para produzir corpos integrados de conhecimento. É mais do que meramente produzir o conhecimento, é produzir procedimento.</p>
<p>A nossa rede de relações internacionais é algo que precisamos destacar em relação ao impacto do Brasil no mundo. Pois, internacionalizar a pesquisa brasileira é uma maneira de fazer com que, realmente, ela tenha um impacto cada vez maior. Entretanto, há uma defasagem em relação à comunidade científica internacional. Ela, como economia, política, se estabelece em uma relação entre centro e periferia. E nós somos periferia. Se não quisermos ser, em termos de produção de conhecimento, precisamos nos aliar à comunidade científica do resto do mundo. Assim, se formarmos rede entre nós mesmos para atacar problemas complexos do estado e fazermos isso também com pesquisadores internacionais, conseguiremos conversar com o resto do mundo da ciência, além de resolver problemas locais. Pois não adianta produzirmos uma montanha de conhecimento e nada disso se reverter à qualquer problema local, como também não adianta querer resolver um problema local sem mobilizar o melhor conhecimento possível. Daí a importância da conexão com as pessoas que estão no domínio da prática, isso transporta conhecimento para o contexto do uso. É o que chamamos de pesquisa translacional.</p>
<p><em>*Estudante de graduação em Comunicação Social &#8211; Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social / Facom &#8211; UFBA </em></p>
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		<title>Código Florestal é tema de Café Científico</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jun 2012 02:05:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[Professor Jean Paul Metzger fala sobre a produção científica e a sua relação com questões como o código florestal. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Professor titular do Departamento de Ecologia da Universidade de São Paulo (USP), Jean Paul Metzger ainda possui diversos outros títulos quando o assunto é Meio Ambiente e Código Penal. Não é a toa que ele compõe a assessoria de algumas revistas e fundações de apoio à pesquisa que tratam sobre o tema. Uma delas é a Internacional <em>Association for Landscape Ecology</em> (IALE) – uma conceituada ONG internacional que se debruça sobre os efeitos dos impactos ambientais causados por ação humana ou da natureza – onde Metzger é vice-diretor do núcleo mundial e ocupa o cargo de primeiro diretor da sede no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">No Café Científico desta segunda-feira (4/06), o professor fez considerações sobre as modificações recentemente vetadas no código florestal; as bases acadêmicas que deram origem ao código e as dificuldades em fazer com que as pesquisas acadêmicas perpassem o âmbito da sala de aula.</p>
<p style="text-align: justify;">As tão polêmicas alterações no Código Ambiental foi um tema bastante pautado pela mídia nacional, tendo repercursões, inclusive, em outros países. “Fiquei surpreso em ver que a maioria dos votos de civis que pediam o veto do novo Código não pertenciam a brasileiros”, apontou Metzger. Entre as alterações propostas, estavam a redução das áreas de preservação de mata em margens fluviais (de 30m para 15m), a anistia aos desmatadores (que não seriam mais obrigados a regularizar a situação de áreas desmatadas até 2008), o pagamento por serviços ambientais (como o seqüestro de carbono, conservação de biomas etc), e a manutenção de Áreas de Proteção Permanente (APPs) e reservas legais.</p>
<p style="text-align: justify;">O Código Florestal vigente foi elaborado em 1965 com o objetivo de limitar o uso de vegetações naturais em áreas privadas. Em 1999, a Câmara dos deputados faz a primeira proposta de alteração dessa lei. Vale informar que a lei é oriunda da Câmara dos Deputados, repassada ao Senado para que sejam feitas modificações. Logo em seguida, o texto retorna à Câmara (onde foi feitas as novas propostas) para, então, ser aprovado ou não pela presidente Dilma Roussef.</p>
<p style="text-align: justify;">A principal alegação para dar bases aos novos pontos da lei estavam baseados na precariedade científica da década de 60. “De fato, as pesquisas dos anos 60 estiveram erradas. Ao invés de 30m de preservação, precisaríamos, hoje, de 100m ou 200m no mínimo”, brincou Metzger, que enfatizou o contexto de intensificação de áreas desmatadas atualmente.</p>
<p style="text-align: justify;">O pesquisador falou, ainda, sobre o papel da produção científica em questões como o Código Florestal. “Ainda há a falta de credibilidade que os profissionais dão às pesquisas acadêmicas”, disparou Mitzger. Em um gráfico em que mostra a forma como alguns estudos têm relevância instantânea na academia (como as do cientista Niels Bohr, inventor de um dos postulados atômicos), outros têm destaque imediato em âmbito civil (a exemplo, as pesquisas de Tomas Edison, inventor do fonógrafo) e como outras unem essas duas instâncias em seu desenvolvimento (por exemplo, as pesquisas de Louis Pasteur, que revolucionou a química e a medicina com a descoberta do processo de pasteurização).</p>
<p style="text-align: justify;">“Uma das formas de reduzir esse tipo de mentalidade que constrói muros entre ciência e mercado é apostar em projetos que sejam transdisciplinares”, revelou Mitzger. Para o professor, o novo código florestal é só mais um caso em que mostra como os pesquisadores devem pensar projetos que englobem mais de uma disciplina na compreensão de algum fenômeno, para possibilitar o acesso de várias outras áreas (entre elas, a civil) à essas pesquisas, o que configura um trabalho transdiciplinar. “Mas isso só será possível quando os doutores tiverem em mente a importância de dar acesso aos seus trabalhos. Não é pouco comum vermos uma academia que se fecha em si mesma, sem se preocupar com atualidade ou o acesso de todas as pessoas ao conteúdo”, concluiu.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em>*Gilberto Rios é bolsista da Agência de Notícias Ciência e Cultura e estudante de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba).</em></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Nelson Papavero</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Mar 2012 01:40:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[CNPq]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Científica]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[O pesquisador, que atuou como um dos principais colaboradores do Plano Nacional de Zoologia do CNPq, foi uma das grandes atrações do Congresso Brasileiro de Zoologia, realizado nos dias 5 a 9 de março de 2012, em Salvador.  Nesta entrevista, ele fala sobre o tema de sua conferência: Memória da Zoologia Brasileira: O Processo do Conhecimento da Fauna do Brasil desde os Missionários e Cronistas até as Universidades Modernas

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;">Formado em História Natural pela Universidade de São Paulo (USP), onde se doutorou em 1971, Nelson Papavero foi um dos principais colaboradores do Plano Nacional de  Zoologia do CNPq, no qual fez o levantamento da situação dessa ciência  no Brasil. Durante um longo período, foi biologista do Museu de Biologia  da USP.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O pesquisador também foi encarregado da área científica do Museu Paraense  Emílio Goeldi, atuando como vice-diretor dessa instituição por três  mandatos consecutivos. Foi presidente da Sociedade Brasileira de  Zoologia (SBZ) e, no ano de 1994, foi homologado Sócio Honorário desta instituição.</span></p>
<p><span style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nelson Papavero é autor de diversos livros e artigos científicos em  sua especialidade e, por toda a sua carreira, tem se preocupado com as  condições do ensino e da pesquisa de Biologia no Brasil. Atualmente,  ministra cursos de pós-graduação em vários centros universitários  brasileiros.</span></span></p>
<p><span style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confira abaixo alguns trechos da entrevista concedida à jornalista Mariana Alcântara para a Web Rádio CBZ, que poderá ser ouvida na íntegra neste link: <a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/Entrevista-Nelson-Papavero.mp3">Nelson Papavero</a>.</span></span></p>
<p><span style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">________________________________________________________________</span></span></p>
<p><span style="font-weight: bold;"><em><span style="color: #000000;">Ciência e Cultura – O tema do 29º CBZ é Biodiversidade e Memória. E as suas pesquisas têm tudo a ver com este tema. Então, desde quando podemos datar o início da construção de uma memória da zoologia brasileira?</span></em></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Nelson Papavero – </strong>Veja, desde o “Descobrimento do Brasil”, os primeiros relatos já tratam da nossa fauna e foram extremamente importantes porque causaram uma grande revolução no pensamento europeu sobre a distribuição dos animais na face da Terra. Os primeiros documentos sobre alguns animais do Brasil datam de 1500. Até 1511, há vários relatos sobre a fauna da costa brasileira. Durante o século XVI, aventureiros, jesuítas, cronistas e colonizadores, aproveitando o imenso conhecimento dos Tupinambá sobre a história natural do Brasil, deixaram preciosas informações. As invasões francesas e holandesas no Rio de Janeiro, no Nordeste e no Maranhão também foram importantes para divulgar a fauna brasileira, sempre aproveitando as informações prestadas pelos Tupinambá.</span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;"><em>Ciência e Cultura</em><em> – Com o passar dos séculos, como o processo do conhecimento da fauna foi se modificando e expandindo</em><span style="font-weight: bold;">?</span></span></strong></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Nelson Papavero – </strong>Com a vinda de Dom João VI para o Brasil e a abertura dos portos inicia-se uma nova fase na história do Brasil e da zoologia. O século XIX caracterizou-se por uma enxurrada de naturalistas que exploraram as diversas regiões do Brasil, publicando grandes trabalhos sobre a fauna e depositando as coleções nos grandes museus da Europa. Para conhecer um pouco mais sobre as principais expedições, sugiro que procurem um livro meu chamado <em>Essays on the History of Neotropical Dipterology</em>. No entanto, a fundação de grandes museus no Brasil, iniciada com o Museu Nacional no início do século XIX – o mais antigo das Américas – vai mudar o panorama. São organizados grandes acervos, tanto bibliográficos como de coleções de animais, criam-se as primeiras revistas nacionais para a publicação de trabalhos científicos e são feitas as primeiras expedições por brasileiros para a coleta e preservação de material zoológico. No século XX surgem os institutos e, posteriormente, as grandes universidades, que reforçam e ampliam enormemente estas atividades. Principalmente, no último quarto do século XX, no qual o número de instituições que abrigam acervos mais ou menos importantes cresce exponencialmente. O número de trabalhos de alto nível aumenta proporcionalmente e hoje o Brasil ocupa lugar de destaque nas ciências zoológicas, com um número muito bom de excelentes pesquisadores.</span></p>
<div id="attachment_8655" class="wp-caption aligncenter" style="width: 454px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/PAPAVERO-WEB-RADIOCBZ-copy.jpg"><img class="size-full wp-image-8655" title="Nelson Papavero" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/PAPAVERO-WEB-RADIOCBZ-copy.jpg" alt="" width="444" height="524" /></a><p class="wp-caption-text">“As teorias mudam constantemente, mas as bases de dados são eternas”</p></div>
<p><strong><em><span style="color: #000000;">Ciência e Cultura –<em> Quais as ciências responsáveis pelo conhecimento da fauna e como é o processo atualmente?</em></span></em></strong></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Nelson Papavero – </strong>Hoje os paradigmas vigentes são a Sistemática Filogenética e a Biogeografia por Vicariância, surgidos na segunda metade do século passado, e que causaram uma grande revolução científica nos campos da classificação e da distribuição geográfica dos animais. O Brasil tem uma excelente produção. Ele é considerado o segundo em número de publicações na revista <em>Zootaxa</em>, sendo ultrapassado somente pelos Estados Unidos. A criação e a ampliação dos cursos de pós-graduação nas várias regiões do Brasil aumentaram consideravelmente o número de bons e produtivos pesquisadores.</span></p>
<p><strong><em><span style="color: #000000;"><span style="font-weight: bold;">Ciência e Cultura – </span><em>Quais os pontos a serem expostos na conferência magna de abertura do 29º CBZ que o senhor considera que chamará mais a atenção da comunidade de pesquisadores brasileiros presentes neste evento?</em></span></em></strong></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Nelson Papavero – </strong>Espero que continuem, apesar das dificuldades, a produzir seus excelentes trabalhos e que se preocupem muito em coletar em áreas ainda pouquíssimo conhecidas de nosso país. A caatinga deve ter máxima prioridade; é talvez o bioma menos explorado e conhecido, por diversas razões. Além de preservar nas distintas instituições um acervo material: espécimes e bibliografia. Deve-se procurar preservar também o conhecimento popular sobre nossos animais &#8211; campo da Etnozoologia, que vem se desenvolvendo excelentemente bem, principalmente na Bahia e no Nordeste, que possuem uma riqueza cultural imensa e diversificada, resgatando um conhecimento transmitido oralmente durante séculos. É necessário preservar o patrimônio material (coleções) como também o cultural. As teorias mudam constantemente, mas as bases de dados (coleções e registros folclóricos) são eternas e devem ser resguardadas com todo cuidado.</span></p>
<h3><strong><span style="color: #000000;">Ouça a entrevista na íntegra clicando aqui: <a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/Entrevista-Nelson-Papavero.mp3">Nelson Papavero</a></span></strong></h3>
<p><strong><span style="color: #000000;"><br />
</span></strong></p>
<address style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">*Jornalista, Mestranda do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em  Cultura e Sociedade e estudante do Curso de Especialização em Jornalismo  Científico e Tecnológico da Facom/Ufba.</span></address>
<address style="text-align: justify;"></address>
<address style="text-align: justify;"></address>
<address style="text-align: justify;"> </address>
<h3 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><br />
</span></strong></h3>
<h3><strong><span style="color: #000000;">Notícias relacionadas</span></strong></h3>
<p><span style="color: #000000;">___________________</span></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/ciencia-na-estrada-e-ciencia-movel-levam-educacao-cientifica-a-bairros-carentes-de-salvador/" target="_self"><span style="color: #000000;">Ciência na Estrada e Ciência Móvel levam educação científica a bairros carentes</span></a></strong></p>
<h3><strong><span style="color: #000000;">Entrevistas</span></strong></h3>
<p><span style="color: #000000;">___________</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><br />
<a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/angelo-machado/" target="_self"><strong>Ângelo Machado</strong></a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O neuroanatomista e professor emérito da UFMG é o  maior especialista em libélulas do país; dramaturgo e premiado escritor  de livros infantis, Machado participou do grupo que concebeu a revista  Ciência Hoje das Crianças, da Sociedade Brasileira para o Progresso da  Ciência (SBPC)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: bold;"><span style="color: #000000;">WEBTV</span></span></p>
<p><strong><span style="color: #000000;">_______<br />
</span></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/multimidia/videos/fiocruz-pra-voce-2011-bahia/" target="_self"><span style="color: #000000;">Fiocruz pra Você 2011 – Bahia</span></a></strong></p>
<h3><strong><span style="color: #000000;">Opinião</span></strong></h3>
<p><strong><span style="color: #000000;">________<br />
</span></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/opiniao/cientistas-da-bahia-ainda-sao-anonimos-para-maioria-dos-jovens-do-estado/" target="_self"><span style="color: #000000;">Cientistas da Bahia ainda são anônimos para jovens do estado</span></a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/opiniao/o-negro-e-a-ciencia-uma-questao-de-identidade-e-cidadania/" target="_self"><span style="color: #000000;">O negro e a ciência, uma questão de identidade e cidadania</span></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Metais pesados ameaçam ecossistema da baía de Camamu</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Feb 2012 03:19:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noticia da home]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Manguezais]]></category>

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		<description><![CDATA[Estudo físico-químico realizado nos manguezais da baía identificou concentrações de bário, níquel, cobre e chumbo, acima dos níveis recomendados pelas normas internacionais]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A localidade de Ilha Grande, na Baía de Camamu, sul do estado, requer atenção dos órgãos ambientais para monitorar a presença de metais pesados no ecossistema dos seus mangues. Um estudo físico-químico realizado nos manguezais da baía identificou nessa ilha, em especial, concentrações de bário, níquel, cobre e chumbo, acima dos níveis recomendados pelas normas internacionais.</p>
<p style="text-align: justify;">O trabalho envolveu a identificação e quantificação de organismos, avaliação da biota e da possível toxicidade dos embriões de moluscos, e dos sedimentos em sete estações, localizadas no sudoeste da Ilha Grande, sudeste de Igrapiúna (com duas unidades pesquisadas), Taipus de Dentro, Cajaiba, Ilha de Sorojó e Ilha das Flores, além da Ilha Grande. A análise dos sedimentos na Ilha Grande revelou uma razão entre metais e sulfetos maior que 1 (da ordem de 1,8), compatível com possível biodisponibilidade. Esse resultado indica que os sedimentos podem ser tóxicos à biota aquática devido à presença de metais.</p>
<p style="text-align: justify;">A razão de 1,8 foi encontrada pelo cálculo da relação entre metais extraídos simultaneamente (MES) e sulfetos voláteis em ácido (SVA), e indica uma possível biodisponibilidade de bário, níquel, cobre e chumbo na região. Ou seja, esses metais podem estar livres para interagir com os organismos que habitam os sedimentos da Ilha Grande.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas demais estações, contudo, as análises de biodisponibilidade mostraram resultados dentro dos limites toleráveis, oscilando de 0,01 a 0,74. Isso assegura que não há riscos de toxicidade à biota aquática enquanto as condições ambientais se mantiverem estável a combinação desses metais ao grupo químico dos sulfetos.</p>
<div id="attachment_8310" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/Estudo-manguezais-acondicionamento_amostras_3.jpg"><img class="size-full wp-image-8310" title="Divulgação" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/Estudo-manguezais-acondicionamento_amostras_3.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Acondicionamento de amostras do manguezal</p></div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“Se estão complexados, não há risco”, explica a bióloga e coordenadora da pesquisa, Joana<strong> </strong>Fidelis da Paixão<strong>. “</strong>Na Ilha Grande, a disponibilidade ficou acima dos níveis esperados para os critérios de normalidade, mas isso não significa que estejam disponíveis para serem assimilados pelos seres vivos e causar danos”, esclarece. Mas como ficou além do valor de referência estabelecido pela Nooa − agência dos Estados Unidos, referência mundial em estudos oceânicos e atmosféricos −, a recomendação é o monitoramento. Já nas outras áreas, se a situação físico-química se mantiver, não há motivo para preocupação, diz a bióloga.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mineração</strong> &#8211; Na Baía de Camamu, os manguezais cobrem aproximadamente 44% da zona costeira.  Considerados berçários do mar, esses ecossistemas são ricos em biodiversidade e áreas de reprodução de inúmeros organismos marinhos, a exemplo de camarões, peixes e ostras. Por isso, qualquer fator de desequilíbrio ambiental nesse habitat apresenta riscos para a vida marinha e o sustento das comunidades pesqueiras. Na Ilha Grande, a causa mais provável da presença de metais nos sedimentos é a mineração, já que durante décadas a região sofreu as consequências da extração de minério de barita.</p>
<p style="text-align: justify;">A baritina é empregada principalmente na produção de fluido de perfuração de poços de petróleo. Associado à baritina (sulfato de bário), estão o cádmio, chumbo e zinco, que podem ser disponibilizados no meio ambiente através da exploração e contaminar os sedimentos. É essa a pista apontada no estudo.</p>
<p style="text-align: justify;">“A origem dos metais, principalmente do bário, está provavelmente vinculada ao minério de bário, que era extraído tanto na Ilha Grande quanto na Ilha Pequena”, confirma Joana, apesar da ausência de dados publicados sobre a presença de metais nos sedimentos pré-mineração na baía.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_8311" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/Foto_Estudo-manguezais-Lab_Joana.jpg"><img class="size-full wp-image-8311    " title="Divulgação" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/Foto_Estudo-manguezais-Lab_Joana.jpg" alt="" width="600" height="425" /></a><p class="wp-caption-text">Joana Paixão: “Origem dos metais está ligada ao minério de bário, extraído nas Ilhas Grande e Pequena”</p></div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">No artigo “Estudo mineralógico do sedimento de manguezal da baía de Camamu”, publicado na Revista Escola de Minas, em 2002, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia já alertava para o impacto da atividade mineradora sobre os manguezais. O estudo conclui que minerais como o quartzo, argila e barita chegam aos estuários através dos rios ou em decorrência de mecanismos antropogênicos. Esse seria o caso da barita, “cujo processo de exploração local favorece seu transporte para a zona de manguezal”.</p>
<p style="text-align: justify;">As análises na Ilha Grande revelaram ainda outros dados que merecem atenção. Os metais foram encontrados justamente na localidade que apresenta sedimentos de característica arenosa, ou seja, com uma granulometria que costuma dificultar a absorção de metais. Foi lá, também, que o estudo mostrou assembleias macrobentônicas (organismos que vivem no substrato marinho) diferenciadas e a predominância de espécies consideradas oportunistas, cuja tolerância pode ter sido estimulada, segundo o estudo, justamente pelas concentrações de metais.</p>
<p style="text-align: justify;">Em toda a área coberta pelos estudos, os pesquisadores encontraram um total de 581 organismos, pertencentes a 38 espécies, com predominância de poliquetas (vermes marinhos). A identificação das espécies foi realizada no Laboratório de Biologia Bentônica da Ufba. Os embriões da ostra <em>Crassostrea</em> <em>rhizophorae</em> foram coletados em áreas distantes de efluentes domésticos e industriais, para evitar comprometimento dos resultados. Nos locais onde foi detectado excesso de bário nos sedimentos, as amostras apresentaram, porém, um efeito tóxico que oscilou de baixo a moderado nos embriões de ostras.</p>
<p style="text-align: justify;">As amostras foram analisadas no Laboratório de Biologia Bentônica da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Já a análise química sedimentar, que permitiu obter a concentração de metais como ferro, alumínio, bário, cádmio, cobre, chumbo, níquel e zinco, foi realizada em laboratório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), unidade do Cetind &#8211; Centro de Tecnologia Industrial Pedro Ribeiro, enquanto as avaliações de biodisponibilidade ocorreram no Instituto de Geociências da Ufba.</p>
<div id="attachment_8306" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/Estudo-manguezais-Pesagem_do_DSS.jpg"><img class="size-full wp-image-8306   " title="Divulgação" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/03/Estudo-manguezais-Pesagem_do_DSS.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Análise química sedimentar e pesagem dos metais realizadas no laboratório do Senai/Cetind</p></div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Protegido por lei &#8211; </strong>A vegetação de mangue é protegida de corte no Brasil pelo Código Florestal (Lei 4.771/65). Ao longo da costa brasileira, estima-se que existam 25 mil km² de manguezais, em mais de oito mil quilômetros da costa.  Na Bahia, haveria o equivalente a 100 mil hectares de manguezais, e a estimativa é de que 95 mil pessoas se beneficiem diretamente desse ecossistema. A região de Camamu abriga a segunda maior baía do estado e terceira do País, superada apenas pela Baía de Todos os Santos, também na Bahia, e a Baía da Guanabara (RJ).</p>
<p style="text-align: justify;">Na avaliação de Joana Paixão, o estudo deverá servir de base para avaliações futuras dos manguezais de Camamu, da qualidade da água e dos sedimentos, diante da expansão do turismo, das prospecções de petroleiras, em busca de óleo e gás, e dos investimentos em infraestrutura portuária no sul do estado, onde o governo baiano planeja construir o Porto Sul, em Ilhéus, situado a cerca de 150 km da baía.</p>
<p style="text-align: justify;">“A nossa análise é parcial, mas creio que pode auxiliar os órgãos no processo de concessão de licenças ambientais na região e em novos estudos do gênero, já que existem muitas mudanças em andamento na ocupação do solo, em virtude da chegada desses investimentos”, avalia Joana. Pesquisas mais amplas que contemplem toda a Baía de Camamu são necessárias também, diz a pesquisadora, por conta das alterações climáticas e constantes derramamentos de óleo nas águas da baía, em função do fluxo cada vez mais intenso de embarcações. Apesar da importância econômica para a região, o turismo desponta como um dos vilões nesse processo. Nada, contudo, se compara à ameaça da exploração de óleo e gás em águas rasas da costa do Baixo Sul baiano.</p>
<p style="text-align: justify;">A região abriga o Campo de Manati, já em produção e cujas reservas de gás natural são estimadas em 23 bilhões de metros cúbicos − é hoje o maior produtor de gás do País.  Além disso, vários grupos fazem prospecções em blocos licitados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). No caso de Manati, a capacidade diária é de 8 milhões de m³ de gás, e as reservas calculadas em 72,5 bilhões de barris de óleo. São seis campos, interligados por linhas submarinas. A plataforma está a uma profundidade de 35 metros, a apenas 10km da costa da Ilha de Tinharé e a 13,5km da Baía de Camamu.</p>
<table style="text-align: justify;" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="588" valign="top"><strong> </strong></p>
<p><strong>O que ameaça os   ecossistemas costeiros</strong></p>
<ul>
<li>Mineração</li>
<li>Extração de petróleo</li>
<li>Turismo</li>
<li>Transporte aquático</li>
<li>Crescimento urbano desordenado</li>
<li>Lançamento de efluentes domésticos</li>
<li>Desmatamento do manguezal</li>
<li>Aquacultura</li>
<li>Pesca predatória</li>
<li>Atividades agropecuárias e extrativistas</li>
</ul>
<address>Fonte:   Estudo   Avaliação da Qualidade dos Sedimentos de Manguezais da Baía de Camamu</address>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h3 style="text-align: justify;"><br/><strong>Links úteis</strong></h3>
<p><strong>___________<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0370-44672002000200013" target="_blank"><strong>Estudo mineralógico do sedimento de manguezal da baía de Camamu</strong></a></p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Notícias relacionadas </strong></h3>
<p>___________________</p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/destaques/cultivo-de-camaroes-nos-manguezais-ameaca-a-fauna-a-flora-e-o-homem/" target="_self">Cultivo de camarões em manguezais ameaça fauna e flora</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/ultimas/criacao-de-camarao-em-cativeiro-beneficia-moradores-da-regiao-costeira-da-bahia/" target="_self">Criação de crustáceos em cativeiro beneficia moradores da costa da Bahia</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/pesquisador-da-ufba-estuda-efeitos-de-dragagem-nos-portos-de-salvador-e-aratu/" target="_self">Efeitos de dragagem nos portos de Salvador e Aratu são tema de pesquisa na Ufba </a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/destaques/manguezal-na-costa-do-dende-e-analisado/" target="_self">Manguezal na Costa do Dendê é analisado</a></strong></p>
<h3><strong>Entrevistas -</strong> <a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/marcos-nogueira/" target="_self">Marcos Nogueira</a></h3>
<img src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/?ak_action=api_record_view&id=8298&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Antonio Domingos Brescovit</title>
		<link>http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/antonio-domingos-brescovit/</link>
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		<pubDate>Sun, 19 Feb 2012 16:29:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Aracnídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Taxonomia]]></category>

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		<description><![CDATA[Especialista em taxonomia e inventário de aranhas do Instituto Butantan fala do novo gênero, do Sisbio - Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade; da situação dos acervos do país, e atualiza os números sobre as perdas na coleção de aracnídeos do Instituto, em decorrência do incêndio que destruiu instalações e material de pesquisa da instituição, em 2010 ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os pesquisadores brasileiros têm um grande desafio pela frente quando o assunto são os aracnídeos. Extenso e dono uma biodiversidade privilegiada, o Brasil ainda guarda muitas espécies de aranhas totalmente desconhecidas em seu território, à espera de descrição científica. Áreas do país como o Pantanal, o cerrado, a caatinga e o pampa ainda estão muito mal amostradas, afirma o pesquisador do Instituto Butantan e especialista em taxonomia e inventário de aranhas, Antonio Domingos Brescovit. “Pelo material estocado e o que existe descrito até o momento, posso dizer que ainda não atingimos 50% do conhecimento de nossa diversidade de aranhas”, reconhece Brescovit.</p>
<p style="text-align: justify;">As aranhas que vivem no solo (serapilheira) são as menos estudadas, mas representam, ao mesmo tempo, uma fonte de boas novidades, diz o professor. Uma delas é a descoberta de um novo gênero da família Oonopidae, com 17 espécies e aparência que lembra a estranha criatura do Predador, filme <em>cult</em> de ficção científica de 1987. Não à toa, o novo gênero será batizado de <em>Predatoroonops. </em>Outras duas espécies vão homenagear o astro do filme, Arnold Schwarzenegger. “Apesar de ele estar meio em baixa no momento”, brinca o professor.</p>
<p style="text-align: justify;">Brescovit abordará o tema “Biologia, diversidade, taxonomia e curadoria de coleções de Aranhas” em um minicurso,<strong> </strong>durante o 29º Congresso Brasileiro de Zoologia, que será realizado em Salvador, em março de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">Os pesquisadores brasileiros têm um grande desafio pela frente quando o assunto são os aracnídeos. Extenso e dono uma biodiversidade privilegiada, o Brasil ainda guarda muitas espécies de aranhas totalmente desconhecidas em seu território, à espera de descrição científica. Áreas do país como o Pantanal, o cerrado, a caatinga e o pampa ainda estão muito mal amostradas, afirma o pesquisador do Instituto Butantan e especialista em taxonomia e inventário de aranhas, Antonio Domingos Brescovit. “Pelo material estocado e o que existe descrito até o momento, posso dizer que ainda não atingimos 50% do conhecimento de nossa diversidade de aranhas”, reconhece Brescovit.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_8219" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/02/aranha.jpg"><img class="size-full wp-image-8219  " title="Divulgação" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/02/aranha.jpg" alt="" width="600" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Mecicobothryum baccai. A nova espécie de aranha tem o nome em homenagem ao biólogo Lauro Bacca</p></div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">As aranhas que vivem no solo (serapilheira) são as menos estudadas, mas representam, ao mesmo tempo, uma fonte de boas novidades, diz o professor. Uma delas é a descoberta de um novo gênero da família Oonopidae, com 17 espécies e aparência que lembra a estranha criatura do Predador, filme <em>cult</em> de ficção científica de 1987. Não à toa, o novo gênero será batizado de <em>Predatoroonops. </em>Outras duas espécies vão homenagear o astro do filme, Arnold Schwarzenegger. “Apesar de ele estar meio em baixa no momento”, brinca o professor.</p>
<p style="text-align: justify;">Brescovit abordará o tema “Biologia, diversidade, taxonomia e curadoria de coleções de Aranhas” em um minicurso, durante o <a href="http://cbznabahia2012.wordpress.com/" target="_self">29º Congresso Brasileiro de Zoologia</a>, que será realizado em Salvador, em março de 2012. Nesta entrevista, ele fala do novo gênero, do Sisbio &#8211; Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade, da situação dos acervos do país e atualiza os números sobre as perdas na coleção de aracnídeos do Instituto Butantan, em decorrência do incêndio que destruiu instalações e material de pesquisa da instituição, em 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">___________________________________________________________________________</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Como o Sr. situa o Brasil no campo da taxonomia e curadoria de coleções de aranhas? O país tem avançado ou ainda se ressente de apoio nessas áreas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; O Brasil ainda apresenta um numero pequeno de acervos e de material estocado em coleções. Temos hoje cerca de 10 coleções com acervos representativos, no Norte, Sudeste e Sul do Brasil. Temos carência de acervos no Centro-oeste e Nordeste do Brasil. Obtivemos avanços, mas, em geral, as coleções que mais crescem são aquelas de estados onde há mais recursos e FAPs (Fundações de Apoio a Pesquisa) bem estruturadas e economicamente fortes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Ainda há muita burocracia para coleta de material zoológico no Brasil? O Sr. considera que a legislação brasileira dificulta as pesquisas científicas sobre biodiversidade? O que precisa ser revisto, na sua opinião?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211;  Em geral a burocracia diminuiu e apesar de inúmeras reclamações em relação ao Ibama, temos tido sucesso com a maioria das solicitações e o Sisbio &#8211; Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade tem ajudado neste desempenho. Hoje está mais fácil trabalhar nas áreas fora dos parques nacionais (não protegidas) e mesmo nos Parques Nacionais, do que nos estaduais. Os estaduais e municipais têm insistido para que peçamos autorização do Ibama, quando hoje temos autorização do Sisbio e o Ibama fala claramente que os estados e municípios podem ser autônomos em relação a estas autorizações e facilitar as pesquisas. Mas, no geral, isto não está acontecendo e os estados têm dificultado bastante a entrada em suas áreas protegidas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Em 2010, por ocasião do incêndio no prédio das coleções do Instituto Butatan, falou-se na perda de um acervo de 450 mil espécies, a maioria de aracnídeos. Quantos exemplares de aranhas do acervo foram efetivamente perdidos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; Na verdade, o maior desastre foi na coleção Herpetológica com mais de 85% do acervo perdido. Nosso acervo de aracnídeos era de mais de 500.000 exemplares, e de miriápodes com cerca de 10.000 exemplares. Nossas perdas foram bem menores e podemos dizer hoje que cerca de 30% a 35% do material total foi perdido. Mas não se pode dizer com certeza onde foram as maiores perdas. Sabemos que mais de 75% das migalomorfas (caranguejeiras) foram perdidas, assim como material de pequenas ordens como Schyzomida, Solifugae, Ricinulei, e outras foram totalmente perdidas. Já o material de escorpiões e miriápodes quase não foi atingido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Quais as principais pesquisas que ficaram prejudicadas com a perda do material científico?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; Em geral, todas as pesquisas taxonômicas (revisões e descrições de espécies novas) foram prejudicadas. Até hoje, os pesquisadores e alunos estão mal instalados e trabalhando com equipamento aquém do necessário para as pesquisas, por total falta de espaço.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Como tem sido para os pesquisadores refazer a coleção de aranhas? Quanto já foi recuperado? O Instituto tem recebido doações?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; A recuperação das coleções ainda não começou, pois não temos espaço para reorganizar o acervo. Isto só poderá ser feito com critério e de forma organizada, quando o novo prédio estiver pronto e com espaço nas novas salas de coleções.     A entrada de material novo não parou desde o incêndio, pois muito material de inventários e coletas de alunos e dos pesquisadores têm sido enviados ao Instituto, como antes do incêndio. Já doações de material de outras coleções, por outros curadores, ainda não chegaram. Mas, estamos esperando.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Quais as instituições detentoras das principais coleções de aranhas no Brasil atualmente? Qual o tamanho do acervo desses museus?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; Os maiores acervos, depois do Instituto Butantan, são do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), do Museu Nacional do Rio de janeiro e da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Hoje temos mais de 400.000 exemplares nos acervos do Brasil, mas isto ainda é insignificante perto dos acervos norte-americanos e europeus.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Quantas espécies de aranhas da biodiversidade brasileira já são classificadas? Dessas, quantas são peçonhentas e de importância médica?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; Até o final de 2010, tínhamos 3.203 espécies descritas de aranhas. Hoje já devemos ter cerca de 3.500 espécies. Dentro deste quadro, não temos nem 0,5% de espécies peçonhentas no Brasil. Podemos considerar apenas três grupos que podem causar acidentes graves: armadeiras do gênero <em>Phoneutria</em>, com destaque para <em>P. nigriventer</em> na região Sudeste e Sul do Brasil; aranhas-marrom do gênero <em>Loxosceles, </em>das quais<em> </em>se destacam <em>L. gaucho</em>, <em>L. intermedia</em> e <em>L. laeta</em>; e pelo menos duas espécies de gênero <em>Latrodectus</em> (viúvas-negras), mas, por se tratar de um gênero não revisado, não sabemos ainda o nome destas espécies.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Existe alguma estimativa sobre o número de espécies de aranhas que ainda não foram catalogadas no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; Pelo material estocado e o que existe descrito até o momento, posso dizer que ainda não atingimos 50% do conhecimento de nossa diversidade de aranhas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Do ponto de vista geográfico, onde encontramos a maior diversidade de aranhas no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; Creio que a Mata Atlântica e na região amazônica, mas não posso afirmar, pois áreas como o Pantanal, cerrado, caatinga e o pampa ainda estão muito mal amostradas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Quantas espécies de aranhas são descritas por ano no Brasil? Quais as últimas descobertas? Onde (regiões do país) foram registradas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Antonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; Creio que a média hoje fica entre 30-40 espécies ao ano, mas é só uma estimativa. As melhores descobertas ainda são de áreas pouco exploradas como a caatinga e áreas mais inóspitas da Amazônia, mas encontramos espécies novas até na região urbana de São Paulo, por incrível que pareça. Não tratando de bioma, podemos dizer que as aranhas que vivem no solo (serapilheira) são as menos estudadas e as que proporcionam mais novidades nos últimos anos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura &#8211; Qual a espécie de aranha que o Sr. e a sua equipe descobriram, e que mais o surpreendeu, seja pelos hábitos ou características físicas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A</strong><strong>ntonio Domingos Brescovit</strong> &#8211; Bom, a descoberta mais interessante e que tem causado mais efeito no grupo de pesquisa é um gênero novo da família Oonopidae com 17 espécies novas que estamos publicando no American Museum Novitates, um boletim do American Museum of Natural History de Nova Iorque. Faz parte de uma pesquisa mundial sobre esta família de aranhas e que deve ser publicado até o final do ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Todas as espécies têm modificações na região frontal das quelíceras e algumas são tão estranhas ou complexas que lembram o Predador (sim, aquele do filme de ficção científica) que apresenta aquelas modificações faciais sob a máscara. O gênero novo será chamado de <em>Predatoroonops, </em>em homenagem aos mais de 20 anos do filme e todas as espécies foram nominadas com algo relativo ao filme (participantes, apelidos dos participantes, locais de locação etc). Acho que vai ser interessante na mídia. Tem duas espécies que homenageiam o ator Arnold Schwarzenegger, apesar de ele estar meio em baixa no momento!</p>
<p style="text-align: justify;">
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		</item>
		<item>
		<title>Pesquisador da UFG ministrará mini curso sobre relações entre ácaros e plantas</title>
		<link>http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/pesquisador-da-ufg-ministrara-mini-curso-sobre-relacoes-entre-acaros-e-plantas/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Feb 2012 00:29:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[Ácaros]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Serão abordadas características gerais dos ácaros plantícolas e as principais relações existentes entre ácaros e plantas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">As interações entre ácaros e plantas serão abordadas em um mini curso durante a realização do <a href="http://www.cbz2012.com.br" target="_blank">XXIX Congresso Brasileiro de Zoologia</a>, a ser realizado em Salvador, nos dias 5 a 9 de março de 2012. O ministrante será o pesquisador e professor de Zoologia e Agroecologia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rodrigo Daud.</p>
<p style="text-align: justify;">O curso, que possui caráter teórico, tem como público alvo os alunos de graduação em Biologia, entretanto, alguns profissionais da área agrícola interessados no assunto, também poderão participar. Para o evento, ainda estão previstos 30 mini cursos e 32 simpósios com temas relacionados à biodiversidade e memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Rodrigo Daud realiza pesquisa em dois principais temas: O primeiro, Diversidade e História Natural de Ácaros tem como objetivo estudar os padrões determinantes que explicam a diversificação e ocorrência de ácaros, como a sazonalidade e complexidade do ambiente. Já o segundo, Interações entre Ácaros e Plantas, visa desenvolver trabalhos para verificar as principais estratégias de defesas de plantas contra a <em>herbivoria</em> (relação em que animais se alimentam de tecidos vegetais vivos), identificação dos traços morfológicos das plantas que mediam mutualismo com ácaros predadores e micófagos (animais que se alimentam de fungos) e suas implicações no manejo de pragas.</p>
<p style="text-align: justify;">No mini curso, serão abordadas características gerais dos ácaros plantícolas e as principais relações existentes entre ácaros e plantas. De acordo com o pesquisador, ainda serão feitas considerações de como é possível utilizar o conhecimento dessas interações no manejo e controle de pragas agrícolas. “Acredito que podemos fornecer informações básicas, principalmente em relação à história natural das espécies de herbívoros e de predadores, que poderão servir como subsídios para futuras táticas de manejo e controle de pragas”, conta o pesquisador.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Trabalho de campo –</strong> Rodrigo Daud diz que as interações entre ácaros e plantas são monitoradas através de trabalhos de campo experimentais. “Existem diferentes metodologias para se atingir isso. A forma mais básica de estudo é realizar coletas periódicas em ecossistemas naturais e agrícolas em diferentes plantas, a fim de verificar quais as principais espécies de ácaros e que época do ano ocorre o pico de infestação dos herbívoros. O biólogo ensina que como os ácaros são animais diminutos, difíceis de serem visualizados a olho nu, normalmente, a folha da planta é coletada e a triagem é feita em laboratório, sob microscópio estereoscópico. “No caso de plantas, nós coletamos as folhas e levamos as amostras ao laboratório para a triagem”, explica Daud.</p>
<div id="attachment_8191" class="wp-caption aligncenter" style="width: 414px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/02/page.jpg"><img class="size-full wp-image-8191" title="Divulgação" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/02/page.jpg" alt="" width="404" height="404" /></a><p class="wp-caption-text">Ácaros são coletados em folhas de plantas e analisados em laboratório </p></div>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">A relação entre ácaros e plantas pode ser de praga ou de beneficio mútuo. Algumas espécies de ácaros herbívoros são consideradas pragas agrícolas, pois dependendo da densidade populacional, esses ácaros podem acarretar prejuízo às plantas por se alimentarem dos fluidos intracelulares das folhas, o órgão fotossintético das plantas, reduzindo a produção de energia delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, algumas dessas espécies podem transmitir à planta vírus ou bactérias, da mesma forma como, por exemplo, o mosquito da dengue faz com os humanos. No entanto, a grande maioria das espécies herbívoras não é considerada praga, principalmente em ecossistemas naturais que são mais equilibrados. Na verdade, esses herbívoros são beneficiados pelo sistema de monocultura, criado pelo homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Com relação ao mutualismo, “esse tipo de relação entre essas espécies é usualmente mediada por alguns traços morfológicos das plantas hospedeiras, tais como domácias foliares, tricomas, nectários extra florais, entre outras, que beneficiam a sobrevivência de algumas espécies de ácaros predadores. Consequentemente, essa planta abrigará uma maior densidade populacional desses ácaros”, conta, o pesquisador.</p>
<p style="text-align: justify;">Mutualismo é a interação ecológica entre duas espécies distintas, na qual a associação entre essas fornece benefícios mútuos. Os ácaros predadores consomem ácaros herbívoros e acabam reduzindo a populações desses. A alta densidade populacional de ácaros herbívoros pode ser prejudicial às plantas, ou seja, os ácaros predadores são beneficiados por algumas estruturas das folhas e as plantas são beneficiadas com a presença dos predadores por esses funcionarem como seu “guarda costas”.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Notícias relacionadas</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">___________________</p>
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<h3><strong>Entrevistas</strong></h3>
<p><strong>___________<br />
</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/rejane-lira/" target="_self">Rejane Lira</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/marcos-nogueira/" target="_self">Marcos Nogueira</a></strong></p>
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		<item>
		<title>Edson Varga Lopes</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 23:04:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ornitologia]]></category>
		<category><![CDATA[Zoologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Biólogo, com experiência na área de Zoologia, Ecologia e Biogeografia, com ênfase em Ecologia de Aves em paisagens florestais fragmentadas, dá dicas de observação de aves e as causas da perda de espécies raras]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Ciência e Cultura – O que é ornitologia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> Ornitologia é a ciência (ou a parte da ciência) que estuda as aves. Ornitólogo (a) é uma pessoa que estuda as aves. Podemos dizer que é um pouco diferente de um ornitófilo, pois um ornitólogo trabalha de uma forma mais científica, coletando informações enquanto um ornitófilo é uma pessoa que gosta de aves (mesmo assim, por vezes, as aprisionam em gaiolas). A ornitologia não existe como um curso de graduação, portanto, não há pessoas formadas neste assunto. Também não há uma pós-graduação específica. Geralmente, os ornitólogos são biólogos. Porém, há ornitólogos com as mais diversas formações e até sem formação acadêmica.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura <strong>– </strong></strong><strong>O que é preciso para se tornar um ornitólogo e quais os objetivos da ornitologia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes – </strong>Para ser um bom ornitólogo basta ser criterioso ao coletar as informações com ética e competência. Vários objetivos podem estar por trás da observação de aves. Esta atividade pode ser usada para coleta sistematizada de dados sobre a biologia ou ecologia das aves e esta informação é importantíssima para podermos conservar melhor não só as aves, mas toda a biodiversidade. A observação de aves também é feita em forma de atividade de lazer. No Hemisfério Norte, quase 100 milhões de pessoas praticam esta atividade que recebe o nome de birdwatching (ao pé da letra: observar aves). No Brasil, esta atividade ainda é insipiente se comparada a outros países, mas vem crescendo rapidamente nos últimos anos e o potencial é enorme! Temos uma das mais ricas avifauna do Planeta e a indústria do turismo de observação de aves movimenta milhões de dólares anualmente com um impacto ambiental relativamente reduzido se comparada a outras atividades turísticas.</p>
<p><strong><strong>Ciência e Cultura – </strong>Quais as aplicações da ornitologia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> A ornitologia tem inúmeras aplicações. O grupo Aves é um dos mais bem estudados, além disso, as aves estão presentes na maioria dos hábitats e responde de forma rápida a mudanças em seus hábitats. Isto faz deste grupo uma excelente ferramenta para a conservação, pois estudos avaliando a qualidade do ambiente em relação às aves pode muitas vezes ser extrapolado a outros grupos de organismos. A ornitologia também pode contribuir para ajudar em situações de manejo de uma dada espécie que possa estar causando algum prejuízo econômico, em lavouras, por exemplo.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura<strong> – </strong></strong><strong>O ornitólogo deve conhecer algumas técnicas para conseguir aproximação e visualizar os pássaros. Você poderia nos dizer algumas delas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> As técnicas a serem empregadas em ornitologia podem variar conforme o objetivo, mas, por exemplo, a primeira pergunta que um ornitólogo se faz quando chega a uma determinada área é “quantas e quais espécies de aves vivem aqui?” Está é a pergunta mais básica em ornitologia e pode ser respondida com uma técnica de amostragem bastante simples, que consiste em percorrer uma trilha ao longo da área, de preferência passando por todos os tipos de ambientes que houver no local e registrando em uma planilha quais as espécies encontradas ao longo do trajeto percorrido. O nome desta técnica é “transecção”. Pode até parecer um passeio, mas é uma ação planejada e executada com critérios e, para desenvolvê-la a contento, o ornitólogo deve ser capaz de identificar mais de 95% das espécies registradas, seja de forma visual ou auditiva. Se o objetivo for obter dados morfométricos ou da dieta da ave o pesquisador pode utilizar redes-de-neblina, que são redes utilizadas para a captura de aves na natureza. Esta técnica permite a manipulação da espécie capturada e a obtenção de dados importantes, que não poderiam ser obtidos sem ter a ave em mãos. Contudo, é preciso ter licença dos órgãos competentes para a compra deste tipo de rede e também para capturar as aves.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
<strong>Ciência e Cultura – </strong>Como deve ser a postura e os cuidados que um observador de pássaros deve ter? Quais os equipamentos utilizados e melhores horários para a observação de pássaros?</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> A melhor hora para se observar as aves na natureza é quando elas estão mais ativas, pois assim fica mais fácil localizá-las. O melhor período do ano para isto é quando as aves estão em período reprodutivo e isto geralmente ocorre quando há maior oferta de alimento. Este período pode variar entre as espécies, mas, para a maioria delas este período coincide com a primavera e o verão (estação mais chuvosa). Durante o dia as aves geralmente apresentam dois picos de atividade, ao amanhecer e ao entardecer, sendo que no amanhecer o nível de atividade das aves costuma ser um pouco mais intenso. Por isto, o melhor momento para se observar aves, de forma geral, é nas primeiras horas do dia e na estação reprodutiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Podem-se observar aves com poucos ou muitos equipamentos e cada equipamento geralmente apresenta um verdadeiro gradiente de preços, sendo importante o observador estabelecer seus limites financeiros para determinar o melhor custo benefício. Se uma pessoa for utilizar todos os equipamentos, talvez, fique parecido com um astronauta, por isso geralmente levamos o que vamos precisar para um determinado objetivo (gravação da voz, fotos, capturas, etc.). Os equipamentos mais fundamentais na observação de aves são: o binóculo e o guia de campo. O primeiro apresenta inúmeros modelos com uma diversidade maior ainda de preços, geralmente, relacionados à qualidade do produto. A especificação de aumento e de entrada de luz deve atender os objetivos a serem alcançados, mas um aumento entre 8 e 10 vezes e uma entrada de luz de 30 a 50 mm são bastante plásticas, podendo ser utilizadas em uma gama de situações.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – Qual a importância de conseguir identificar uma ave rara?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes – </strong>Para um ornitólogo, detectar uma ave rara pode ser um misto de prazer e orgulho, mas em termos de conservação pode ser bastante importante este registro, pois se já estamos assumindo que a espécie é rara, é porque há certa dificuldade em encontrá-la, e isto já demonstra a importância do registro. Há todo um código de ética e de conduta na observação de aves na natureza. Basicamente, ele busca direcionar as pessoas a não colocarem seus interesses acima do respeito às aves e a outras pessoas. Por exemplo, não se aproximar muito ou por muito tempo de locais que são estratégicos para as aves, como locais de reprodução, dormitórios, etc., ou utilizar exaustivamente artefatos como o playback, técnica de reprodução de sons dos cantos utilizada para atrair as aves. De forma semelhante, devem-se respeitar propriedades alheias e também a habilidade de todos os membros do grupo, se for o caso.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – É fato que o desmatamento das florestas causa desequilíbrio ambiental. Além do desmatamento, quais as principais causas do desaparecimento das espécies de aves?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> Além da destruição das florestas e outros habitats, outras grandes causas da perda de espécies de aves são a fragmentação de habitats e a caça. A fragmentação é semelhante à destruição de habitats, porém, no caso da fragmentação, o habitat é parcialmente e não totalmente destruído. Contudo, muitas espécies de aves não conseguem sobreviver e manter populações viáveis nos fragmentos de habitat remanescentes e acabam sendo extintas. Já a caça afeta as aves de duas formas: Há a caça para a obtenção de animais de estimação e a caça para a alimentação. Da primeira, as maiores vítimas são aves exuberantes como os papagaios, araras e as aves com belos cantos , que se adaptam facilmente ao cativeiro, como o curió (Sporophila angolensis) e o coleirinho (Sporophila caerulescens). Por outro lado, a caça para alimentação afeta geralmente aves, como inhambus, codornas, pombas etc.</p>
<p><strong><strong>Ciência e Cultura – </strong> Sabemos que a sua formação foi no Paraná e que, atualmente, seu trabalho é no Pará. Você poderia nos dizer quais as principais diferenças entre a avifauna dos dois estados? Gostaria de um depoimento sobre a situação ambiental do Pará com a construção da usina de Belo Monte. Quais os prejuízos para a avifauna?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes – </strong>No passado, a situação ambiental original do Paraná e do Pará não era muito diferente, visto que ambos eram quase totalmente cobertos por florestas. Contudo, no Paraná restam menos de 10% destas florestas e no Pará a cobertura florestal ainda cobre mais da metade do estado. Então, a avifauna destes dois estados já deve ter tido uma estrutura mais semelhante no passado do que o que ocorre atualmente. Alguns grupos de aves mais típicas de áreas abertas devem ter se tornado mais comuns na paisagem do Paraná, enquanto aves estritamente florestais ainda predominam na maior parte do Pará.</p>
<p style="text-align: justify;">O prejuízo para as aves em relação a grandes empreendimentos como a usina de Belo Monte é a perda de habitat. Alguns milhares de quilômetros de floresta irão desaparecer com a formação do lago da usina. No entanto, ressalto que o maior prejuízo ambiental de uma hidrelétrica como Belo Monte é no ambiente aquático, pois, com a alteração do regime hídrico com a formação do lago, etc., toda a dinâmica das comunidades aquáticas será afetada.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – <strong> </strong></strong><strong>Existe algum ranking mundial em diversidade de aves? Se sim, qual a posição do Brasil? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> Bem, estes números podem variar dependendo do autor e da classificação adotada. Generalizando, no Planeta são conhecidas cerca de 10 mil espécies. Na América do Sul, que é considerada a região mais rica em espécies de aves, já são conhecidas mais de 3 mil espécies. Dentro da América do Sul, os países com mais espécies de aves são Colômbia, com quase 1.900, Peru e Brasil, empatados com pouco mais de 1.800 espécies cada um.</p>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_8121" class="wp-caption aligncenter" style="width: 578px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/01/Edson-Varga.jpg"><img class="size-full wp-image-8121 " title="Divulgação" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2012/01/Edson-Varga.jpg" alt="" width="568" height="600" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Edson Lopes: &#8220;Para um ornitólogo, detectar uma ave rara pode ser um misto de prazer e orgulho&#8221;</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">É importante lembrar que as listas de espécies geradas são dificilmente comparáveis por serem baseadas em diferentes critérios. Outros aspectos importantes de serem notados é que estes números que estou apresentando provavelmente já estão defasados e também a posição destes países no ranking pode mudar no futuro, pois várias espécies são descritas ou validadas (desmembramento de subespécies) a cada ano. Esperamos que no futuro, com mais estudos, o Brasil seja o país com o maior número de espécies de aves no mundo.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – <strong> </strong></strong><strong>Você já fez observação de pássaros na Bahia? Quais espécies você gostaria de ver aqui? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> Visitei a Bahia apenas duas vezes e de forma bem rápida, assim, não tive tempo ainda para observar aves neste estado. Quando eu puder, quero muito fazer uma observação de aves na Mata Atlântica da Bahia, que é muito rica em espécies de aves. É uma das porções mais representativas do que resta da Mata Atlântica e que sofre enorme pressão em função da região ser cobiçada para expansão urbana. Fora isto, a caatinga, que geralmente é vista com um hábitat relativamente pobre, é na verdade rico em endemismos e em espécies especializadas para explorar este ambiente. Isto é muito atrativo para mim.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – </strong><strong>O birdwatching é uma atividade privilegiada por vários mercados turísticos na Europa, que investe em Turismo de Natureza. A atividade atrai 80 milhões de pessoas em todo o mundo. Você acha que, pelo potencial natural do Brasil, esta atividade deveria receber maior atenção pelo Ministério do Turismo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> Sem sombra de dúvidas. O Turismo é a maior indústria do mundo em termos de movimento de dinheiro e ao mesmo tempo é a indústria que menos polui. O ecoturismo, ramo no qual o birdwathing pode ser incluído, é ainda mais benéfico, pois seus praticantes geralmente são pessoas preocupadas com a preservação do meio ambiente e procuram impactar o mínimo possível com sua presença.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso da observação de aves, o potencial do Brasil é enorme, na verdade, um dos maiores do mundo. Somos um país com uma das mais ricas avifauna do mundo. Sei que inúmeros estrangeiros visitam o Brasil e pagam uma razoável quantia para ir a campo, com um guia especializado, para a localização e identificação de aves na natureza. Felizmente, este ramo tem crescido muito nos últimos anos e é cada vez maior o número de guias com este perfil, mas ainda estamos longe de explorar todo o nosso potencial para esta atividade.</p>
<p><strong>Ciência e Cultura – </strong><strong>Mesmo sabendo que criar pássaros em gaiola é crime ambiental, muitas pessoas costumam capturar pássaros para criar em casa pelo simples fato de terem um animal de estimação. Já outros, preferem criar pássaros para concursos de canto. Isto faz parte da cultura de muitas pessoas nas cidades do Brasil, principalmente as do interior.  Diante desta realidade, qual o seu conselho para as pessoas que ainda mantém esta prática?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edson Varga Lopes –</strong> Eu mesmo confesso que já cacei muitas aves (algumas eu coloquei na gaiola e outras eu comi). Entendo que a maioria das pessoas que aprisiona aves o faz por ignorância. Geralmente são pessoas de bem que gostariam de ter o prazer de ouvir uma ave cantar perto de si, ou para poder apreciar sua beleza. O que eu entendi ao longo de minha carreira, e que eu procuro passar para as pessoas, é que as aves, como qualquer outro organismo, tem suas personalidades, suas vontades, etc. Então, se você quer ouvir uma ave cantar, ou apreciar a sua beleza, você deve ir até ela, na casa dela, que, por acaso, é a natureza, e não numa gaiola. Se elas cantam em uma gaiola, não é porque estão felizes, mas sim por que suas necessidades fisiológicas estão todas atendidas, ou seja, não falta alimento, etc. Desta forma, a energia que sobra para a ave por não ter que “lutar” para sobreviver, ela gasta fazendo outras atividades, como vocalizar.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, não condeno uma criança que caça um passarinho, mas condeno veementemente pessoas que buscam lucro tirando centenas de aves da natureza e contrabandeando-as para as cidades para serem vendidas para pessoas que querem ter as aves perto de si. Todos nós podemos ter as aves frequentando os quintais livremente e não em gaiolas. Para isto, basta arborizar seu quintal e/ou oferecer frutas como banana mamão em um local adequado. Desta forma, várias aves vão aprender que ali há alimento e abrigo e irão frequentar o local. Faça isto e você irá se surpreender com a quantidade de espécies que podem aparecer!</p>
<h3 style="text-align: justify;">Edson Vargas Lopes já participou de dois livros direcionados para leigos que desejam saber um pouco mais sobre os pássaros: <a href="http://www.uel.br/editora/portal/?content=../catalogo/catalogo-online-detalhes.php&amp;codProduto=565" target="_blank">Aves da Fazenda Monte Alegre: Um Estudo da Biodiversidade</a> (2009) e <a href="http://www.eduem.uem.br/novapagina/?q=node/36" target="_blank">Aves da Planície Alagável do Alto do Rio Paraná</a> (2007).  O ornitólogo mantém uma página no <a href="www.wikiaves.com/perfil.php?u=3495)" target="_blank">site Wikiaves</a>, que reúne dados sobre as aves brasileiras, no qual disponibiliza algumas fotografias de pássaros realizadas durante as suas visitas a campo.<br/></h3>
<h3 style="text-align: justify;"><br/><strong>Notícias relacionadas</strong></h3>
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<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/ultimas/observacao-de-aves-na-natureza-e-tema-de-mini-curso/" target="_self">Observação de aves na natureza é tema de mini-curso</a></strong></p>
<h3><strong>Entrevistas </strong></h3>
<p><strong>__________<br />
</strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/rejane-lira/" target="_self">Rejane Lira</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/marcos-nogueira/" target="_self">Marcos Nogueira</a></strong></p>
<img src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/?ak_action=api_record_view&id=8120&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Observação de aves na natureza é tema de mini-curso</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 22:15:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[Últimas Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ornitologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Mini curso será realizado em Salvador durante o 29º Congresso Brasileiro de Zoologia, dia 5 de março de 2012.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estão abertas as inscrições para o mini-curso “Introdução à Ornitologia de Campo”, que será ministrado pelo professor Edson Vargas Lopes, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O ornitólogo explica que as aulas práticas e teóricas e serão destinadas a iniciantes na atividade. “Ensinarei os conceitos básicos e postura para quem deseja observar pássaros na natureza. Além disto, irei abordar que tipo de equipamentos devem ser utilizados e, se der tempo, ensinarei como utilizar os dados cientificamente”, informa Lopes.</p>
<p style="text-align: justify;">O mini-curso será realizado em Salvador durante o <a href="http://www.cbz2012.com.br/index.html" target="_blank">XXIX Congresso Brasileiro de Zoologia</a>, no dia 5 de março de 2012. Interessados devem realizar inscrição por meio do site do evento: <a href="http://www.cbz2012.com.br" target="_blank">www.cbz2012.com.br</a>. São disponibilizadas 40 vagas e a carga horária é de 8 horas. Só é permitido a cada participante inscrever-se em apenas um mini-curso, já que todos acontecerão no mesmo horário, das 8h às 18h.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela primeira vez em Salvador, o ornitólogo explica que a observação de aves na natureza é uma atividade muito difundida no Hemisfério Norte e em franca ascensão no Brasil. De acordo com ele, a atividade pode ser praticada por leigos e por profissionais. “Vários objetivos podem estar por trás da observação de aves. Esta atividade pode ser usada para coleta sistematizada de dados sobre a biologia ou ecologia das aves e esta informação é importantíssima para podermos conservar melhor não só as aves, mas toda a biodiversidade”, afirma o professor. “Recomendo, ainda, que os interessados levem binóculos para as aulas práticas e quem tiver interesse em fotografar ou filmar os pássaros, também devem levar as suas câmeras”, complementa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ementa –</strong> O curso abordará os seguintes tópicos: O que é ornitologia e quem é o ornitólogo; Aplicações da ornitologia; Aspectos históricos da ornitologia: Desenvolvimento da ornitologia no mundo e no Brasil; Tendências e perspectivas da ornitologia no Brasil; Técnicas para identificação de aves em campo; Técnicas para estudos de aves na natureza: pontos de escuta, transecção e redes-de-neblina e Ética na observação de aves na natureza.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Entrevistas relacionadas</strong></h3>
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<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/rejane-lira/" target="_self">Rejane Lira</a></strong></p>
<p><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/entrevistas/marcos-nogueira/" target="_self">Marcos Nogueira</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<img src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/?ak_action=api_record_view&id=8113&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/observacao-de-aves-na-natureza-e-tema-de-mini-curso/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
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