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Atualizado em 17 DE janeiro DE 2013 ás 17:41

SBPC critica proibição do termo “olimpíada” em eventos acadêmicos

Em carta aberta enviada nesta semana a Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, a SBPC e a ABC classificaram a ação como "despropositada".

DA REDAÇÃO*

As principais associações de cientistas do Brasil regiram contra a iniciativa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) de proibir o uso do termo “olimpíada” nos eventos acadêmicos. Em carta aberta enviada nesta semana a Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a ABC (Academia Brasileira de Ciências) classificaram a ação como “despropositada”. No final de 2012, a Unicamp foi notificada extrajudicialmente pelo COB pelo suposto uso indevido do termo na realização da Olimpíada Nacional em História do Brasil.

A notificação alega que o uso das palavras olimpíada e jogos olímpicos “é privativo” dos comitês Olímpico e Paraolímpico do Brasil. Organizadores de várias outras olimpíadas educacionais, como a de português e de astronomia, receberam notificações semelhantes. No Brasil, são realizadas cerca de 20 olimpíadas educacionais nacionais.

Confira a carta na íntegra:

São Paulo, 08 de janeiro de 2013

SBPC- 138/Dir.
Ilustríssimo Senhor
CARLOS ARTHUR NUZMAN
Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)

Senhor Presidente,

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade civil, sem fins lucrativos nem cor político-partidária, que atua em defesa do avanço científico e tecnológico do Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), receberam com espanto e indignação a informação de que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) notificou extra-judicialmente a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pelo uso supostamente indevido da palavra “olimpíada”, no nome da competição que organiza, a Olimpíada Nacional em História do Brasil.

Ninguém ignora a importância dessas competições científicas – no país já existem 18 delas – para a divulgação da ciência e o aumento do interesse dos jovens pelas atividades científicas, o que é fundamental para o desenvolvimento tecnológico de qualquer nação e o bem estar econômico e social de sua população.

Sem esquecer que jovens que vencem as olimpíadas nacionais depois vão participar de competições internacionais. E muitos deles têm se destacado, contribuindo para divulgar o nome do Brasil e da ciência e educação do país. É o caso, por exemplo, do jovem Matheus Camacho, de 14 anos, aluno de uma escola de São Paulo, que acaba de conquistar em Teerã, uma medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Ciências, concorrendo com estudantes de 28 países.

Por isso, a proibição do uso da palavra “olimpíadas” para designar competições científicas é uma situação que se configura mais despropositada ainda, quando se sabe que a palavra é empregada mundialmente para designar competições científicas, tais como International Mathematical Olympiad, Math Olympids for Elementray and Midde Schools, The British Mathematical Olympiad Sibtrust, Science Olympiad, entre muitas outras.

Assim, a SBPC e a ABC não concordam com a decisão do  COB de ter a exclusividade do uso da palavra “olimpíada”, pois significará um retrocesso trazendo em prejuízo a todas as tradicionais olimpíadas educacionais (matemática, ciências, língua portuguesa, química, astronomia entre outras) que se realizam no Brasil há anos.

Sempre prontas a defender a ciência e a educação brasileira, a SBPC e a ABC subscrevem,

Atenciosamente,

HELENA B. NADER                                                                        JACOB PALIS
Presidente da SBPC                                                                 Presidente da SBC

*Com informações da Folha.com

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