Newsletter
Ciência e Cultura - Agência de notícias da Bahia
RSS Facebook Twitter Flickr
Atualizado em 19 DE setembro DE 2011 ás 16:59

Pesquisa identifica plantas nativas da caatinga

Levantamento feito em cidades do semiárido baiano organiza um banco ativo de unidades conservadoras de material genético com finalidade de selecionar espécies forrageiras adaptadas às condições de solo e clima da região semiárida

Do Multiciência, por Karine Nascimento*
agenciamulticiencia@gmail.com

Único bioma exclusivamente brasileiro, a caatinga é um patrimônio genético rico e variado. A vegetação é tipicamente xerófita, com plantas adaptadas ao ambiente de clima seco e chuvas irregulares. Entre as principais espécies de árvores, destacam-se o juazeiro (Ziziphus Joazeiro Mart.), o angico (Anadenanthera macrocarpa (Benth) Brenan), a favela (Cnidoscolus phyllacanthus), e entre as cactáceas, o xiquexique e o mandacaru.

Esse bioma possui características singulares para a convivência com o semiárido, como folhas pequenas e espinhos para diminuir a evaporação, além de raízes que se aprofundam no solo para buscar lençóis subterrâneos de água.

Folhas pequenas e espinhos são características únicas das plantas que sobrevivem no semiárido

Contudo, poucos agricultores têm conhecimento da variedade de espécies nativas da caatinga, a exemplo das plantas forrageiras, utilizadas na suplementação dos animais, como o “estilosantes” (nome científico Stylosanthes spp). A planta pode ser usada em culturas consorciadas e na recuperação de solos degradados, além se ser um banco de proteínas na alimentação dos caprinos e ovinos.

Para conhecer essa variedade genética, o doutor em Zootecnia, Claudio Mistura, professor do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), campus, Juazeiro, desenvolve estudos  sobre o estilosantes. Segundo o professor, as leguminosas forrageiras apresentam propriedade nutritiva superior às gramíneas. “A qualidade protéica varia de 13 a 23% entre os diferentes acessos de estilosantes nativos da caatinga, enquanto o capim-buffel, gramínea forrageira, tem valor nutritivo de 4 a 5% no período seco e de 8 a 10% no chuvoso”, esclarece o pesquisador.

Claudio Mistura desenvolve estudos sobre estilosantes em Juazeiro

Banco de Germoplasma - A partir do levantamento feito nas cidades baianas de Juazeiro, Sobradinho, Sento Sé, Remanso, Casa Nova, Campo Alegre de Lourdes, Curaçá e Canudos, o pesquisador está organizando um Banco Ativo de Germoplasma” (BAGs), onde estão cultivados os diferentes acessos de Stylosanthes sp. Coletados na microrregião de Juazeiro, com a finalidade de selecionar espécies forrageiras adaptadas às condições edafoclimáticas da região semiárida. Neste caso, são avaliados tanto a produção de forragem como o valor nutritivo destas plantas, além de conservar o patrimônio genético local.

Para compor o banco, é realizada a coleta de acessos de Stylosanthes e estruturação dos BAGs. Em seguida, é feita a multiplicação do material coletado, as espécies estão em processo de classificação. Após estas etapas, as “mudas” são plantadas em áreas previamente estabelecidas. Ao final, é feita uma avaliação quali-quantitativa dos materiais preservados e da produção de semente dos acessos avaliados.

As plantas são cultivadas nas áreas experimentais da Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (Apaeb); Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs); Uneb; e na Embrapa Semiárido, em Petrolina-PE.

Para o pesquisador, esse estudo pretende beneficiar o pequeno produtor, melhorando a pastagem. “O estilosantes nativo possui o ciclo vegetativo maior e com qualidade superior, devido o sistema radicular mais profundo, o que favorece a captação de água e nutrientes”, explica o professor. Ele acrescenta que, além da qualidade protéica superior às gramíneas, principalmente do capim-buffel (Cenchrus ciliaris), a leguminosa gera um melhor desempenho do animal e contribui com o pequeno produtor, por utilizar o estilosantes que é resistente à seca e adaptável ao solo de baixa fertilidade.

A estruturação da pesquisa, além de contribuir para o conhecimento das plantas nativas da região, colabora na formação de novos pesquisadores que participam do projeto. O estudante de Engenharia Agronômica da Uneb, Bruno Augusto de Souza Almeida, considera importante identificar as espécies nativas da região, pois há a possibilidade de preservar o bioma, identificando-as e depois levando esse conhecimento para o produtor. “É complicado fazer o melhoramento genético, demora muito, mas estamos trabalhando para o futuro”, explica.

A pesquisa do melhoramento genético, com o “Banco de Germoplasma Ativo” tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Saiba mais

_________

Glossário

Angico: É uma espécie heliófila, da família Mimosaceae. Floresce nos meses de setembro a novembro, a maturação dos frutos inicia-se ao final do mês de agosto e setembro. Seu crescimento é rápido, podendo atingir produtividade de até 25 m3/ha/ano. É Conhecido também por: angico-vermelho, angico-da-mata, angico-verdadeiro, angico-amarelo, angico-cedro, angico-rosa, angico-de-curtume, angico-branco.

Banco de Germoplasma Ativo: São unidades conservadoras de material genético uso imediato, têm por objetivos efetuar a caracterização fenotípica-agronômica mínima e a multiplicação com manutenção da identidade genética que permita escolher os caracteres de interesse na obtenção de novos cultivares.

Capim-buffel do gênero: É uma gramínea forrageira, que apresenta grande adaptação às condições do clima e solo do semiárido nordestino, com boa capacidade de rebrota, aceitabilidade pelos ruminantes e digestibilidade, podendo alcançar até 1,5 m de altura.

Estilosantes: é uma forrageira rica em proteína e executa uma função importante de transformar o nitrogênio encontrado na atmosfera e fixá-lo biologicamente no solo, reduzindo os investimentos com insumos agrícolas e possibilitando maior produção (carne e leite) pelos animais. Melhora as condições das pastagens consorciadas e adaptável a solos de baixa fertilidade.

Favela: Conhecido também por faveleira ou faveleiro, planta xerófila, nativa do Nordeste de pequeno/médio porte, 3-5m de altura, as flores são alvas, agrupadas em pequenos cachos, ou auxiliares.  As sementes são ricas em óleo alimentício. O feno é produzido com folhas e ponteiros com um valor protéico de 18,10%.

Juazeiro: é uma xerófila de folhagem perene, que renova anualmente as folhas, em curto espaço de tempo, geralmente durante o mês de outubro. A floração ocorre nos meses de novembro e dezembro, o fruto maduro é rico em vitamina C, com maturação nos meses de junho e julho. O juazeiro poder utilizado na alimentação de caprinos e ovinos como um recurso alimentar alternativo durante a época seca.

Xerófita: são plantas adaptadas ao clima seco, com diversos mecanismos de adaptação: caules ou raízes, que armazenam água, folhas pequenas com uma cobertura de cera ou reduzidas a espinhos para diminuir a evaporação e raízes que se aprofundam bastante no solo para alcançar o lençol freático.

*Karine Nascimento é aluna do curso de Comunicação Social Jornalismo em Multimeios, do DCH-Uneb.

Notícias relacionadas

___________________

Pesquisa aponta consequências das mudanças climáticas na Bahia

Pesquisa pretende diferenciar qualidade do vinho da região do São Francisco

Entrevistas

Yvonilde Medeiros

Aurélio Lacerda

5 comentários para Pesquisa identifica plantas nativas da caatinga

  1. Francisco disse:

    Muito se comenta sobre Chia, planta nativa do México, de sementes com muitas proteinas.Quando era pequeno conheci no Piauí uma arvore de pequeno porte de folhas finas com mesmo nome e com vagem e sementes que no nordeste eram comestiveis in natura , procurei artigos sobre esta planta porem não encontrei.

  2. Cildes Barbosa disse:

    quem não conhece a nossa realidade,a realidade do nordestino que tira seu sustento da caatinga,sinplismente, desvaloriza uma grande riqueza natural. na sua maioria os documentario feito sobre a caatinga e o nordeste,geralmente são feitos em um periodo bastante seco.

  3. comprar feno disse:

    Afinal no ancião Egito, as mulheres cozinhavam Forragem Obscuro nalgum leite, dando lisura bem como energia lá tez no momento em que
    friccionada (Corrêa, 1984).

  4. Romário leite bispo disse:

    Quais árvores são adaptadas para região de feira de Santana, na pedra ferrada _ distrito de Maria Quitéria. Tenho interesse em fazer o reflorestamento. A região chove quase nada

Deixe uma resposta para comprar feno Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *