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	<title>Ciência e Cultura &#187; Ciencia e Cultura</title>
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	<description>Agência de notícias sobre ciência, tecnologia e inovação da Bahia</description>
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		<title>Após denúncia de contaminação da água dos bebedouros, diretor da Escola Politécnica apresenta plano de monitoramento de qualidade</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2025 19:58:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Noticia da home]]></category>
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		<category><![CDATA[Contaminação]]></category>
		<category><![CDATA[Escola Politécnica da UFBA]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[A direção contou que ao receber a informação da suspeita de contaminação da água, ainda em fevereiro, acionou imediatamente a Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (SUMAI).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><img class="aligncenter size-full wp-image-29217" title="2018-04-03" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/04/2018-04-03.jpg" alt="" width="648" height="486" /></p>
<p dir="ltr">O diretor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Marcelo Embiruçu, declarou em entrevista à Agência de Notícias que está elaborando internamente na Escola um “Plano de Amostragem, Monitoramento e Garantia da Qualidade da Água, inexistente atualmente na SUMAI [...], para brevemente colocarmos em prática, tornando uma rotina preventiva a realização periódica de testes nos sistemas de abastecimento de água das instalações da Escola e, uma vez constatada qualquer eventual irregularidade, tomando as medidas corretivas necessárias para a solução do problema.”, afirmou.</p>
<p dir="ltr">Embiruçu declarou que ainda em meados de fevereiro, acionou imediatamente a SUMAI, coordenação responsável pela gestão e sensibilização ambiental na UFBA, que só recomendou a descontinuação do consumo de água, no último dia 08/04. A medida foi tomada de forma imediata, assim como providências para oferecer água potável para o consumo da comunidade.</p>
<p dir="ltr">O diretor afirma que mesmo não havendo recomendação ou providência da SUMAI foi tomada a iniciativa, ainda em fevereiro, de “consultar alguns dos melhores e mais experientes especialistas da Escola Politécnica na matéria [...] tendo sido recomendada a contratação do Laboratório Certificado com Análise Acreditada para realização dos testes necessários”. Esta contratação, ainda segundo Embiruçu, se viabilizou com o pagamento antecipado pelo parceiro externo, não identificado, que só foi finalizado no dia 09/04, quase dois meses após a professora entrar em contato com a direção.</p>
<p dir="ltr">A informação de que coliformes totais e a bactéria Escherichia coli (E. coli) foram detectados na água de dois bebedouros da Poli, foi divulgada à público na segunda-feira (07) pela vice-coordenadora do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da Poli, Gemima Arcanjo, que realizou as análises microbiológicas durante as aulas práticas da disciplina de ENG271, no semestre de 2024.2. As amostras foram coletadas nos bebedouros localizados no 4º e 7º andares do prédio.</p>
<p dir="ltr">Em nota, Gemima afirmou que “desde o início de fevereiro, venho solicitando à direção e à administração da EPOLI: 1.Informações sobre as condições dos reservatórios; 2. Novas análises para identificar a(s) fonte(s) de contaminação; 3. Medidas urgentes para garantir água potável à comunidade acadêmica, especialmente com o retorno das aulas”, mas só recebeu retorno após a nota pública do dia 07/04.</p>
<p dir="ltr">O estudo foi realizado no laboratório de análises físico-químicas do departamento de Engenharia Ambiental pelos alunos, com orientação e rechecagem da professora para “garantir métodos padrões de análise de água e águas residuais”, garante a pesquisadora. Ela também afirmou que os testes feitos não analisam a origem da contaminação, que pode ser do reservatório, por mau uso do bebedouro ou de sua localização, e que, portanto, são necessárias análises mais gerais do fornecimento de água da faculdade.</p>
<p dir="ltr">“A E. coli é um indicador de contaminação por material fecal (humano ou animal), e sua presença sugere a existência de outros microrganismos patogênicos de transmissão fecal-oral, como giárdia, salmonella e verminoses”, alertou Gemima no comunicado. O consumo dessa água pode provocar doenças gastrointestinais, com sintomas como diarreia, vômitos e infecções mais graves.</p>
<p>Dandara e Estefane, estudantes de arquitetura, contam que descobriram sobre a contaminação por colegas que receberam o comunicado da professora Gemima. Dandara afirma que não costuma beber a água da Poli, “não gostei muito do gosto da água daqui. Então, geralmente quando venho, sempre trago minha garrafa cheia”, conta a estudante. Já Estefane parou de consumir depois da notícia. A professora explica que “o gosto está relacionado com outras coisas. Inclusive, a água pode não ter gosto, não ter odor, estar transparente, límpida e estar contaminada com microrganismos. Então, [sabor] não é indicativo”, sendo sempre necessário ser realizado periodicamente o monitoramento da qualidade da água consumida em qualquer ambiente.</p>
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		<title>Lançamento JaÉ Gerações: 7° edição da revista reflete sobre a infância</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Feb 2025 19:53:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[Últimas Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[jaé]]></category>
		<category><![CDATA[lançamento]]></category>

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		<description><![CDATA[A Agência de Notícia em CT&#038;I (AGN) esteve presente no evento de lançamento da 7° edição da JaÉ, produto da Agência 
Experimental em Comunicação e Cultura da Facom]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" dir="ltr">
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">A sétima edição da JaÉ, revista anual da Agência Experimental de Comunicação e Cultura da Faculdade de Comunicação da UFBA (Facom) foi lançada na última sexta-feira, dia 07 de fevereiro. O evento de divulgação ocorreu no auditório da faculdade e marcou o primeiro contato do público com a edição  “JaÉ Gerações”.Durante o encontro, houve apresentação de mesa com os entrevistados e um bate-papo com os agenciadores, que compartilharam detalhes sobre  o desenvolvimento do projeto dessa 7° edição.</span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">Esta edição da revista traz como tema central os impactos que as experiências vividas na infância e juventude podem causar ao longo da vida. A JaÉ Gerações aborda a desigualdade social, seu reflexo na infância com contraponto de iniciativas de proteção infantojuvenil e a cura dos impactos negativos gerados. No editorial, a edição é definida como: “um convite para olharmos as cicatrizes invisíveis da infância e juventude, mas também para as iniciativas que tentam reconstruir esses espaços de esperança”.</span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">A editora-chefe desta edição, Isabel Queiroz, conta que o tema se deu pela necessidade de apresentar a infância não apenas como a primeira fase da vida, mas é a base que molda quem somos. “Então a gente pensou que a gente poderia interligar com temas tanto sociais, quanto temas que são do nosso próprio eu. Então a infância acaba moldando toda a nossa trajetória e transforma quem a gente é, né? No presente, no futuro e fala muito sobre o nosso passado. Então foi por isso que a gente escolheu falar sobre gerações”, afirma Isabel.</span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">A revista é dividida em 5 editorias: Comunidade; Páginas verdes;  Eixo; Perfil; e Raízes, cada uma trazendo uma perspectiva sobre a infância. Vinicius Porto, coordenador geral do projeto Cadi Valença e convidado da sessão comunidade,ele  reforça como a falta de acesso a direitos como o de ir e vir transformam infâncias. “Dentro da própria comunidade temos muros invisíveis, que muitas vezes impedem crianças de visitarem seus avós por que moram em outras ruas. [...] Lutamos para que a gente consiga derrubar esses muros invisíveis, fazendo com que todos da comunidade tenham acesso aos seus direitos”.</span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">Comunidade é a parte da revista que aborda como o tema afeta a comunidade, como pode ser visto e percebido. Para Larissa Carneiro, uma das agenciadoras da editoria, a sessão é um lugar de pensar, refletir sobre os impactos das ações na sociedade, a agenciadora afirma que por influência de onde veio escolheu a editoria por sentir que tinha formas de contribuir.</span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">Sentimento compartilhado por outros agenciadores que durante suas falas reafirmaram a importância de escrever sobre assuntos pouco explorados pela mídia tradicional, e tocar nesses temas de forma sensível. “Durante a conversa com toda a equipe do CADI Valença, foi muito tranquilo, porque mais que um bate-volta, foi um diálogo onde a gente se comunicava e se reconhecia um no outro.” concluiu Larissa.</span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">Sophia Eloy explica que em sua editoria, Raízes, tem a perspectiva de trazer as mudanças e evoluções com o passar do tempo e nessa edição conta histórias sobre as infâncias que foram curadas através da espiritualidade e da cultura, afirmou também certa identificação com sua editoria “Eu observo muitas infâncias que foram restringidas na infância mesmo e mais à frente essas pessoas resgataram através desses processos e eu acho isso muito interessante e me identifiquei bastante”, contou a agenciadora.</span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;"> </span><span style="color: #333333;">Para Eloy, discutir as marcas da  infância é essencial, pois essas experiências deixam marcas profundas que têm reflexo durante toda a vida.</span></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 90px;" dir="ltr"><span style="color: #333333;"><em> “Ela perpassa, eu acho que a infância é a fase da vida que mais perpassa todas as outras, ela entra em meios muito fundos e eu acho que um problema na infância é muito mais difícil do de curar quando é porque ele é porque ele é de base, né?”.</em></span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">O agenciador Nauan Sacramento destacou que a JaÉ está em um lugar de reconhecimento do leitor com  uma revista de comunicação comunitária, “ o sentimento foi muito mais de uma vivência que eu tive, eu vim de escola pública, então, ouvir de alguém especializado, tudo aquilo que eu já via e que eu já convivia, foi assim, foi uma certeza de dizer, tá, o problema é realmente isso agora a gente tem que trabalhar para mudar isso”. Após as mesas o evento contou com intervenções artísticas com canções do Sam Lisboa e o “Momento Ballroom” com a Brazilian Kiki House of Bushidö.<br />
</span></p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><span style="color: #333333;">Queiroz ressaltou que esta edição se propõe a tratar a infância de maneira séria, sem a perspectiva lúdica, explorando diversos contextos  e aspectos sociais.. A revista JaÉ Gerações está disponível para leitura online e de acesso gratuito, assim como outras versões publicadas, na por meio da plataforma ISSUU através do link: 7° edição <a title="Revista JaÉ Gerações" href="https://issuu.com/agenciadoresexperimentais/docs/revista_ja_-_7_edi_o_gera_es" target="_blank">JaÉ Gerações</a></span></p>
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		<item>
		<title>O Uso de Inteligência Artificial: Conflitos nas Universidades</title>
		<link>http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/destaques/o-uso-de-inteligencia-artificial-conflitos-nas-universidades/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 14:54:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Noticia da home]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[CHATGPT]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[Universidade]]></category>

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		<description><![CDATA[A Agência de Notícia em CT&#038;I (AGN) procura entender como é a relação do uso de IA nas universidades públicas na visão dos alunos e dos professores]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">
<h1><span style="color: #ffffff;"> </span></h1>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">
<p style="text-align: center;">
<address style="text-align: right;"><span style="color: #000000;">Revisado pela equipe AGN</span></address>
<address style="text-align: right;"></address>
<address style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><br />
</span></address>
<p>A inteligência artificial (IA) é uma das maiores inovações tecnológicas da atualidade, transformando setores como saúde, negócios e educação. A IA se refere a sistemas computacionais capazes de realizar tarefas que antes dependiam exclusivamente da inteligência humana, como aprender, raciocinar e tomar decisões. Baseada no uso massivo de dados, a IA identifica padrões e informações coletadas, permitindo que soluções como assistentes virtuais, plataformas de aprendizado adaptativo e ferramentas de correção automática se tornem cada vez mais precisas e personalizadas.</p>
<p dir="ltr">Hoje ela faz parte do dia a dia de muitas pessoas, em destaque a vida dos estudantes. Na educação, a lA tem revolucionado a forma como alunos aprendem e interagem com o conteúdo, podendo criar experiências personalizadas que se ajustam ao ritmo de aprendizado de cada um.</p>
<p dir="ltr"><strong>Como os estudantes veem</strong></p>
<p dir="ltr">De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) em parceria com a empresa de levantamentos educacionais Educa Insights, 71% dos atuais e futuros estudantes universitários fazem uso da inteligência artificial na sua rotina diária de estudos. Dados como esse comprovam que a inteligência artificial se instalou na vida dos estudantes tornando-se parte do seu dia a dia.</p>
<p dir="ltr">Em comparação a 2023, a mesma pesquisa aponta que houve um crescimento de 18% na quantidade de atuais e futuros universitários que utilizam alguma ferramenta de IA. A pesquisa realizada em julho de 2024, entrevistou 300 estudantes universitários que ingressaram na faculdade entre o final de 2023 e início de 2024 e com estudantes que têm interesse em uma graduação particular, com idades entre 17 e 50 anos, das cinco regiões do país.</p>
<p dir="ltr">O avanço da inteligência artificial proporcionou sérias mudanças na forma de estudar, transformando os meios tradicionais. A Agência de Notícias fez uma pesquisa com estudantes e professores de três universidades públicas da Bahia, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Universidade do Estado da Bahia (UNEB) por meio de formulários, para entender melhor como está o uso de IA no ambiente acadêmico.  Das 59 respostas de estudantes obtidas, a maioria (64,4%) afirma que usa IA para realizar pesquisas, enquanto 55,9% para sugestão de ideias e 54,2% para correção de textos, sendo o ChatGPT a ferramenta mais utilizada.</p>
<p dir="ltr">Quando questionados sobre quais benefícios acreditavam que a inteligência artificial pode trazer para o aprendizado, muitos afirmaram que na otimização do tempo, em pesquisas acadêmicas e na compreensão de conteúdos passados em sala de aula. Um dos estudantes argumentou que, “É uma ferramenta muito útil para complementar o ensino e tirar dúvidas, além de ser uma forma mais rápida de pesquisa. A única questão em relação à pesquisa é a falta de fontes”, afirma. Apenas 16,9% responderam que evitam usar, enquanto a maior parte (55,9%) não vê problema.</p>
<p dir="ltr"><strong>O Outro Lado da Moeda: a visão dos professores</strong></p>
<p dir="ltr">O uso da inteligência artificial tem gerado preocupações entre os professores, especialmente, em relação ao impacto na aprendizagem e no desenvolvimento dos alunos. Um dos principais receios é o aumento do plágio e da dependência de ferramentas que produzem trabalhos prontos, dificultando a avaliação do aprendizado real. A facilidade de acesso a respostas instantâneas pode limitar o desenvolvimento do pensamento crítico e da criatividade, Rafaela Amaral, integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Letramentos Digitais (GEPELD) comentou sua preocupação, “fico me perguntando como um adolescente que está desenvolvendo seu senso crítico vai lidar com essa inteligência artificial, que é algo complicado até para nós que somos adultos”, aponta.</p>
<p dir="ltr">Flávia Goulart, pesquisadora e professora do programa para pós-graduação em estudos interdisciplinares sobre a universidade do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC), confirmou a preocupação ética no uso de IA para realizar trabalhos. Contudo, acredita que o problema pode ser superado com debates e a divulgação de boas práticas, &#8220;É uma oportunidade excelente para trabalhar com a ética, mostrar que todos têm suas capacidades, que ninguém precisa recorrer para a escrita de uma máquina, porque todo mundo tem competência e capacidade para isso&#8221;.</p>
<p dir="ltr">A IA também pode apresentar oportunidades importantes, como auxiliar no planejamento de aulas, na correção de tarefas e na identificação de dificuldades específicas dos estudantes, permitindo um ensino mais direcionado. Professores que utilizam essas ferramentas de forma estratégica têm o potencial de otimizar o tempo e enriquecer o processo de aprendizagem. Entretanto, seguindo a pesquisa feita pela Agência de Notícias, apenas 15,4% dos professores utilizam essa ferramenta frequentemente.</p>
<p dir="ltr">Flávio Bergamo, professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), comenta que a IA é utilizada por ele e por colegas de profissão para auxiliar a produtividade. Ele afirma que não considera o uso dessa ferramenta algo ruim para a educação, “ela me ajuda como professor e como pesquisador, pode ajudar qualquer profissional ou aluno, há plataformas que aumentam muito nossa produtividade”.</p>
<p dir="ltr">Bergamo relatou situações em que alunos plagiaram textos com a inteligência artificial. Para identificar com clareza esses casos, ele pagou do próprio bolso uma plataforma de detecção e passou a verificar todos os trabalhos dos estudantes, encontrando alguns com até 90% de plágio.  Ele comenta que o professor percebe, &#8220;A gente sabe diferenciar o texto que foi escrito por um aluno de graduação e o texto que foi escrito pela IA&#8221;, afirma. O impacto dessa ferramenta na educação depende de como ela é utilizada, por isso muitos professores defendem a promoção de cursos capacitantes para alunos e professores.</p>
<p dir="ltr"><strong>Colocando na balança</strong></p>
<p dir="ltr"><strong><em>As vantagens</em></strong></p>
<p dir="ltr">De modo geral,  é possível perceber que a Inteligência Artificial é eficiente ao fazer trabalhos mais simples e contribui na produtividade. Ronne Gabriel, estudante de jornalismo, ressalta que ela ajuda, por exemplo, a fazer resumos. “Como às vezes sou prolixo e o tempo importa em apresentações, me ajuda bastante a ser mais sintético na hora de treinar a fala”, afirma ele.</p>
<p dir="ltr">Ronne aponta que essa tecnologia também é muito boa para criação de textos genéricos como emails, ou busca de sinônimos para elaboração de textos. Porém, ele confessa sentir certo receio de usar de forma imprudente e acabar se sabotando. “Usar para escrever um texto meu é realmente como fechar os olhos para eu estar me sabotando.”, conclui</p>
<p dir="ltr"><strong><em>Resumo do lado bom</em></strong></p>
<ul>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Acelera o tempo de trabalho, contribuindo para produtividade;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Constroi textos simples como e-mails ou textos genéricos;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Ajuda o usuário na escrita ou fornece recomendações.</p>
</li>
</ul>
<p dir="ltr"><strong><em>As desvantagens</em></strong></p>
<p dir="ltr">Ronne diz não usar a IA de forma excessiva, tentando sempre manter um equilíbrio, “Na área de Jornalismo, um estudante que usa IA para escrever um texto autoral não vai conseguir ir longe.”, declara. O uso da inteligência artificial pode trazer problemas de curto e longo prazo. Uma delas, é a dependência que muitos usuários têm após o uso sem consciência, Celestino Magalhães, membro do GEPELD, compartilhou sua preocupação, “A gente fica muito preocupado também com essa questão de apego que geralmente as pessoas têm com esse tipo de tecnologia, porque uma coisa é você usar como auxílio e outra é você ser dependente daquele instrumento”.</p>
<p dir="ltr">Rafaela Amaral, também participante do GEPELD, afirma que pela falta de letramento digital, muitos não conseguem diferenciar o que é feito artificialmente ou por uma pessoa real, “As pessoas estão cada vez divulgando mais, acreditando e sendo influenciadas sem nenhum tipo de reflexão crítica sobre aquilo que estão consumindo. Isso impacta muito nas nossas opiniões e na forma de ver o mundo”, reitera. Durante a conversa, Rafaela ressalta a necessidade de especificar os comandos para receber respostas mais precisas da inteligência artificial, evitando textos redundantes e genéricos.</p>
<p dir="ltr">Além disso, Kleysa Rodrigues, outra pesquisadora do grupo, aponta a confusão de informações da IA. A Inteligência só tem acesso a informações abertas e as que não estão com o certificado de direito autoral, por isso, a tecnologia pode alucinar e criar informações para poder entregar o que lhe foi solicitado, “De certa forma, ele alucina e cria informações. Para o professor que conhece aquele artigo, vai receber um fichamento, por exemplo, um resumo, e vai ver de cara que a pessoa não leu porque aquele trabalho vai conter informações que são verificáveis na fonte original como falsas”, explicou a pesquisadora.</p>
<p dir="ltr"><strong><em>Resumo do lado ruim</em></strong></p>
<ul>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Facilita o plágio e a falta de originalidade, podendo gerar dependência dessa tecnologia;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Necessita de uma revisão humana, pois nem todos os dados conseguem ser totalmente verdadeiros;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Pode levar as pessoas a acreditarem em informações falsas, devido a dificuldade de uso de quem não tem experiência no meio digital;</p>
</li>
</ul>
<p dir="ltr"><strong>Perspectivas futuras no Brasil</strong></p>
<p dir="ltr">Quando falamos sobre o uso de inteligência artificial na educação não existem muitos consensos, o tema ainda causa desconfiança e conflitos. Entretanto, dentre os especialistas que conversamos, o ponto em comum é que não se pode ignorar e fingir que nada está acontecendo, as tecnologias com IA são a nova realidade e enquanto não forem tratadas como uma ferramenta de educação, vão continuar sendo usadas de formas irresponsáveis e prejudiciais pelos estudantes, que já estão usando sem nenhuma orientação.</p>
<p dir="ltr">A discussão não é mais sobre aceitar ou não o uso dessas tecnologias, e sim, definir limites éticos. Atualmente, os maiores empecilhos para um melhor desenvolvimento do uso de IA na educação no Brasil são a falta de infraestrutura e conectividade das instituições, além da falta de formação técnica dos professores voltada para a área de tecnologia e as desigualdades sociais estruturais do país.</p>
<p dir="ltr">A pesquisadora Flávia Rosa relembra o preparo que foi necessário na época da pandemia do Covid-19, comparando a adaptação para o uso da IA em sala de aula, afirmando que foi necessário investimento em treinamento por parte da UFBA, “Isso é uma demonstração de que a gente pode dominar [a ferramenta], desde que também nos seja oferecido e seja mostrado como algo importante. Naquele momento, tudo isso foi apresentado pra gente como sendo assim. Este é o único caminho. Ou é este, ou é nenhum”, assegura.</p>
<p dir="ltr">Em 2021, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) aprovou um documento intitulado “Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial”, com o objetivo de montar uma base sólida com orientações sobre o uso das inteligências artificiais. No campo da educação, a recomendação mais forte é sobre a alfabetização em Inteligência Artificial, isso inclui uma educação ética em IA destacando aspectos humanísticos nos currículos para diminuir a desigualdade digital.</p>
<p dir="ltr">Além disso, existe uma preocupação especial com relação às pesquisas. A UNESCO incentiva a pesquisa interdisciplinar em IA, estimulando que as empresas privadas disponibilizem os dados coletados para pesquisas científicas, sempre respeitando a privacidade dos usuários, principalmente dos países em desenvolvimento, que costumam ser alvo de vazamento de dados.</p>
<p dir="ltr">O governo brasileiro assinou, em 29 de julho do ano passado, o primeiro Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado durante a abertura da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O plano busca desenvolver projetos e soluções em IA que melhorem de forma significativa a qualidade de vida da população. Com um investimento de R$23 bilhões de reais nos quatro anos de desenvolvimento do projeto (2024-2028), se pretende a transformação do país em referência mundial em inovação e eficiência do uso da inteligência artificial.</p>
<p dir="ltr">O processo de regulamentação do uso da Inteligência Artificial tem avançado também no país, o Projeto de Lei (PL) 2.338/2023 foi aprovado em dezembro de 2024 no Senado e segue para a análise na Câmara dos Deputados. O PL se apresenta como um marco regulatório para o desenvolvimento e o uso de sistemas de IA no Brasil. O texto prevê que deve ser informado pelas empresas de tecnologia quais conteúdos protegidos por direitos autorais foram usados já no treinamento de sistemas.</p>
<p dir="ltr">O texto define que a utilização automatizada de obras como extração, reprodução, armazenamento e transformação nos processos de mineração de dados e textos em sistemas de IA não constituem ofensa aos direitos autorais, apenas nas atividades feitas por organizações e instituições de pesquisa, de jornalismo e por museus, arquivos e bibliotecas desde que a disseminação da obra em si não seja o objetivo e não haja fins comerciais ou concorrência com a comercialização da obra original.</p>
<p dir="ltr"><a href="https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/cct/legislacao/arquivos/IA_para_o_Bem_de_Todos.pdf">IA para o Bem de Todos</a>, arquivo do Gov.com 29 de Julho de 2024 descreve os objetivos como:</p>
<p dir="ltr">1. Transformar a vida dos brasileiros por meio de inovações sustentáveis e inclusivas baseadas em Inteligência Artificial.</p>
<ol>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">2. Formar, capacitar e requalificar pessoas em IA em grande escala para valorizar o trabalhador e suprir a alta demanda por profissionais qualificados.</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">3. Equipar o Brasil de infraestrutura tecnológica avançada com alta capacidade de processamento, incluindo um dos cinco supercomputadores mais potentes do mundo, alimentada por energias renováveis.</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">4. Desenvolver modelos avançados de linguagem em português, com dados nacionais que abarcam nossa diversidade cultural, social e linguística, para fortalecer a soberania em IA.</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">5. Promover o protagonismo global do Brasil em IA por meio do desenvolvimento tecnológico nacional e ações estratégicas de colaboração internacional.</p>
</li>
</ol>
<p dir="ltr">Entre os objetivos visados pelo PBIA está a transformação na vida dos brasileiros por meio de inovações sustentáveis e inclusivas baseadas em IA,  o plano é direcionado especialmente ao setor público, no entanto, o projeto destaca várias vertentes do seu uso como a iniciativa  “ApoIA Startups &#8211; Educação iniciativa” da OpenAI e da Fundação Lemann de apoio a startups de educação no Brasil, com incentivo para criação de soluções educacionais de IA.</p>
<p dir="ltr">Já o projeto “Combate à Desinformação”, também da OpenAI, em parceria com a UFBA e a FGV-RJ (Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro) focado no combate à desinformação online no Brasil com auxílio de IA, também é um exemplo do envolvimento da universidade com a pesquisa e utilização da inteligência artificial.</p>
<p dir="ltr">O avanço da inteligência artificial na educação é um caminho inevitável que traz tanto desafios quanto oportunidades. Embora ainda haja receios e barreiras, as iniciativas e parcerias mostram que é possível integrar essa tecnologia de forma ética e eficiente. Com investimentos adequados, regulamentação clara e educação sobre o uso responsável, a IA pode se tornar uma ferramenta transformadora, promovendo inovação, inclusão e melhoria na qualidade do ensino, enquanto contribui para colocar o Brasil em destaque no cenário global de inovação tecnológica.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">
<img src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/?ak_action=api_record_view&id=29115&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>AGN Entrevista: André Lemos sobre a tradução do mundo em dados digitais</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jan 2025 22:31:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Noticia da home]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[André Lemos]]></category>
		<category><![CDATA[Dados]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>

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		<description><![CDATA[A AGN conversou com o professor e pesquisador André Lemos para explicar a presença dos dados no nosso dia a dia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" dir="ltr">
<div id="attachment_29067" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/01/artecapa2.png"><img class="size-full wp-image-29067" title="artecapa" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/01/artecapa2.png" alt="" width="500" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Montagem: Merlia / Fonte Imagens: Internet</p></div>
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><em>“O algoritmo é como se fosse uma receita. Um bolo: os dados são os ingredientes e o algoritmo é como você processa esses ingredientes. Você tem que colocar 200g de açúcar, misturar, colocar no forno a tal temperatura, durante tanto tempo, e sai o bolo. Há várias formas de fazer, então há vários algoritmos diferentes, a partir da manipulação desses dados. O algoritmo é uma receita que faz com que um determinado conjunto de dados, sendo processado, gere um resultado específico.”</em> &#8211; André Lemos</p>
<p style="text-align: left;">Em nossos dias, os dispositivos digitais são como próteses ao corpo. Celulares, notebooks, tablets, relógios inteligentes, televisões, assistentes virtuais, por exemplo, nos inserem em um contexto global de conectividade, trabalho e conhecimento sem sair de casa. Cada clique que damos na tela revela uma escolha, que forma um dado. É como a tradução de uma parte do que somos, pensamos e queremos em uma linguagem digital. As grandes empresas de tecnologia, as<em> big techs</em>, dominam a captação desses dados para que alimentem os algoritmos, um mecanismo que consegue personalizar o conteúdo que receberemos mais tarde. Consumimos o que queremos.</p>
<p style="text-align: left;">
<blockquote><p><span style="font-weight: bold; font-size: 1.4em; text-align: center; font-style: italic;">“É uma transformação de ações, estruturas e documentos em dados digitais. O que nós estamos vivendo hoje é uma tradução do mundo em dados digitais”</span></p></blockquote>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="text-align: left;">As questões fundamentais são: para onde vão esses nossos dados coletados? Realmente sabemos o que está acontecendo? Nós que permitimos sem perceber?</span></p>
<p style="text-align: left;"><strong>AGN Entrevista</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong> </strong>Nesta reportagem, a Agência de Notícias (AGN) conversou com André Lemos, professor titular da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/UFBA), coordenador do Lab404 &#8211; Laboratório de Pesquisa em Mídia Digital, Redes e Espaço, pesquisador do CNPq e membro da Academia de Ciências da Bahia.</p>
<div id="attachment_29076" class="wp-caption aligncenter" style="width: 394px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/01/editadaoficial1.jpeg"><img class="size-large wp-image-29076" title="editadaoficial" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/01/editadaoficial1-682x1024.jpg" alt="Professor da FACOM/UFBA e pesquisador do CNPq, seu objeto de estudo sempre foram as tecnologias digitais. Foto: Andresa Correa" width="384" height="576" /></a><p class="wp-caption-text">Professor da FACOM/UFBA e pesquisador do CNPq, seu objeto de estudo sempre foram as tecnologias digitais. Foto: Andresa Correa</p></div>
<p><span style="text-align: left;">Seu tema de pesquisa sempre foi as novas tecnologias, e os processos chamados de: Dataficação e Ação Algorítmica.</span></p>
<p style="text-align: left;">Vamos entender melhor como funciona tudo isso?</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: bold;">Qual a primeira coisa que você faz ao acordar?</span></p>
<p style="text-align: left;">Assim que o alarme do celular toca, qual a sua primeira reação após desativá-lo? Inicia a sua rotina sem contato com as redes sociais, ou precisa checar o seu aparelho?</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;">“Todos nós, hoje, acordamos e passamos por cinco grandes plataformas internacionais: Google, Apple, Microsoft, Facebook etc. O alimento dessas plataformas é o dado. O dado serve para oferecer serviços. A partir do que nós fornecemos como informação, elas oferecem serviços personalizados, coisas que interessam a uma pessoa e não interessam a outra. Quando eu digo que gosto de alguma coisa, eu tenho que dizer isso dentro de uma formatação específica, que é a partir de um clique ou de um ícone. A minha ação de ‘gostar de algo’ é traduzida num dado, esse dado alimenta algoritmos e inteligências artificiais dessas empresas e plataformas, que ao colherem mais e mais dados, não apenas meus, mas das pessoas com as quais eu me relaciono, elas podem me oferecer coisas.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 60px;">‘Se você gosta disso, já que você disse que gosta, e como muitas pessoas que gostam disso gostam também de outras coisas, provavelmente você também vai gostar dessa outra coisa’ [o professor imitando o que uma plataforma diria].</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;">Ela pode me oferecer coisas muito personalizadas e que vão fazer com que eu me mantenha atrelado a esse serviço. Ele é a maneira de ter informação sobre os usuários para oferecer outros tipos de produtos. E ele é uma maneira de leitura do mundo, ou seja, uma estrutura técnica de transformação de qualquer ação nesse tipo de dado, que alimenta esse sistema.”</address>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong>Por que dizem que os dados são o novo petróleo?</strong></p>
<p style="text-align: left;">As grandes empresas de tecnologia são também as empresas mais ricas do mundo, segundo o ranking da Interbrand de 2024. O produto mais valioso são os dados que as alimentam e as fazem produzir mais.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“[Essas] grandes empresas não são empresas que produzem bananas, petróleo ou carvão, elas produzem dados. Tem uma pequena diferença: o petróleo é algo que extraímos da terra e o dado é algo que nós produzimos a partir de um formato específico. A riqueza hoje são os dados. De certa forma, nós estamos vivendo isso, e hoje se fala muito da dependência dos dados, de ataques à soberania dos países, porque os dados hoje são a fortuna. O uso do dado é o que vai fazer com que uma determinada empresa possa inovar. Em países do Sul Global, como o Brasil, nós estamos sempre numa posição de consumir e produzir muito dado, mas oferecer pouco em termos de grandes empresas que possam ganhar dinheiro e enriquecer o país, por exemplo. É uma dimensão estratégica.</address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">Nesse sentido econômico, estamos numa sociedade de dados, uma sociedade de plataforma e num capitalismo de dados, por isso que o dado é o novo petróleo. O que eu estou querendo destacar é que isso é verdadeiro, mas tem uma diferença que é ainda mais complicada, porque não é qualquer dado que entra no sistema, é um dado que deve ser formatado de alguma forma. Então, quando eu gosto de alguma coisa, esse ‘gostar’ tem que estar formatado de alguma maneira para que o sistema possa ler esse ‘gostar’. Então, há uma espécie de formatação da maneira como nós nos relacionamos com o mundo que deve ser pensada também. Ele não é tanto como o petróleo que se extrai e se usa, porque não se extrai o dado, se produz o dado. Não é algo que é retirado de alguém, ele faz com que alguém produza para ele.”</address>
<p style="text-align: left; padding-left: 60px;">
<p style="text-align: left;"><strong>Como é o processo de fabricação dos dados?</strong></p>
<p style="text-align: left;">Quando se trata dos dados, não existe o estado bruto, ele é sempre parte de um conjunto que nos permite ver o que queremos enxergar ou mostrar. O processamento deles depende de sua finalidade e dos motivos pelo qual estão sendo coletados.</p>
<p style="text-align: left;">Assim, Lemos explica que a coleta e o encadeamento dessas informações nem sempre é fiel à realidade. Por exemplo, o que nós podemos considerar “amigos” dentro de uma rede social? Ele explica que essa criação não está relacionada com a concepção do usuário de amizade, e sim como aquele dado organiza suas informações.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 120px;">“Quando eu digo ‘eu tenho amigos’, o ‘amigo’ é uma produção discursiva a partir do dado transformado numa visão que não é verdadeira. Na realidade, as pessoas não têm 200, 300, 500 amigos, mas a plataforma me obriga a produzir esse dado como “amigo” porque é assim que ela funciona.”</address>
<p style="text-align: left; padding-left: 30px;">
<p style="text-align: left;"><strong>Quais são os perigos de se viver em uma bolha?</strong></p>
<p style="text-align: left;">Previamente vimos que a &#8220;performatividade&#8221; dos algoritmos é o planejamento que o algoritmo faz com seus dados para que provoque uma ação do usuário. Esse modo de funcionamento faz com que o nosso consumo seja de coisas do nosso interesse que segurem nossa atenção naquela plataforma, ou seja, o que aparece para você consumir é personalizado de acordo com os comandos que você fornece para a plataforma.</p>
<p style="text-align: left;">No entanto, Lemos discorre sobre como esse processo de personalização se transforma em uma zona de conforto que não nos instiga a pensar diferente.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“É interessante que a gente possa encontrar aquilo que a gente quer, um uso utilitário instrumental da rede, que é ótimo e que funciona bem. Às vezes queremos esse determinado tipo de coisa, mas também entender o funcionamento dela e saber de alguma forma se afastar um pouco disso ou cultivar uma diferença.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">Eu acho isso enriquecedor politicamente, sociologicamente, cognitivamente, individualmente, afetivamente; cultivar a diferença e cultivar a amplitude, a desterritorialização do conhecimento, do pensamento e da subjetividade. Eu acho que todas as tragédias vem de uma ideia do ‘eu’, acho que  ‘eu’ não existe.  O ‘eu’ é uma construção, nós somos atravessados por diversos outros entes, não só humanos, mas não-humanos também que nos constituem. Esse apego ao ‘eu’ é algo perturbador.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">A gente deve cultivar um pouco a saída desse processo, a desconexão dessas máquinas que nos oferecem sempre aquilo que a gente quer ver.”</address>
<address style="text-align: left;"></address>
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<address style="text-align: left;"><span style="font-size: 16px; font-style: normal; font-weight: bold;"></p>
<p>Como o acesso aos dados afeta a nossa rotina e nossa privacidade?</p>
<p></span></address>
<p style="text-align: left;"><span style="text-align: left;">Mais um exemplo de acesso e coleta de dados pessoais são as assistentes virtuais.</span></p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“A Alexa da Amazon e outros dispositivos vestíveis geram dados que são enviados para as plataformas. Elas são apenas formas diferentes de capturar dados. No caso dos wearables estamos lidando com dados muito íntimos, como o monitoramento da saúde, qualidade do sono, número de passos dados, calorias consumidas, entre outros. Esses dados são muito sensíveis e devem ser protegidos.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">As empresas geralmente possuem políticas de privacidade para proteger essas informações, mas sabemos que falhas acontecem, o que pode resultar em vazamentos. Isso entra na mesma lógica de crescimento da ‘notificação’ e da ‘performatividade algorítmica’ que caracteriza a sociedade de plataformas.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"><span style="font-size: 1.4em; font-weight: bold; text-align: center; font-style: normal;"><br />
<span style="font-style: normal;">&#8220;Esses dispositivos não apenas monitoram nossa saúde, mas também capturam dados sobre nossa vida privada&#8221;.</span></span></address>
<address style="text-align: center;"><span style="font-size: 1.4em; font-weight: bold; text-align: center; font-style: normal;"><br />
</span></address>
<address style="text-align: center;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"><span style="text-align: right;">É importante pensar não só no cuidado com a saúde, mas também no que isso significa em termos de captura de dados pessoas&#8221;.</span></address>
<p style="text-align: left;" dir="ltr">
<p style="text-align: left;" dir="ltr">Por conseguinte, a naturalidade em que fornecemos os dados sem questionar o que de fato é feito com eles, é o que o professor explica como “Paradoxo da privacidade”.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“Ficamos à deriva nesse tipo de ação, sem saber exatamente o que as empresas fazem com nossos dados. Funcionava muito na base da confiança e, também, sob uma perspectiva que alguns autores chamam de ‘paradoxo da privacidade’: se você perguntar para as pessoas: ‘Você se preocupa com sua privacidade?’, elas dirão ‘Claro que sim!’. Mas, quando vão à farmácia comprar um remédio, dão o CPF sem questionar o que será feito com esse dado. Embora as pessoas tenham uma grande preocupação teórica, na prática, acreditam que, por não dever nada a ninguém, podem fornecer seus dados.”</address>
<p style="text-align: left;" dir="ltr">
<p style="text-align: left;" dir="ltr">No entanto, não são somente adultos que podem ter seus dados coletados e terem sua privacidade violada. Crianças e adolescentes também estão expostas a esse risco. Lemos fala da importância da monitoração dessa faixa etária no mundo online, mas que esse acesso não seja demonizado.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“De forma geral, devemos ter muito cuidado com o uso da internet por crianças. Existem ONGs que fazem um trabalho excelente de monitoramento da exposição de crianças e de prevenção contra abusos, como pedofilia na internet. As plataformas devem estar muito atentas a isso. Recentemente, uma lei na Austrália proibiu qualquer pessoa com menos de 16 anos de usar plataformas sociais.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">Eu acho que é uma medida um pouco radical, pois as idades variam muito. Uma criança de 5 anos é muito diferente de um adolescente de 16 anos. Talvez, no futuro, possamos olhar para trás e perceber que deveríamos ter tomado outras medidas para proteger as crianças, assim como hoje achamos impensável permitir que alguém fumasse dentro de um avião.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">Precisamos nos proteger, mas sem demonizar a tecnologia. As crianças devem ser protegidas de usos inadequados, mas não podemos proibir o uso das plataformas de forma generalizada. É uma preocupação importante, sim.”</address>
<address style="text-align: right;"></address>
<address style="text-align: right;"></address>
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<address style="text-align: left;"></address>
<address style="text-align: left;"><span style="font-size: 16px; font-style: normal; font-weight: bold; text-align: left;"></p>
<p>Quais leis garantem a proteção de dados?</p>
<p></span></address>
<p style="text-align: left;"><strong> </strong>Em um mundo em que os dados são considerados o novo petróleo, é imprescindível que haja uma politização do uso dos mesmos. Lemos explica que apesar da existência de leis que protegem nossos dados, sua implementação ainda é recente, assim, não existe garantia de sua eficácia.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"> “Atualmente, temos uma proteção legal, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que impede que as empresas vendam meus dados para terceiros e me garante o direito de pedir a exclusão dos meus dados. Por exemplo, se eu for a uma farmácia onde compro meus remédios toda semana e pedir para apagarem todos os meus dados, eles são obrigados a fazer isso. Eu não sei se vão realmente apagar, mas posso recorrer <span style="font-style: normal;">à justiça, já que existe uma lei que me protege.”</span></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"><span style="font-style: normal;"><br />
</span></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“Eu acho que estamos apenas no começo. A lei é recente, e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é quem regula isso. Ela já entrou com ações contra plataformas para que não usem os dados das pessoas para treinar a inteligência artificial. Começamos a ver alguns mecanismos, mas, como mencionei antes, se eu pedir à farmácia para retirar meus dados, eles podem não cumprir. A ANPD só vai agir se eu entrar com uma ação judicial. Aos poucos, vemos essa agência reguladora se mobilizando para proteger a LGPD, mas ainda estamos em uma fase inicial.”</address>
<p style="text-align: left;" dir="ltr">
<p style="text-align: left;" dir="ltr">Logo, a ANPD também ficará responsável pelo uso ético e responsável da inteligência artificial. Entre os principais pontos da PL 2338/2023, se destaca a criação do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), este será encarregado de estabelecer regulações posteriores e fiscalizar o cumprimento das regras relacionadas ao uso de IA no país.</p>
<p style="text-align: left;" dir="ltr">O Estado, apesar de instalar medidas protetivas a respeito da regulamentação de uso de dados, vem impulsionando a produção de IAs dentro do território brasileiro.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“O Brasil acaba de lançar um Plano de Inteligência Artificial, para que o país saia de uma posição de consumidor de inteligências artificiais prontas do Norte e possa produzir a sua própria inteligência, que pare de ser um grande fornecedor de dados para grandes plataformas estruturais e possa produzir as suas próprias plataformas.”</address>
<p style="text-align: left;">Portanto, ao considerarmos o interesse tanto do Estado quanto das empresas privadas, se levanta o seguinte questionamento: de quem é a responsabilidade de regular os dados que são coletados? André Lemos avalia essa questão e se posiciona a favor de um equilíbrio entre as duas forças.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“Eu acho que há uma responsabilidade compartilhada. As empresas já fazem a regulação dentro dos seus próprios códigos e políticas de uso. No entanto, como elas não operam em um ‘condomínio fechado’, como um prédio, elas são responsáveis por algo muito maior: a opinião pública. Elas têm influência na esfera pública, que envolve a mídia e a política. Portanto, tanto as plataformas quanto o Estado têm que regular.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">Na minha opinião, o Estado deve agir para proteger as garantias básicas dos cidadãos na esfera pública. Então, deve haver uma colaboração entre as plataformas e uma ação do Estado para exigir determinados procedimentos. Muitas vezes, as plataformas são lenientes porque ganham dinheiro com a ‘dataficação’ — ou seja, quanto mais dados são gerados, mais engajamento há, o que leva à monetização. O equilíbrio entre monetização e controle não pode ser deixado apenas nas mãos das plataformas, também precisamos contar com a esfera privada para que haja um controle adequado.”</address>
<p style="text-align: left; padding-left: 60px;" dir="ltr">
<p style="text-align: left;" dir="ltr"><strong>Previsão nublada para os próximos anos</strong></p>
<p>O professor reflete sobre a dificuldade de enxergar um futuro concreto das tecnologias digitais.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“Se você me perguntasse, há 30 anos, quando eu estava estudando isso, fazendo minha tese de doutorado sobre cultura digital e me dissessem: ‘Olha, daqui a 30 anos nós vamos ter negacionismo científico, polarização e desinformação pela internet.’ Eu diria que não iria acontecer isso. [Eu diria:] ‘Nós estamos vendo aqui florescer a inteligência coletiva, a circulação do conhecimento, estamos nos agregando ao pensamento das pessoas, saindo de um preconceito de classe etc’. Tinha toda uma utopia sendo realizada nos anos 90 que hoje se perdeu.</address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
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<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">Eu acho que a tendência é que a inteligência artificial vai entrar muito fortemente no futuro. Eu acho que essas plataformas coletivas venham aos poucos desaparecendo, tipo o Facebook, mas eu não sei, não saberia dizer o que que vai acontecer daqui a 30 anos, por exemplo.”</address>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">O debate sempre estará na expectativa de que, nos próximos anos, essas empresas possam fornecer um parecer seguro de estar no meio digital ou, que o estado possa interferir para o bem comum dos usuários. Mas ainda no campo da suposição, é complexo imaginar como garantir uma segurança tão plena.</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: bold;">O virtual é uma nuvem de fios</span></p>
<p style="text-align: left;">Por fim, toda essa discussão toca ainda na questão da crise climática. É comum pensarmos que o virtual é imaterial, que não existe de forma palpável, que não acumula, que não pode ser estocado, portanto, seria mais sustentável do que se utilizar papel. Mas todos esses dados são armazenados em lugares físicos e geolocalizados chamados <em><a title="data centers google" href="https://www.google.com/intl/pt-BR/about/datacenters/">data centers</a></em>, além de existirem grandes cabos submarinos que conectam continentes levando sinal de internet para as nossas residências. Nesse processo, ocorre a extração de minérios para produzir equipamentos e água para produzir energia e alimentar essas grandes estruturas.</p>
<address style="text-align: left; padding-left: 90px;">“A gente associa sempre a cultura digital a um virtual, a nuvem. ‘Cadê os dados? Como é que eu pego? Não dá’. Então é tudo ‘desmaterializado’, tudo ‘na nuvem’. E isso é um erro grosseiro, porque para eu pegar nos dados, eu preciso dessas máquinas. Essas máquinas para serem feitas, precisam de minerais que vem da terra, minerais nobres, muitos com trabalho escravo na África. Para processar o dado que está aqui no meu computador, agora que está na Internet, eu preciso de um data center, que é a cloud, mas a cloud não é a nuvem, é o centro de processamento de dados.</address>
<address style="text-align: right;"></address>
<address style="text-align: right;"></address>
<address style="text-align: right;"></address>
<address style="text-align: right;"></address>
<address style="text-align: right;"></address>
<address style="text-align: right;"></address>
<address style="text-align: right;"></address>
<blockquote>
<h3 style="text-align: center;"><strong><em><br />
Está tudo muito bem aterrado no solo, que está consumindo água,</em> <em>que consome energia elétrica, que consome combustíveis fósseis, que perfura os oceanos para atravessar a fibra ótica de continente a outro, que rasga os terrenos para ligar a fibra ótica dentro dos países, que gera a pegada de carbono e consumo de água para gerar modelos de Inteligência Artificial.</em></strong></h3>
</blockquote>
<p><strong><em><br />
</em></strong></p>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"><strong><em>Cada busca que fazemos no Google, no Chat GPT ou no Instagram, gera uma pegada de carbono. Tem uma vinculação direta com o consumo de energia e a expansão da cultura digital. Alguns autores estão, inclusive, dizendo que, em um futuro próximo, a Inteligência Artificial vai competir com os humanos no consumo de água. Nós vamos ter que ter água para a inteligência artificial e isso vai começar a criar um certo desequilíbrio em relação a água que nós teremos para consumo humano, ou seja, no futuro, se verdade, a gente vai ter um freio da Inteligência Artificial, porque não é possível que a gente dê água para um robô e não tenha água para um humano. Embora isso seja realmente possível, porque é o que acontece hoje no país, nas guerras, na miséria.</em></strong></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"><strong><em><br />
</em></strong></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"></address>
<address style="text-align: left; padding-left: 60px;"><strong><em>A materialidade do digital é algo importantíssimo não só no consumo, mas também na forma como nós nos relacionamos. A maneira que eu me relaciono com uma pessoa através da interface [de uma plataforma] é bem diferente dessa maneira que nós estamos nos relacionando aqui agora. Conversar com alguém por um chat, é diferente de conversar com alguém por carta, que é diferente de conversar com alguém pelo telefone, que é diferente de conversar com alguém pelo WhatsApp. Há uma agência das materialidades do digital nas nossas relações, mas também no consumo de energia do planeta e na geração de pegada de carbono”.</em></strong></address>
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		<title>Ricardo Araújo lança o livro “Panorama da Animação em Salvador” durante o VI Animaí</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Dec 2024 18:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O jornalista e cineasta Ricardo Araujo mestrando em Cultura e Sociedade (UFBa), lança "Panorama da Animação em Salvador" durante Festival Baiano de Animação e Games.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Amanhã sexta-feira, 06 de dezembro, às 16h, o cineasta e jornalista Ricardo Araújo irá lançar seu livro &#8220;Panorama da Animação em Salvador&#8221;, no Cine Glauber Rocha, como parte da programação do VI Animaí – Festival Baiano de Animação e Games. O evento, que celebra a animação e os jogos digitais, será uma oportunidade para conhecer mais sobre o mercado de animação na cidade de Salvador.</p>
<p dir="ltr">O livro, que é fruto de sua pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade – Pós Cultura/UFBA, apresenta um panorama detalhado sobre a produção de animação na capital baiana, destacando os desafios e as potencialidades dessa indústria. Durante o lançamento, serão distribuídas algumas cópias gratuitamente para o público presente, além de uma roda de conversa com o autor, onde ele compartilhará suas descobertas e reflexões sobre o tema.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_29054" class="wp-caption aligncenter" style="width: 458px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-18.07.03.jpeg"><img class="size-large wp-image-29054 " title="WhatsApp Image 2024-12-05 at 18.07.03" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-18.07.03-819x1024.jpg" alt="Arquivo disponibilizado por Produtora executiva do projeto." width="448" height="560" /></a><p class="wp-caption-text">Divulgação do lançamento do livro</p></div>
<p dir="ltr">O projeto Panorama da Animação em Salvador é uma realização do coletivo de audiovisual independente Icon Estúdio, com projeto gráfico assinado por Eduarda Dellamagna (@vemnosal) e arte de capa de Rodrigo Miguez (@rodrigo.strauch). A produção executiva fica por conta de Joelma Stella e Stella Araújo.</p>
<p dir="ltr">O VI Animaí segue até o fim de semana (2 à 8 de Dezembro), celebrando a diversidade da animação e dos games. O lançamento do livro de Ricardo Araújo promete ser um dos destaques do evento.</p>
<p dir="ltr"><em>**** Revisado por Annandra Lís</em></p>
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		<title>A AGN marcou presença na edição de 20 anos do ENECULT</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Sep 2024 18:12:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Agência de Notícias Ciência e Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[A Agência de Notícia em CT&#038;I (AGN) acompanhou as discussões das mesas “Guerras Culturais”, “Plano Nacional de Cultura” e “50 anos do Mafro”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;" dir="ltr">A Agência de Notícias esteve presente na 20ª edição do Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (ENECULT), realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Centro de Estudos Multidisciplinares (CULT). Entre os dias 19 e 24 de agosto, o evento contou com mesas de debates e Grupos de Trabalho (GT’s) remotos e presenciais, além de lançamentos de livros. “Ser realizado vinte vezes consecutivamente não é uma realidade no Brasil. Deveria ser um modelo”, parabenizou João Cezar de Castro Rocha, pesquisador e professor da UERJ, no quarto dia do evento, no Salão Nobre da Reitoria, no Canela.</p>
<p dir="ltr">O evento, que é produzido com parceria do Pós-Cultura, IHAC, e FACOM, neste ano, discutiu sobre a importância da cultura como um lugar de combate. “Precisamos combater a intolerância, o racismo, a homofobia, a misoginia. E essas questões são muito importantes no plano da cultura. A cultura é um excelente ambiente de debate para que possamos superar certos aspectos da nossa sociedade, que ainda parecem promover a exclusão e a injustiça”, afirma o professor José Roberto Severino, pesquisador do CULT e integrante da Comissão de Programação do evento.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">&#8220;O ENECULT é o mais importante evento que reúne pesquisadores em cultura do Brasil e, nesses vinte anos, tem se colocado como protagonista nesse sentido. Daqui surgiram vários fóruns importantes que discutem cultura em outros setores da sociedade, porque o Enecult acaba sendo o palco onde as pesquisas são apresentadas. É o lugar de troca, de conhecimento, de pesquisas e de atualização das nossas discussões”, completa Severino.</p>
<p dir="ltr">Essa edição foi um marco cultural e político, e teve a presença majoritária de mulheres na organização. Além disso, contou com apresentações artístico-culturais baianas, a exemplo da deslumbrante Zambiapunga &#8211; A artimanha nordestina de lidar com a morte, da Quadrilha Junina Forró do ABC, a mais antiga de Salvador em atividade e campeã do Concurso da Federação de Quadrilhas Juninas da Bahia de 2024.</p>
<p dir="ltr"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/09/IMG_9796.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-28977" title="Quadrilha Junina Forró do ABC," src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/09/IMG_9796-768x1024.jpg" alt="" width="640" height="853" /></a></p>
<p dir="ltr">A Forró do ABC abriu a programação da quinta-feira (22) e reafirmou a presença da cultura baiana no ENECULT, despertando o público para as discussões que viriam. “Dança que abraça todos os corpos e é feita da periferia, com gente da comunidade. É a primeira escola de arte de muita gente. A quadrilha junina precisa ser valorizada a cada dia”, ressaltou Leonardo Teles, coordenador de teatro e marcador da apresentação.</p>
<p dir="ltr">
<h3>Confira as seguintes mesas que a AGN cobriu:</h3>
<ul>
<li dir="ltr">
<h3>Guerras Culturais, na manhã de quinta-feira (22), na Reitoria;</h3>
</li>
</ul>
<p dir="ltr">A mesa contou com a mediação da professora e pesquisadora Ohana Boy (UFBA); a exposição de Letícia Cesarino (UFSC), professora de pós-graduação em Antropologia Social e assessora no Ministério de Direitos Humanos; de João Cezar de Castro Rocha (UERJ), professor de Literatura Comparada; e de Fabiano Piúba (UFC), secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC e ex-Secretário de Cultura do Estado do Ceará. Como debatedor, Alexandro Barbalho (UECE).</p>
<p dir="ltr">A mesa discutiu sobre as disputas político-ideológicas ligadas à cultura que vemos em nossa sociedade, e seu impacto na democracia, nos direitos humanos e na diversidade cultural. Além disso, o modo como o uso inadequado das redes sociais fortalece esse cenário. Os convidados também abordaram sobre a estrutura política de nosso país e como a algoritmização das redes fica mais evidente nesse campo, tema pertinente frente ao início do processo eleitoral.</p>
<p dir="ltr">
<h3>Confira os destaques do debate:</h3>
<p dir="ltr">O debatedor Alexandre Barbalho fez as seguintes provocações depois da primeira rodada de exposições: Porque em 2024 ainda estamos discutindo sobre guerras culturais? Quais são as especificidades dessa guerra hoje, já que o conceito se iniciou no século passado?</p>
<p dir="ltr">João Rocha, autor do livro Bolsonarismo: da guerra cultural ao terrorismo doméstico (Belo Horizonte: Autêntica, 2023), expôs como a guerra cultural é uma “máquina de produzir narrativas, baseadas em fake news, e produzir inimigos em série, pela rejeição radical do outro.” Foi aclamado, também, que a Justiça Eleitoral tenha uma serenidade próxima ao tempo eleitoral, no âmbito do uso das tecnologias. Rocha explicou que é preciso ter uma “atenção, compreensão e percepção” do tempo pelo digital, e como os jovens são os mais inseridos nesse contexto.</p>
<p dir="ltr">Letícia Cesarino, autora de O mundo do avesso – Verdade e política na era digital (São Paulo: Ubu Editora, 2022), introduziu o conceito de metapolítica, que evidencia o crescente uso das redes, por parte de muito candidatos, para se favorecerem, querem “disputar pelo todo”, ocorrendo uma “privatização do público” através do espaço digital. Cesarino evidenciou que o crescente uso das redes para fins antidemocráticos dá origem a um espaço paralelo, com elementos desestabilizadores que ocorrem fora da institucionalidade democrática.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>“Acho que a guerra é isso mesmo: a gente descobrindo como adiar o fim do mundo”, afirmou Fabiano Piúba, ao citar Ailton Krenak.</strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/09/IMG_98031.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-28971" title="Enecult - 2024" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/09/IMG_98031.jpg" alt="" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></p>
</blockquote>
<p dir="ltr">Para assistir na íntegra, clique <a href="https://www.youtube.com/live/tElJsvGLBlA?si=dSMt0iJevbTwHQQM">aqui</a>.</p>
<p dir="ltr">
<ul>
<li dir="ltr">
<h3>Desafios para o novo Plano Nacional de Cultura, na manhã de sexta-feira (23), na Faculdade de Comunicação (FACOM);</h3>
</li>
</ul>
<p dir="ltr">A mesa foi mediada por Sophia Rocha com a exposição de Roberta Martins, Secretária dos Comitês de Cultura do Ministério da Cultura (MinC), socióloga, educadora e gestora cultural; de Guilherme Varella, professor da Faculdade de Comunicação da UFBA e autor do livro ‘Plano nacional de cultura: direitos e políticas culturais do Brasil’; de Fernanda Morgani, produtora cultural e conselheira do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC); e, Sofia Mettenheim da Coordenação Geral de Projetos Estratégicos do MinC.</p>
<p dir="ltr">Em 2024, ocorre a finalização da vigência do atual Plano Nacional de Cultura, instrumento que orienta o poder público na formulação de políticas culturais. A mesa discutiu sobre o  processo de construir um novo plano para os próximos 10 anos, levando em conta os desafios e as perspectivas para a sua formulação e implementação, considerando as demandas atuais da sociedade brasileira.</p>
<p dir="ltr">
<h3>Confira os destaques do debate:</h3>
<p dir="ltr">Roberta Martins abriu a mesa afirmando que “é inegável que a participação social deve ser um fio condutor” e ressaltou a importância do olhar das pessoas que compõem os conselhos culturais do país em relação às políticas culturais. Como primeira Secretária do Comitê de Cultura, ela apontou as responsabilidades de regulação legislativa, animação, divulgação e estimulação da participação social  do Sistema Nacional de Cultura na construção do Novo Plano Nacional. Para Martins, então, as discussões partem das reflexões sobre como o Estado Brasileiro se organiza e se estrutura. Além disso, leva em conta a participação da sociedade civil e de como elas se tornam permeáveis, para uma ampliação da participação nos debates.</p>
<p dir="ltr">A ideia de que o novo plano deve ser pensado e construído de forma conjunta entre a sociedade civil e a categoria governamental continuou a guiar a conversa. Essas políticas não podem ser construídas de forma isolada do contexto histórico geral que vivemos, tão pouco se separa das medidas estruturantes que entrecruzam a área cultural, como a estabilidade econômica nacional.</p>
<p dir="ltr">Ela afirmou que “a realização da cultura é feita pelos territórios e pela comunidade, deve ser permeada por muitas vozes e muitas perspectivas. Fundamentalmente não pode ser pensada de forma separada do contexto.”, a ideia foi compartilhada por Sofia Mettenheim que trouxe a perspectiva de como o plano deve ser organizado, de maneira que o controle social se identifique e tenha nitidez para saber em quais metas devem se agarrar. “Metas pela qual a sociedade civil sinta que vale a pena lutar”, reforça Sofia.</p>
<h3>Sistematização do Plano Nacional</h3>
<p dir="ltr">O Plano Nacional está na sua fase de sistematização, organização das 30 propostas bases vindas de conferências estaduais e municipais, que viraram o “coração” para pensar a consolidação do plano com as diretrizes e  princípios, além de identificar os objetivos e metas para transformar o plano em um instrumento de planejamento efetivo. Após a formulação base, o plano volta à discussão para saber se a sociedade civil ainda se identifica, se existem furos ou lacunas, e então, após a consolidação, é encaminhado para o Congresso Nacional em forma de Lei.</p>
<p dir="ltr">Segundo Sofia, o fomento cultural se moldou e cresceu atrelado aos recursos dos editais culturais. Ela considera que o marco desse novo plano é a exigencia dos tempos atuais de um posicionamento mais intencional da política cultural “para fazer frente a violências e desigualdades históricas, estruturantes da sociedade brasileira e como a política cultural incide nelas.”</p>
<p dir="ltr">Para Fernanda Morgani, a sociedade tem o papel fundante e estruturante para a criação de políticas culturais. A produtora cultural declarou que está sendo desenvolvido um processo de simplificação de termos para amenizar o problema de representação limitada existente,  de forma que a sociedade como um todo possa entender o plano. Ela exaltou, entre alguns resultados da conferência nacional de cultura, o plano setorial de arquivos que se conecta com o plano nacional de educação, “a gente vivencia a cultura a partir do momento em que entramos na escola, que começamos a interagir com outras pessoas, e que nos reconhecemos como ser humano. Cultura é isso, nossa forma de ser e de se manifestar” .</p>
<p dir="ltr">Guilherme Varella reafirmou que o novo plano não é a atualização do anterior, e sim que vem como a síntese de todos os pontos trazidos como teses. Para ele, o plano dá sentido programático para os investimentos, e tem a oportunidade de mudar a cultura institucional de planos, devido a sua dupla função jurídica: garantia institucional, assegurando os direitos, e a função de lei quadro, que funda as premissas de atuação do estado.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;" dir="ltr"><strong>“Todo sistema é programado, o sistema nacional de cultura é a arquitetura que o plano nacional sustentará.”  -  Guilherme Varella</strong></p>
</blockquote>
<p dir="ltr">Guilherme trouxe a perspectiva também da institucionalidade do campo cultural, diferente dos outros campos como o da saúde e o trabalhista. “Quando a gente fala de um instrumento de planejamento do estado, como é o plano nacional de cultura, estamos falando do limite de um mecanismo de concretização de direito.”</p>
<p dir="ltr">O professor reforça que os direitos são perenes e ativados pela própria mudança da organização, para ele, os direitos culturais dão o sentido constitutivo das instituições que vão ser responsáveis pelas políticas públicas. “Direitos culturais, não falando da sistematização e organização de demandas, as demandas são circunstâncias e podem mudar conforme a realidade cultural, e conforme a própria organização social da cultura.”</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">Confira na íntegra <a href="https://www.youtube.com/live/aHHTpzsYPkU?si=PQBWp5Q3LZRklcAi">aqui</a>.</p>
<p dir="ltr">
<ul>
<li dir="ltr">
<h3>Mesa “Mafro cinquenta anos (1974/2024): Tempo de história, ações e visadas aos acervos e às peças” (GT Patrimônios Culturais e Memória) &#8211; INCT NA FACOM</h3>
</li>
</ul>
<p dir="ltr">O Museu Afro-brasileiro da Universidade Federal da Bahia, Mafro, completou 50 anos e promoveu junto ao Grupo de Trabalho (GT) Patrimônios Culturais e Memória, a mesa “Tempo de história, ações e visadas aos acervos e às peças&#8221;. A programação realizada no auditório da Facom, iniciou com a presença do professor  José Roberto Severino (UFBA), e teve apresentações dos trabalhos “A criação do museu afro-brasileiro e a formação de sua coleção de cultura material religiosa afro-brasileira”, por Juipurema Sandes (MAFRO/UFBA); “Exposição educadora: revisitando o conceito”, por Marcelo da Cunha (UFBA) , que também coordenou a mesa; “A documentação do museu afro-brasileiro da UFBA”, por Ilma Vilasbôas (MAFRO/UFBA) e o “Estudo sobre o mural dos Orixás: Carybé faz festa na barriga de Iemanjá”, por Waldelice Souza (UFRJ &#8211; MAFRO/UFBA).</p>
<p dir="ltr">O Mafro é sediado em Salvador, possui um acervo de mais de 1100 peças entre material de cultura africana e afro-brasileira, criado em 1974, e inaugurado em 1982. Os expositores apresentaram a história  de criação do museu, a composição cultural das peças, a relação com a cidade, os dados, as formas de organização do acervo por análises partindo dos trabalhos apresentados na tarde desta sexta-feira.</p>
<p dir="ltr">
<h3>Confira os destaques do debate:</h3>
<p dir="ltr">Juipurema Sandes abriu o debate contando a história do museu,  a partir da chegada das obras e da criação dos acervos. Sandes dividiu a  formação da coleção de cultura material religiosa afro-brasileira em quatro grupos de entrada, o primeiro de 1961, aquisições vinculadas ao CEAO &#8211; Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA; o segundo de 1975 até 1977, referente à assinatura do convênio com o Ministério das Relações Exteriores; o terceiro grupo de entrada de 1981, quando aumentou as aquisições para a coleção afro-brasileira, ainda haviam poucas doações; e por último a entrada de 1982 a 1992 quando as doações ganharam força com a comunicação entre os terreiros.</p>
<p dir="ltr">Ainda segundo Juipurema, todos os terreiros que fizeram doações de artefatos religiosos para o MAFRO tinham alguma relação entre si, propagando o entendimento do Museu como preservação de história. A instituição também recebeu  doações de artistas plásticos e  blocos-afros, de maneira que, enquanto até o ano de 1979 a maior parte da coleção era africana, em 1981 a maior parte já havia se tornado afro-brasileira.  “Quando a gente observar o processo de formação da coleção religiosa, a gente vai ver que ela é fruto do entendimento da comunidade e da importância do museu”, afirma Marcelo Cunha, coordenador do museu.</p>
<p dir="ltr">A museóloga Ilma Vilasboas contou sobre o aspecto de documentação do MAFRO, explicando o projeto existente de pesquisa e estudo sobre os documentos das peças recebidas durante esses anos pelo Museu Afro-brasileiro. Ilma explicou que o objetivo inicial da pesquisa era fazer um diagnóstico inicial para compreender o volume documental que compõe esse arquivo institucional do acervo, mas que se desenvolveu no objetivo de criar uma linha do tempo da documentação da instituição cultural.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;" dir="ltr"><strong>“O objetivo de apenas traçar os documentos se ampliou para entender a memória do próprio setor” &#8211; Ilma Vilasboas</strong></p>
</blockquote>
<p dir="ltr">Vilasboas explicou a metodologia de pesquisa e mapeamento dessas informações, apresentou os pontos que estão sendo analisados neste processo e as diretrizes, que falam sobre o acervo. Como o artigo 40: “Os inventários museológicos e outros registros que identifiquem bens culturais, elaborados por museus públicos e privados, são considerados patrimônio arquivístico de interesse nacional e devem ser conservados nas respectivas instalações dos museus, de modo a evitar destruição, perda ou deterioração.” Menciona também  o código de ética profissional, exaltando a preservação e cuidados para com as peças do acervo.</p>
<p dir="ltr">Finalizou a sua fala apontando para ações como a elaboração de políticas e protocolos para o gerenciamento do museu como a criação de uma comissão de acervo, políticas de aquisição e de descarte/desvinculação. A museóloga afirmou a existência do projeto “Acervo Online”, um banco de dados digital para possibilitar o acesso às informações do levantamento sobre cada peça e a sua história.</p>
<p dir="ltr">Marcelo Cunha, em sua exposição da visão educacional do Museu afirmou que, ainda nos dias de hoje, o museu não é uma unidade, mas sim um lugar que emerge do mundo social, construído por meio de processos de aprendizagens, como um recorte da realidade construída. As exposições, segundo Marcelo, seriam o espaço privilegiado de observação do mundo social. “No imaginário coletivo, os museus existem para fazer exposições, mas os museus não existem para fazer exposições, as exposições são ferramentas que devem ser entendidas para comunicar”, afirmou.</p>
<p>Confira na íntegra<a href="https://www.youtube.com/live/5sYyubIiGVM?si=IQSxjg5RK5Lbyl53"> aqui</a>.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Racismo Ambiental: Quem tem medo da chuva?</title>
		<link>http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/racismo-ambiental-quem-tem-medo-da-chuva/</link>
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		<pubDate>Fri, 12 Jul 2024 15:30:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Emergências Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Nordeste de Amaralina]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Salvador]]></category>

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		<description><![CDATA[A AGN ouviu pessoas afetadas e especialistas sobre o conceito e impactos do racismo ambiental ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">
<div id="attachment_28862" class="wp-caption alignnone" style="width: 527px"><a href="https://www.edgardigital.ufba.br/?p=21654"><img class="size-full wp-image-28862 " title="Imagem do WhatsApp de 2024-07-11 à(s) 15.22.42_37b2406e" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/07/Imagem-do-WhatsApp-de-2024-07-11-às-15.22.42_37b2406e.jpg" alt="Foto: Site Edgar Digital Ufba" width="517" height="376" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Site Edgar Digital UFBA</p></div>
<p dir="ltr"><em>“Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia com seu abraço. E com os olhos alagados de pranto balbuciava rezas a Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse sobre nós. E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva&#8230; Sei que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao vento. Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, chorava!”</em> &#8211; Olhos d’água, Conceição Evaristo</p>
<p dir="ltr">A relação cultural com a chuva pode dizer muito sobre a situação de fragilidade de uma comunidade, fenômeno esse que reforça e evidencia as desigualdades dessas populações. Nesse contexto, o racismo ambiental se revela um agravador da condição de inúmeras famílias e pessoas pelo Brasil. Nos últimos anos, em Salvador, as fortes chuvas causaram danos severos em comunidades de maioria populacional preta e pobre, que se veem mais expostas aos seus impactos. O problema torna-se ainda maior quando combinado com a ascensão das emergências climáticas que afetam o planeta.</p>
<p dir="ltr">O termo racismo ambiental foi originado na década de 1980 pelo Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr., químico e líder dos movimentos de direitos civis dos negros nos Estados Unidos, durante protestos contra depósitos de resíduos tóxicos no condado de Warren, na Carolina do Norte, lugar esse habitado majoritariamente por negros/as, que se viam injustiçados com o acúmulo de lixo em sua região.</p>
<p dir="ltr">O conceito tornou-se um campo de estudo que visa explicar porque populações pobres e de maioria preta são prejudicadas e excluídas. O racismo ambiental pode ser entendido como um estudo do ambiente, da maneira que é manipulado e construído, de como a cidade é feita e pensada para potencializar o racismo estrutural. Os avanços da cidade e os investimentos em infraestrutura não alcançam de forma homogênea todos os bairros. Muitos permanecem sem saneamento básico, áreas verdes, rede integrada de mobilidade urbana etc. Apesar da organização dos moradores e do apoio técnico oferecido por ONGs e coletivos, as necessidades dessa parcela da população não são plenamente atendidas. O racismo ambiental acontece em todas essas etapas, desde a tentativa de implantação de um depósito de resíduos tóxicos em uma região já habitada nos EUA, até a dificuldade para entrar e sair do seu próprio bairro em Salvador.</p>
<p dir="ltr">A Agência de Notícias entrevistou o ativista climático Marcelo Rocha, que nos explicou sobre essa definição. Natural de Mauá, cidade do ABC paulista, ele é fundador do <a href="https://www.instagram.com/institutoayika/">Instituto Ayika</a>, organização que atua na intersecção entre raça, clima, gênero e território: “[O racismo ambiental] parte muito de um conceito dessa supremacia branca de subjugar tudo aquilo que não é essa humanidade branca. É a partir desse momento que esse mesmo homem branco descarta a humanidade da pessoa preta. [...] Parte da colonialidade, da exclusão e do processo estrutural das questões de raça”.</p>
<p>Para Rocha, entretanto, o termo ainda não é devidamente divulgado e carece de um entendimento amplo. “As pessoas não conseguem identificar [casos de racismo ambiental], porque a  deseducação é uma violência”, disse. Segundo ele, a culpa dos eventos que cercam o problema é posta sobre os próprios afetados, devido ao preconceito enraizado. “A gente é educado a entender que o problema é da comunidade, que o problema é das pessoas que estão ali, então isso vai afastando as pessoas do entendimento completo das questões”, concluiu.</p>
<p dir="ltr">O ativista também falou sobre os processos de agravamento das emergências climáticas, que se tratam de grandes transformações no clima que acarretam em consequências globais para o meio ambiente. O impacto causado pelas emergências cresceu exponencialmente em todo mundo, o que intensificou a vulnerabilidade de vítimas do racismo ambiental devido aos desastres naturais, grandes tempestades e outros episódios. Segundo ele, a falta de um planejamento urbanístico torna precária a situação de comunidades e áreas carentes, e faz dos eventos extremos ainda mais perigosos. “A questão do racismo é de tamanha ignorância [...] porque ele não consegue perceber que, se não construir uma cidade para todos, a cidade não é para ninguém.”</p>
<p>Morando em Mauá, ele também conta que as experiências vividas na infância e adolescência o influenciaram a atuar no ativismo. Marcelo diz que, ao longo dos anos, viu sua cidade ser tomada por indústrias e perder sua reserva natural, causando doenças respiratórias na população devido aos resíduos atmosféricos. “Essa cidade é formada por pessoas pretas, a maioria vinda do nordeste brasileiro, como a minha família, que veio do Piauí fugindo da época da seca”, compartilhou.</p>
<p><strong>Experiências pessoais e a relação com a cidade de Salvador</strong></p>
<p dir="ltr"><a href="https://colapso.ggf.br/equipe/jilvana-ferreira-da-s-souza/">Jilvana Ferreira</a>, pesquisadora e geógrafa que atua no contexto do racismo ambiental, também foi influenciada por experiências pessoais. Baiana e de descendência afroindígena, seu trabalho é focado nas chuvas em Salvador. Ela é mestranda em Estudos Ambientais e Análise do Território pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e integrante do grupo de pesquisa Colapso. Em entrevista à AGN, contou sobre episódios de alagamentos que enfrentou em uma residência universitária.</p>
<p dir="ltr">Jilvana relata que quando entrou na UFBA como cotista, foi alocada no quarto “destinado aos estudantes pobres” da moradia. O local, que estava em situação precária, sofria com severos alagamentos nos períodos de chuva. “Era sempre um pânico quando chovia. Nós não dormíamos. A partir daí, eu comecei a ter um pouco de trauma da chuva. [...] A casa estava num processo de abandono. Uma casa cheia de pretos e gays no Corredor da Vitória”, analisou. Ela ainda compara com o diferente olhar que tinha sobre a chuva quando morava no interior da Bahia, em Senhor do Bonfim, sua cidade natal: “A relação que eu tinha com a chuva era de alegria, porque lá é uma região quase semiárida. Quando chovia era festa”.</p>
<p dir="ltr">A pesquisadora também falou sobre a importância e dificuldade do papel dos grupos e lideranças comunitárias na busca de resoluções: “É um papel de cobrança pela atuação do poder público. [...] Ter que estar, ao mesmo tempo, fazendo seu corre do dia e se mobilizando é bem complicado”. Para ela, a atuação de órgãos públicos ainda é insuficiente perante os problemas causados pela chuva. “71% das causas de mortes por deslizamento em Salvador são resultado de fatores como problemas de contenção de encostas, precariedade de habitações e saneamento básico. São questões resolvíveis. São questões que poderiam ser realizadas, mas o Estado não tem interesse em resolver”, denunciou.</p>
<p dir="ltr">Em entrevista, Sosthenes Macedo, diretor geral da <a href="http://www.codesal.salvador.ba.gov.br/">Defesa Civil de Salvador (Codesal)</a>, contou à AGN o trabalho feito pelo órgão. Ele explicou que todas as áreas de risco possuem um sistema de alarme contra deslizamentos. Há 147 sensores na cidade e as sirenes são acionadas a partir da contagem de 150mm em até 2 horas. Através do SMS 40199, a população é informada sobre as mudanças de nível da água. Na crescente, os moradores devem se dirigir a abrigos provisórios em escolas próximas.</p>
<p dir="ltr">Macedo explicou que a Codesal realiza simulados de evacuação, e que o trabalho de monitoramento da Defesa se dá “24h por dia, não só quando chove.” E que, em qualquer momento, a população deve solicitar vistorias através de ligações pelo 199. O diretor afirmou que elas são realizadas quando sinalizadas e, segundo ele, independente da condição socioeconômica da área.</p>
<p dir="ltr"><strong>Nova República: há um muro no meio do caminho</strong></p>
<p dir="ltr">Dona Vera Lúcia, líder comunitária e presidente da Associação de Moradores da Nova República, localizada no bairro de Santa Cruz, no Nordeste de Amaralina, em Salvador, compartilhou em entrevista à AGN. “[Nós] estamos [indo] aos poucos, né? Eu já estou perto de me aposentar porque eu já estou cansada”. A comunidade, historicamente negligenciada pela gestão pública, enfrenta dificuldades por conta de sua localização, da violência e das áreas de risco.</p>
<p dir="ltr">De acordo com ela, os habitantes de Nova República realizavam um caminho rápido pelo Parque da Cidade para chegar ao ponto de ônibus mais próximo. Em 2000, o poder público construiu um muro que separa a comunidade do Parque, apelidado de “Muro da Vergonha” pelos moradores. Ainda que o antigo trajeto fosse longo, após a construção do muro, a situação ficou ainda pior. Diariamente, eles têm que lidar com o isolamento e a insegurança, pois além da grande distância, existe a falta de segurança durante o deslocamento.</p>
<p dir="ltr">A Associação trabalha promovendo ações de educação e projetos sociais para os moradores, criados para ajudar pessoas em vulnerabilidade social, distribuindo lanches e cestas básicas quando conseguem parceria. “O nosso foco é ajudar mais as pessoas que estão precisando de uma cesta básica, precisando de um médico. [...] E a gente não tem condições de fazer mais do que isso”, declarou Dona Vera.</p>
<p dir="ltr">De acordo com o Censo de 2010, do <a href="https://www.ibge.gov.br/">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)</a>, a população do Nordeste de Amaralina tem o total de 21.887 habitantes, sendo 49,13% autodeclarada parda e 39,15% autodeclarada preta. 54,42% é do sexo feminino.</p>
<p dir="ltr">Com os dados retirados do Dossiê Encosta, feito pelo <a href="https://www.instagram.com/coletivoescalar/p/C6Hof_mpPFT/?img_index=7">Coletivo Escalar</a>, em Nova República, a maioria dos/as moradores/as é do sexo feminino (57,4%) e negra, somando-se pretos/as e pardos/as, 98,1%. 56,3% das famílias tem renda mensal de 0-1 salário mínimo; 76,9% dos/as moradores/as dizem que não possuem drenagem de água da chuva, e a alta umidade contribui para a ploriferação de mofo e bactérias; 52,9% dos habitantes dizem que existem problemas com a estrutura da casa.</p>
<p><strong>A encosta</strong></p>
<p>Em 2018, a Associação de Moradores de Nova República entrou em contato com a Defesa Civil de Salvador (Codesal) para alertar sobre uma denúncia que havia recebido de moradores/as preocupados/as com uma encosta que estaria apresentando riscos de ceder. Desde então, a Associação está articulada junto ao Coletivo Escalar em busca de soluções.</p>
<p dir="ltr">O <a href="https://www.instagram.com/coletivoescalar/p/C6Hof_mpPFT/?img_index=7">Coletivo Escalar</a> é um grupo que presta assessoria técnica de arquitetura, urbanismo e geografia, atuando com grupos organizados, desde associações de moradores a movimentos sociais. Essa iniciativa surgiu dentro da UFBA e hoje atende às comunidades de Salvador.</p>
<p dir="ltr">Em 2019, o Coletivo, junto a Associação de Moradores/as, formalizou o Grupo de Ação da Encosta da Nova República, para estudar e entender as demandas e as vulnerabilidades dos/as moradores/as, qual era a real situação do local e o que poderia ser feito para melhorar ou resolver o risco da comunidade. “Desde 2020 a gente entrou juntamente com a associação de moradores com uma ação civil pública no Ministério Público da Bahia para conseguir a elaboração de um projeto de construção de uma contenção no local”, conta Luíza Gusmão, integrante do Coletivo desde a graduação em arquitetura na UFBA. A comunidade não possui um sistema de sirenes para casos emergenciais, como nos foi relatado.</p>
<p dir="ltr">Entramos em contato com a Secretaria de Infraestrutura de Salvador (SEINFRA) e não tivemos uma resposta sobre como estaria o processo de solicitação de vistoria e contenção até o fechamento desta reportagem.</p>
<p dir="ltr">Quanto à região, o diretor da Codesal explicou que o Nordeste de Amaralina não se enquadra como uma área de risco geológico, mas que contém pontos de risco, com a presença de geomantas instaladas, <a href="https://www.correio24horas.com.br/salvador/uma-a-cada-tres-areas-de-risco-de-salvador-tem-geomanta-ou-contencao-de-encosta--1021#:~:text=Essa%20geomanta%20tem%201%2C4,seja%20realizado%20uma%20manuten%C3%A7%C3%A3o%20regular.">formadas por um composto de PVC e geotêxtil com cobertura de argamassa jateada, que impede a água de permear o solo e provocar deslizamentos.</a> Segundo ele, o que se observa são construções de risco irregulares, como o exemplo dado de casas construídas em cima de canais (hidráulicos), que tiveram o afundamento como consequência. A Defesa, durante as vistorias, informa ao morador, mas Sosthenes afirma que “o risco construtivo é privado”.</p>
<p dir="ltr">O caminho para chegar à justiça ambiental é longo e passa por várias discussões complexas da sociedade. É de extrema importância que esse conceito alcance as pessoas afetadas e desperte a atenção da população como um todo. Como explica Marcelo Rocha, “existem vários caminhos. Um primeiro, muito importante, é a educação. Ela está na base da construção dessa nova sociedade. A educação está na base da construção desse futuro”.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">
<p dir="ltr"><em>*Revisado por: Annandra Lís, Cinthia Maria, Larissa Lima, Nádia Conceição, Nauan Sacramento e Nathalí Brasileiro</em></p>
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		<title>AGN e AECC realizam visita à agência de publicidade Morya</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Jun 2024 15:20:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noticia da home]]></category>
		<category><![CDATA[Noticias]]></category>
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		<description><![CDATA[Encontro fortaleceu o contato entre universitários e mercado de trabalho]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">
<p dir="ltr"><img src="https://lh7-us.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXc-IMofhlFmmym0oZItPeHY5eIYoR-TWDslAfdAp5-QRa3S0eIHXcN4rnLvDPefArb9-6jraFllsolT7sG34KREBdvl5oZVvUovcRJN0vEh00YHGLf9FhUKEUaDO1MU4Y5u8D_QVpfSFJ6HSadmYHHRc7E?key=bH1VowBt6LyzBfyhvPY6cA" alt="" width="602" height="451" /></p>
<p dir="ltr">A Agência de Notícias em parceria com a Experimental em Comunicação e Cultura da FACOM visitou a Morya, agência de publicidade baiana, localizada no Stiep, no último dia 21. Os agenciadores puderam ter contato com os bastidores da empresa, presente no mercado publicitário desde 1956.</p>
<p dir="ltr">A estudante de jornalismo Isabel Queiroz relata que o encontro ajudou a sanar algumas dúvidas referentes a área da publicidade e compreender as possibilidades de atuação como comunicadora. “Foi uma experiência bem legal, achei interessante todo trabalho que eles fazem. Me despertou curiosidade mesmo, sabe? Abriu meus olhos para as possíveis áreas de atuação do jornalista, que pode se encontrar além dos trabalhos tradicionais”, compartilha Isabel.</p>
<p dir="ltr">Durante a manhã, a equipe apresentou os trabalhos desenvolvidos com parceiros públicos, privados, e instituições beneficentes, como: Shopping Salvador, Governo da Bahia e Instituto de Cegos da Bahia.</p>
<p dir="ltr">A Morya se destaca no mercado com campanhas de conscientização, como &#8220;NAQUELA MESA&#8221; (link yt), produzida para o Governo do Estado, no período de pandemia da Covid-19. Em 2021, a produção rendeu o prêmio Profissionais do Ano da Rede Globo com sua repercussão regional e nacional.</p>
<p dir="ltr"><span style="text-align: center;">A agência conta com profissionais de diversas áreas da comunicação: como jornalismo e produção cultural. Laís Gomes, executiva de atendimento, e Lara Miranda, redatora, são ex-faconianas e explicaram a prioridade da Morya em experiências e habilidades do colaborador, para além do curso de formação.</span></p>
<div id="attachment_28819" class="wp-caption aligncenter" style="width: 280px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/06/829a68bb-764e-4de0-b84d-8a4fc2470a08.jpg"><img class="size-large wp-image-28819 " title="829a68bb-764e-4de0-b84d-8a4fc2470a08" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2024/06/829a68bb-764e-4de0-b84d-8a4fc2470a08-625x1024.jpg" alt="" width="270" height="443" /></a><p class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita, Lara Miranda, José Roberto Severino e Laís Gomes</p></div>
<p style="text-align: center;" dir="ltr">
<p dir="ltr">A visita é reflexo da retomada de atividades do Grupo Mídia Bahia com universidades de Comunicação do estado, para aproximar os futuros profissionais do mercado de trabalho.</p>
<p dir="ltr">Para Paula Carvalho, executiva de planejamento, essa parceria é muito importante para estreitar laços com a universidade e promover uma troca de conhecimento entre alunos e profissionais.</p>
<p dir="ltr">“Acreditamos que vocês são os profissionais do futuro. Precisamos contar realmente o que a gente faz. Aprendemos muito com os alunos das Universidades. O mercado está em constante transformação, então precisamos ouvir os novos profissionais”, afirma Paula.</p>
<p dir="ltr">O contato com a Morya incentiva uma imersão nesse mundo do trabalho, como compartilhou o professor e tutor das Agências, José Roberto Severino, que acompanhou os estudantes.</p>
<p dir="ltr">“A visita abriu um horizonte de como o trabalho é em equipe e funciona de modo interdisciplinar. Isso mostra que o que a gente faz na própria agência é uma espécie de balão de ensaio dessa possibilidade”, ressalta Severino. Ele encoraja a continuação da parceria, que pode trazer bons resultados na formação dos alunos &#8211; inclusive com possibilidades de ações na própria FACOM.</p>
<p dir="ltr">
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		<title>Diálogos Fotográficos: Fotografia, Juventude e Periferia</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Nov 2023 19:57:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[Facom]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Ufba]]></category>

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		<description><![CDATA[Laboratório de Fotografia da Universidade Federal da Bahia realizou a segunda edição do projeto “Diálogos fotográficos” no auditório da Faculdade de Comunicação]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na última sexta-feira, 24,  ocorreu a segunda edição do “Diálogos Fotográficos”, projeto desenvolvido pelo Laboratório de Fotografia da Universidade Federal da Bahia (Labfoto). O evento teve início às 10 da manhã e contou com a presença dos fotógrafos Amanda Tropicana, Gabriela Palha e Gabriel Amorim. O encontro ocorreu de forma gratuita no auditório da Faculdade de Comunicação (Facom-UFBA).</p>
<p>O principal objetivo do projeto é realizar ciclos de debates mensais, palestras e apresentações sobre o tema “Fotografia, Juventude e Periferia”. Para isso, são convidados profissionais de diversas áreas da cidade para compartilhar sobre suas vivências dentro da profissão.</p>
<div id="attachment_27960" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2023/11/IMG_3677.jpg"><img class="size-large wp-image-27960" title="Mesa Diálogos Fotográficos: Fotografia, Juventude e Periferia" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2023/11/IMG_3677-1024x768.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Mesa Diálogos Fotográficos: Fotografia, Juventude e Periferia</p></div>
<p>Durante o debate, os convidados abordaram a importância de encontrarem na fotografia um modo de representar suas realidades. O fotógrafo e estudante de história, Gabriel Amorim, descreve a fotografia como um ato político. “Entender o que de fato acontece em Salvador é uma resposta à centralização da arte que fica no Sul e Sudeste”, afirma.</p>
<p>Já a fotógrafa moçambicana Gabriela Palha, falou sobre como a fotografia mudou a sua forma de se relacionar com as pessoas e com a cidade. Além disso, reforçou a importância dela no registro de memórias de grupos historicamente invisibilizados.</p>
<p>Amanda Tropicana, fotógrafa premiada esse ano no Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger (1º lugar) na categoria “Ancestralidade e Representação”, falou da importância de desconstruir a imagem dos fotógrafos negros, que ainda são vistos de forma caricata e estereotipada. Para a fotógrafa, eventos como “Diálogos Fotográficos&#8221; conseguem mudar esse cenário, ainda que de forma gradual. “Ver colegas no mesmo espaço é motivador”, relata Amanda.</p>
<p>Para o professor Rodrigo Rossoni, atual tutor do Labfoto, o projeto desempenha um importante papel no diálogo entre a comunidade externa e a comunidade acadêmica, além de trazer visibilidade para os profissionais convidados. “Poder realizar um evento como esse aqui através desses jovens talentos fotógrafos, com realidades tão distintas, acho que enriquece o debate e valoriza o trabalho que está sendo feito por esse jovem”, afirma o professor.</p>
<p><em>*Apuração: Sofia Nachef e Cinthia Maria</em><br />
<em>*Revisão: Beatriz Nascimento e Nathali Brasileiro</em></p>
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		</item>
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		<title>Facom sediará pela primeira vez Colóquio de Cinema e Arte da América Latina</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 21:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ciencia e Cultura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Noticias]]></category>
		<category><![CDATA[Últimas Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Agência de Notícias Ciência e Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[evento]]></category>
		<category><![CDATA[Facom]]></category>
		<category><![CDATA[Ufba]]></category>

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		<description><![CDATA[IX edição do COCAAL acontecerá de 19 a 22 de setembro de 2023 na Faculdade de Comunicação da UFBA
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o tema Latinidades Afro-ameríndias, o IX Colóquio de Cinema e Arte da América Latina (COCAAL), acontecerá pela primeira vez em Salvador, entre os dias 19 e 22 de setembro. Neste ano, a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sediará evento que propõe discutir intersecções latinas com culturas africanas e ameríndias. Uma das organizadoras do evento, Regina Gomes, pesquisadora de Recepção e Crítica da Imagem e professora de comunicação audiovisual na Facom, fala sobre suas expectativas e avalia a importância do evento para a comunidade da UFBA.</p>
<div id="attachment_27057" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2023/09/a34cfdae-7845-4d09-bdfc-e82333492c52.jpeg"><img class="size-large wp-image-27057" title="Foto: divulgação" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2023/09/a34cfdae-7845-4d09-bdfc-e82333492c52-1024x1024.jpg" alt="" width="640" height="640" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: divulgação</p></div>
<p>O evento internacional, que teve suas duas primeiras edições na Universidade Federal de São Paulo e expandiu sua atuação para outros locais do Brasil e exterior (México &#8211; 2016), desembarca pela primeira vez em Salvador propondo pensar a América Latina no plural, por meio da noção de latinidades. Além de reivindicar, por meio do adjetivo afro-ameríndias, a possibilidade de multiplicação de perspectivas para reinventar a vida em comum no continente, nos campos do cinema e da arte. Entre os eixos temáticos estão Cinema, arte e educação; Poéticas sonoras e musicais; Coletivo, comunal, comunitário; Meio-ambiente e ecologias decoloniais; Audiovisualidades insurgentes; Artes e hibridismos. Durante a IX edição do COCAAL,ocorrerão também um conjunto de atividades de caráter formativo, como projeção de filmes, minicursos, debates e conferências, com acesso gratuito e em parceria com equipamentos culturais e instituições de ensino básico da rede pública.</p>
<p>Em nome da equipe organizadora, que contempla professores da FACOM e de outras universidades (UFRB, UESB, UFPEL), Regina Gomes, fala com entusiasmo sobre as expectativas para o evento. “A nossa expectativa é muito boa. Vamos receber centenas de pesquisadores e artistas do Brasil e da América Latina e a troca de conhecimento e saberes só beneficiará a todos e todas. Alguns nunca estiveram na Bahia e estão ansiosos para compartilhar e discutir temas urgentes da área. Já estamos com a infraestrutura organizada, contamos com vários apoios desde a FACOM, PósCom, Capes, UESB, Proext e também da Produtora Jr.” explica.</p>
<p>Regina frisa ainda que, desde o pré-COCAAL, já está na pauta do evento tratar de questões, que segundo ela, são muito necessárias e por vezes não são alcançadas como: Audiodescrição no Audiovisual, Cinemas Latino-Americanos em Sala de Aula e  Comédia no Cinema argentino. A professora chama atenção também para a importância da realização do evento na unidade. “É a primeira vez que o Colóquio acontece na região Nordeste, o que significa a busca para romper com a disparidade epistemológica regional. Que eu lembre, a FACOM nunca recebeu um Colóquio com tamanha importância.” finaliza.</p>
<p>O quê? Colóquio de Cinema e Arte da América Latina<br />
Quando? 19 a 22 de setembro<br />
Onde? Faculdade de Comunicação da UFBA, Salvador.<br />
Confira a programação completa no site do evento: <a href="https://cocaal.com/">Site oficial do COCAAL<br />
</a></p>
<p><em>Revisado por: Beatriz Nascimento, Cinthía Maria, Nathalí Brasileiro</em></p>
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