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	<title>Ciência e Cultura &#187; Entrevistas</title>
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	<description>Agência de notícias sobre ciência, tecnologia e inovação da Bahia</description>
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		<title>Gravidez na adolescência: Os impactos de ser mãe e adolescente</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 16:37:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A difícil tarefa de conciliar maternidade, responsabilidade, adolescência e acolhimento]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A descoberta de uma gravidez é sempre um misto de emoções e questionamentos, algo que as mulheres que se tornaram mães na adolescência experimentaram e ainda experimentam com certa frequência. Nesses casos as adolescentes são recriminadas pelo simples fato de terem engravidado, como conta Laiane Soledade, confeiteira autônoma, que se tornou mãe solo aos 15 anos: “as maiores dificuldades durante a gravidez foram as questões de gerar uma nova vida, os olhares, as críticas e o isolamento das pessoas, pois elas se afastaram muito de mim”, explica a confeiteira.</p>
<p dir="ltr">
<p dir="ltr">A família entra com o papel de instruir os adolescentes sobre os riscos de uma gravidez indesejável e modos de contracepção, tendo em vista que a maior parte dos adolescentes já iniciaram a sua vida sexual. A família também é importante no papel de apoio emocional em caso de uma gravidez na adolescência, esse apoio parental nessas horas são fundamentais para que as adolescentes se sintam acolhidas, Laiane Soledade declara: “A pessoa que mais me apoiou foi minha mãe, [...] ela é uma pessoa muito rígida, mas ela foi muito acolhedora, ela foi o meu suporte mesmo triste, pois ela não esperava. Engravidei aos 14 e dei à luz aos 15 anos, ela foi a pessoa que mais me apoiou e minha irmã também” – mostrando que o apoio familiar foi um fator determinante e encorajador na vida de Laiane.</p>
<p dir="ltr">Mianga Gavião, conselheira tutelar, afirma que existe um impacto na vida dos pais e mães adolescentes: “A gravidez na adolescência é uma situação que a gente sabe sim que tem impacto, seja na saúde mental, na questão dos estudos, na socialização, essa gravidez vai trazer impacto na vida daquele e daquela adolescente”, declara a conselheira.</p>
<p dir="ltr">Para além das preocupações de como as famílias irão reagir a tal notícia, existem fatores que implicam ainda mais a vida dessas adolescentes, pois elas terão que aprender a conciliar estudos, trabalho, o cuidado de um recém-nascido e a sociedade que os cercam. Para Laiane não foi diferente, ela conta que teve sim dificuldades nos estudos, nas às vezes em que deixou de trabalhar devido horário do trabalho colidir com o horário de saída da creche, as falas maldosas e maliciosas de familiares e as amizades que se afastaram.</p>
<p dir="ltr">Laiane explica que obteve uma “assistência” por parte da família paterna da filha: “Eu tive suporte da família do pai, tive, mas era um suporte muito à distância, é, fizeram o mínimo possível e se pudesse, eles tivessem, eles me colocaram numa casinha e me esconderiam do mundo, porque eles tiveram muita vergonha”, declara.</p>
<p dir="ltr">E por essa assistência ser distante – ocorreu a ausência de um pai à criança, algo que Laiane frisa: “A família paterna, poderia ter colaborado mais, não só a parte financeira, que eles negligenciaram, mas a questão da presença, minha filha sente muita falta do pai, de ter vivenciado o dia dos pais com o pai, mas ele não quis, aniversários que ele nunca participou, e de estar com ele e compartilhar coisas simples como conversar, aprender junto coisas com a família paterna, eu percebo que a ausência da presença paterna, pesou muito para ela”.</p>
<p dir="ltr">Uma pesquisa realizada pela UMANE no ano de 2025 mostra que as taxas em mais de 5,5 mil municípios expôs um quadro considerado pelos pesquisadores de “profunda desigualdade”. Com a região Norte apresentando o índice que chega a 77,1 nascimentos por mil meninas de 15 a 19 anos, o dobro do observado na região Sul (35 por mil).</p>
<p dir="ltr">Existe uma preocupação com os dados revelados pela pesquisa, pois muitos dos bebês nascidos de mães adolescentes são frutos de abuso sexual de vulnerável como afirma a conselheira: “Quando falamos de casos de gravidez na adolescência em que as mães são menores de 14 anos, vai ser crime. Independente do consentimento da adolescente, do adolescente ou não, todas as vezes que for com menor de 14 anos é configurado como crime”, explica Mianga.</p>
<p dir="ltr">Laiane Soledade afirma não se arrepender de ter sido mãe na adolescência, mas que esse adiantamento interferiu em fatores como estudos, e o julgamento por ser mãe e adolescente: “A questão de estar com uma criança, e de ser mãe adolescente não me faz adulta. Eu era literalmente uma criança com outra criança, é difícil sim ter que se organizar, ser mãe, ser mulher, estudar, mas não desistir e o que vale a pena”, declara a confeiteira.</p>
<p dir="ltr">Laiane traz luz ao passado durante a entrevista e muito emocionada declara que: “olhar para o passado hoje faz eu refletir sobre tudo e ver que sim, é uma felicidade ser mãe, mas eu poderia ter esperado, vivenciado outras coisas, ter conhecido outros ambientes, estudado mais e hoje eu olho para as pessoas jovens, grávidas, as meninas e vejo que ali não é o fim”, conta.</p>
<p dir="ltr">A confeiteira declara também uma mensagem a todas pessoas que gestam, expondo que as dificuldades são o combustível para a superação: “o início é muito difícil, as pessoas vão criticar muito, mas vai haver uma força que não é de você. Quando você vê que alguém tão pequeno, tão frágil precisa de você, você tira força da onde você não imagina que teria. Vê os olhares de crítica vai doer, mas você vai superar, as palavras duras e rígidas que você é inconsequente, que você é irresponsável, que você vai ser uma pessoa promíscua, você vai superar. É uma alegria, ver sua filha, seu bebê crescendo, se tornando uma boa pessoa, recompensar muito no final”, explica Laiane fazendo referência a sua história de vida.</p>
<p dir="ltr">Histórias como a de Laiane Soledade traz luz a uma questão séria, como os olhares de julgamento, as palavras duras e a falta de apoio da sociedade e dos familiares impacto negativamente a vida dessas mães adolescentes. Mas como a resiliência muda a vida das mães e dos filhos, a exemplo da filha de Laiane, que  atualmente tem 22 anos de idade e cursa História na UFBA e também ajuda a mãe na venda de bolos e geladinhos gourmet no pátio da Biblioteca Central da UFBA no campus Ondina.</p>
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		<title>Depressão pós-parto: por que tantas mulheres sofrem em silêncio?</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 14:22:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Últimas Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Em meio a cobranças, expectativas e exaustão, muitas mães enfrentam um sofrimento que ainda é pouco compreendido]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O pós-parto é descrito como um período de encantamento, mas a realidade de muitas mulheres é outra. Longas noites acordadas, uma avalanche de mudanças no corpo e uma pressão silenciosa para dar conta de tudo. No meio desse redemoinho, sentimentos difíceis e muitas vezes incompreendidos surgem sem aviso. Segundo estudos da Fiocruz, estima-se que mais de 25% das mães brasileiras tenham depressão pós-parto (DPP), uma condição de tristeza profunda e desgaste mental que pode acompanhar o puerpério.</p>
<p dir="ltr">Para entender por que tantas mães se sentem assim, e por que tantas escondem esse sentimento, conversamos com Marina Marinho, psicóloga e especialista em atenção hospitalar. Ela afirma que a ambivalência faz parte do processo de maternidade: “Uma mãe pode muito bem amar seu filho, gostar dele, querer ser mãe e estar profundamente entristecida por diversos motivos, por estar sobrecarregada”.</p>
<p dir="ltr">Quando o tabu silencia a dor materna, os problemas se intensificam e o acesso à ajuda é dificultado, já que as mulheres sentem vergonha e culpa por não se sentirem felizes. O sofrimento feminino é frequentemente rodeado por estigmas, e na DPP, o cenário não é diferente: a maternidade é culturalmente idealizada por construções sociais e pela mídia, que retratam a figura da mãe como eternamente disponível, feliz e amorosa, não só para seus filhos, mas também para o parceiro, que muita vezes desfruta da possibilidade de se distanciar das obrigações afetivas com a criança.</p>
<p dir="ltr">A DPP afeta mulheres de todas as classes sociais, mas o risco e a intensidade do sofrimento são acentuados em contextos de vulnerabilidade social e econômica. Segundo dados coletados por uma pesquisa do Programa<a href="https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/presscenter/articles/2020/uma-em-quatro-maes-brasileiras-vivendo-na-pobreza-enfrenta-depre.html"> das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)</a>, uma em cada quatro mães brasileiras vivendo na pobreza enfrenta depressão pós-parto no primeiro ano após o nascimento da criança. Nesses casos, a sobrecarga materna, já intensa, é agravada pela falta de recursos básicos, moradia instável, insegurança alimentar, baixa escolaridade e acesso limitado a serviços de saúde de qualidade.</p>
<p dir="ltr">A ausência de uma rede de apoio formal ou informal robusta, seja por distância familiar, precarização do trabalho ou falta de políticas públicas efetivas, como creches e licença-maternidade, torna a experiência do puerpério ainda mais solitária e exaustiva. Mulheres que vivenciam o sexismo e o racismo cotidianamente não conseguem exercer plenamente o seu direito à saúde mental por estarem em situação desfavorável, para elas, a luta pela sobrevivência frequentemente se sobrepõe à possibilidade do auto-cuidado.</p>
<p dir="ltr">Assim, a imposição gera pressão e frustração sobre mulheres que já são normalmente sobrecarregadas, por isso, Marinho destaca o fortalecimento de uma rede de apoio para amenizar os impactos na saúde mental e, consequentemente, reduzir as possibilidades de desenvolvimento de uma depressão pós-parto ao evitar o isolamento e o cansaço da mãe, identificar os sintomas depressivos precocemente e acolher os sentimentos dela. Essa rede envolve familiares, amigos e profissionais de saúde atentos às condições do puerpério.</p>
<p dir="ltr">Apesar de fundamental, a rede de apoio não é o único recurso necessário para reduzir as chances de desenvolvimento da depressão pós-parto. O cuidado não se limita ao âmbito individual ou familiar; ele também depende do funcionamento do sistema público de saúde. A falta de recursos no SUS dificulta o acesso ao acompanhamento durante a gestação e, principalmente, no pós-parto, momentos fundamentais para identificar riscos emocionais e oferecer suporte adequado às mulheres.</p>
<p dir="ltr">Segundo pesquisas do Instituto de Estudos de Políticas de Saúde, no Brasil, em 2020,  apenas 67,8% das mulheres negras tiveram acesso a um pré-natal adequado, enquanto entre mulheres brancas esse percentual foi de 81,2%, evidenciando desigualdades que aumentam ainda mais a vulnerabilidade no puerpério. Marina destaca que fortalecer a atenção primária do SUS é um passo crucial: equipes capacitadas, estrutura adequada e acompanhamento contínuo podem transformar a jornada materna.</p>
<p dir="ltr">A psicóloga comenta que o cenário da Maternidade Climério de Oliveira, onde atua, é uma exceção positiva, já que a unidade dispõe de uma equipe ampliada para acolher mulheres em sofrimento. Experiências como a da Maternidade Climério de Oliveira revelam que é possível oferecer cuidado digno às mães, mas também expõem o quanto isso ainda é raro no país. O que deveria ser regra no SUS permanece como privilégio de poucos serviços, a consequência é uma oferta de suporte desigual entre os serviços de saúde públicos.</p>
<p dir="ltr">Quando não diagnosticada e acompanhada adequadamente, a depressão pós-parto pode comprometer profundamente o vínculo entre mãe e bebê e provocar impactos duradouros na saúde mental e física de ambos. Ainda assim, o sofrimento materno segue sendo frequentemente tratado como uma falha individual, o que reforça estigmas e contribui para a patologização de experiências atravessadas por desigualdades sociais, raciais e econômicas. Para Marina Marinho, enfrentar a depressão pós-parto exige ir além da identificação dos sintomas clínicos, reconhecendo também os sinais de um problema sistêmico, expresso na recorrência de mulheres que vivem o puerpério em condições de desamparo.</p>
<p dir="ltr">Segundo ela, despatologizar esse sofrimento não significa negar a necessidade de cuidado em saúde mental, mas ampliar o olhar sobre os contextos que produzem o adoecimento. Desestigmatizar, por sua vez, implica romper com narrativas idealizadas da maternidade e reconhecer a pluralidade de experiências que marcam cada gestação. Sem esse deslocamento de perspectiva, o sofrimento materno segue sendo vivido de forma isolada, silenciada e invisibilizada.</p>
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		<title>Migração Universitária, forasteiros em Salvador</title>
		<link>http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/migracao-universitaria-forasteiros-em-salvador-2/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 16:38:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Noticias]]></category>

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		<description><![CDATA[O que vem depois da tão sonhada aprovação no SISU? Um outro desdobramento da vida se inicia e nossa equipee foi atrás dos diversos olhares acerca desse caminho que centenas de jovens baianos decidem trilhar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">As Universidades são o grande sonho da maioria dos jovens. O sentimento de passar nas provas, cursar o que deseja e ainda ter a sonhada vivência na faculdade é à menina dos olhos de muita gente, mas para alguns a estrada que permeia a chegada aos tão sonhados portões da academia é longa e com muitos mais quilômetros do que você imagina. A AGN foi atrás dessas histórias, de quem viajou muito chão para conquistar sua vaga na Universidade.</p>
<p dir="ltr">Assim como muitas cidades grandes e capitais, Salvador é citada como uma das localidades com maior atratividade para o ensino superior na Bahia e no Nordeste. Essa qualidade até então se deve à concentração de universidades públicas (como a UFBA e a UNEB &#8211; que, embora tenha campus no interior, tem sede e um grande polo na capital) e de grandes instituições privadas como UNIFACS, Baiana e Universidade Católica. Tal proeminência se reflete nos esforços para chegar na capital. Segundo estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já foi indicado que alunos de outros municípios baianos (e até de outros estados) percorrem longas distâncias (quase 100 km em média) para frequentar o ensino superior. Isso reforça o papel de Salvador como centro educacional.</p>
<div id="attachment_29622" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/ufba_campus.jpg"><img class="size-large wp-image-29622" title="ufba_campus" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/ufba_campus-1024x768.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução: UFBA</p></div>
<p dir="ltr">Segundo a Agência de Notícias em matéria de 2018, a maioria das matrículas no ensino superior do estado da Bahia está em instituições privadas (cerca de 75,3% do total de matrículas em um levantamento de 2019/2020), o que inclui tanto a modalidade presencial quanto a EAD. O salto das matrículas em cursos a distância (EAD) foi significativo, impulsionado pela rede privada. Embora o ensino remoto possa reduzir a necessidade de migração, a demanda por cursos presenciais de maior prestígio (muitas vezes concentrados na capital) e a realidade de muitos cursos/áreas ainda atrai a migração.</p>
<p dir="ltr">Para Hebert Paiva, estudante do curso de Letras em Salvador e natural de Valença, a Universidade Federal da Bahia representa uma mudança de perspectiva “Eu vim de uma realidade muito restrita ao que tinha para fazer na cidade sabe, não que não tivesse faculdades onde eu morava, mas a UFBA é outro lugar de fala, vai além de prestígio claro, é sobre oportunidade.”</p>
<p dir="ltr">Em dados revelados da Pesquisa Nacional por Amostra de domicílios Contínua (módulo de Educação), a Bahia apresenta uma taxa de jovens de 18 a 24 anos fora da universidade superior à média nacional (cerca de 85% em 2023), refletindo um desafio estrutural na educação básica e no acesso ao ensino superior no estado todo. O baixo índice de população com ensino superior completo no estado (apenas 11,9%) indica que a competição por vagas e a necessidade de deslocamento para centros com maior oferta (como Salvador) se tornam fatores importantes para quem consegue chegar ao ensino superior.</p>
<p dir="ltr">Conversamos com Francisco Ribeiro da Assistência Social da PROAE sobre questões que se relacionam com as dificuldades de acesso a todos os alunos de fora “Toda e qualquer iniciativa de assistência estudantil precisa de recursos, descentralização do R.U, aumento de residência universitárias; dependendo de recursos; mas invariavelmente ele vai passar por problemas.”</p>
<div id="attachment_29627" class="wp-caption aligncenter" style="width: 586px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/acesso_paf-i_farm.jpg"><img class="size-full wp-image-29627" title="acesso_paf-i_farm" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/acesso_paf-i_farm.jpg" alt="" width="576" height="384" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução: UFBA</p></div>
<p dir="ltr">Em outras faculdades o cenário se repete. Mariana Dantas, sergipana e estudante de fonoaudiologia na UNEB conta sua experiência: “O maior problema eu acredito é que é muito complicado se manter na cidade. Salvador é uma cidade muito cara, se você não receber auxílio da faculdade ou não trabalhar e tiver só aqui, que é meu caso, você quase não tem chance de completar a graduação”.</p>
<p dir="ltr">Analisando dados fornecidos pela PROAE, em 2021, a UFBA registrou um total de 4.279 estudantes assistidos pelas bolsas e auxílios. Embora esse número não represente apenas estudantes do interior, ele é um forte indicador da necessidade de apoio àqueles que enfrentam dificuldades financeiras e de moradia na capital. Quase cinco anos depois, a discussão sobre a assistência dada pela faculdade é uma questão que afeta a comunidade universitária por completo.</p>
<p dir="ltr">Outra questão que aflige o estudante de fora é a adaptação a cidade. Salvador tem cerca de 692,818 km². Suas ruas, avenidas e bairros têm linguagem e costumes próprios. Como entrar nesse ecossistema é muitas vezes o que define sua experiência pelos próximos anos e até por toda sua estadia na cidade.</p>
<div id="attachment_29628" class="wp-caption aligncenter" style="width: 860px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/praca_das_artes1.jpg"><img class="size-full wp-image-29628" title="praca_das_artes" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/praca_das_artes1.jpg" alt="" width="850" height="567" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução: UFBA</p></div>
<p dir="ltr">As atléticas, grupos, instâncias e ligas são os maiores chamarizes para esses jovens acharem redes de apoio aqui, explica Guilherme Castro da Liga de Fisioterapia Esportiva da Unijorge “Pra mim a liga foi muito importante, eu sou de Vitória da Conquista e ter gente pra dizer bora ali, vou te mostrar a cidade, etc. Foi essencial e é aqui que conheci essas pessoas. É pra quem tá chegando enfrentar mesmo, porque não tem muito pra onde correr depois que já tá aqui”</p>
<p dir="ltr">As redes de apoio criadas por alunos de qualquer tipo são portas de entrada para assegurar a permanência de jovens e adultos que buscam nas relações sociais a ponte para se firmar como residente da capital. Essas e as medidas de permanência nas instituições adotadas pelas próprias são o mais crucial para manter o estudante de fora na Universidade em Salvador.</p>
<p dir="ltr">Sobretudo ao ser perguntado como os funcionários da PROAE enxergavam a chegada de alunos de fora, a resposta foi esperançosa: “Vemos com bons olhos, uma estratégia de nacionalização de vagas. É interessante a entrada de estudantes de vários lugares do Brasil na UFBA”.</p>
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		<title>Entre oportunidade e desigualdade: as diferentes percepções da barriga de aluguel</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 16:48:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Últimas Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[No Brasil, a barriga de aluguel ainda é vista com pouco conhecimento pela grande parte da população. A AGN foi entender como funciona sua legislação e quais são os dilemas que envolvem esse tema tão polêmico.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Como é gerar um filho que não é seu? Como é viver 9 meses com uma criança em sua barriga que ficará sob a guarda de outra pessoa? Se colocaria nessas condições em situações normais? Venderia o seu corpo para um casal por livre e espontânea vontade? Teria solidariedade o suficiente para dar felicidade ao próximo usando o seu ventre?</p>
<p dir="ltr">Barriga de Aluguel, novela da Globo reproduzida entre os anos 1990-91, conta a história de Ana e Zeca. Impossibilitados de terem um filho, o casal recorre ao serviço da barriga de aluguel para realizar esse sonho. Clara, uma mulher pobre moradora da favela, aceita o papel por uma quantia de 20 mil dólares, com a inseminação sendo um sucesso. Durante a gestação, ela desiste da ideia de entregar a criança, fugindo com o bebê e quebrando o acordo com Ana e Zeca. A novela escrita por Glória Pires desenrolará seus capítulos em torno dessa trama: Clara, agora estéril, tem o direito sobre a criança que não carrega seus genes ou o casal são os verdadeiros pais? O que define quem é mãe ou pai, criação ou genética?</p>
<p dir="ltr">Ana e Zeca, na verdade, estão cometendo um crime. Candice Santana, mestra em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM/UFBA), conta que, no Brasil, o termo utilizado atualmente não é barriga de aluguel, mas barriga de substituição. “tudo o que a gente tem é regido pelo Conselho Federal de Medicina. As resoluções hoje falam sobre a única possibilidade é quando a gente precisa ter um parentesco com a pessoa que está cedendo o útero, isso em até quarto grau, por exemplo. Então pode ser uma mãe, pode ser uma tia, um irmão, uma avó”, explica.</p>
<p dir="ltr">Essa legislação diz somente sobre o Brasil, com a barriga de aluguel não sendo proibida em alguns países. Essa brecha permite que casais possam gerar seus filhos no exterior e trazê-los para o país. Esse cenário foi pauta recente nas redes sociais após o casal de blogueiros Lucas Rangel e Lucas Bley anunciarem que a sua filha havia nascido nos Estados Unidos. “Acredito que seja uma prática em crescimento, sendo possível que casais homossexuais possam fazer essa contratação. Tem países que, por exemplo, existem agências que fazem, receptam as mulheres que vão gestar e fazem essa intermediação”, conta Candice.</p>
<p dir="ltr">Para Candice, há dois principais motivos para que a barriga solidária seja requisitada atualmente: a nova constituição de família e a desigualdade social. Há novas formas de constituição de família que fogem do padrão de homem e mulher imposto pela maioria, com a população LGBTQIAPN+ tendo liberdade e mais direitos para constituírem seus lares. O conceito de parentalidade e família, agora, não estão mais presos à ideia de homem e mulher.</p>
<p dir="ltr">“Agora também estamos pensando tudo isso dentro de um sistema capitalista, que a gente pensa que essa é uma coisa que pode ser comprada, que eu posso aferir um valor em cima disso. Como a gente tem um mundo em que a desigualdade está cada vez mais crescente, se essa é uma possibilidade das pessoas poderem pagar e dos outros poderem oferecer como uma forma de receber dinheiro, isso também é algo que vai modulando o aumento, a procura e as normas que regem esse tipo de tecnologia reprodutiva”, explica Candice. No entanto, não há a mínima possibilidade de venda da barriga dentro do Brasil. “Pela nossa própria Constituição, não é possível a gente vender e nem ceder nenhuma parte do nosso corpo. Então, útero, óvulos, espermatozoides, sangue, nada disso é possível. Então, a gente usa o termo de barriga de substituição. Em alguns lugares acontecem a barriga de aluguel mesmo, pago para isso.”</p>
<p dir="ltr">Segundo a Resolução 2294/2021 do Conselho Federal de Medicina, a gestação solidária só é permitida em casos de mulheres impossibilitadas de gestar, casais homoafetivos e pessoas solteiras. A pessoa deve ser parte da família e ter até 50 anos. Ela, no entanto, deixa claro: “é proibido que a cessão temporária do útero tenha caráter comercial ou lucrativo, ou seja, é um processo solidário que visa apenas ajudar o casal a engravidar.”</p>
<p dir="ltr">Candice afirma que por conta da desigualdade, a escolha da mulher acaba ficando extremamente limitada. “Se estamos falando de pessoas que estão no mesmo nível econômico, de condição social para gerir a sua vida, talvez a gente pudesse estar falando de uma escolha. Mas as pessoas que podem pagar, na grande parte dos casos, por uma barriga solidária ou uma barriga de aluguel são pessoas que têm muito recurso financeiro, porque é um serviço muito caro e as mulheres, por sua vez, estão cedendo o seu útero muitas vezes estão em uma condição precária.” No cabo de guerra, o lado sempre acaba pendendo para a parte mais pobre, e consequentemente mais vulnerável, da relação. “A gente fala aí de uma feminização da pobreza mesmo, né? As mulheres são as pessoas mais pobres em todo o mundo. E são essas mulheres pretas e periféricas que fazem isso em outras partes do mundo”, explica.</p>
<p dir="ltr">Por outro lado, a barriga de aluguel é uma oportunidade para que casais possam concluir seus sonhos de construírem suas famílias. Os 9 meses de gestação são recheados de expectativas e criação de laços com a futura criança. Para a pessoa que gesta, é carregar um sonho e um bebê que, na prática, não é seu. “A gente tá falando de pessoas que podem ter a experiência da parentalidade iniciada, confirmada a partir deste procedimento, e também para a pessoa que gesta, que doa o útero. É, acho que mobiliza muitos recursos emocionais. E também com esse valor dá esperança, mas acho que isso é muito pessoal também”, conta Candice.</p>
<p dir="ltr">No congresso, o avanço do conservadorismo tornou os assuntos sobre os direitos femininos um tabu. Deputados e senadores, em sua maioria homens, não parecem ter a capacidade para discutir os temas em seu campo macro. O retrocesso predomina nos representantes do povo, com PECs que tornam a pena das mulheres estupradas maiores que as de seus estupradores e estrangulam as possibilidades do aborto.</p>
<p dir="ltr">Candice explica que os avanços na pauta devem passar pela quebra do tabu que vem sendo criado em torno do direito feminino em território brasileiro. Os direitos sexuais e reprodutivos não devem ser pensados como concessões, mas como essenciais para que as mulheres possam viver em sociedade. O Brasil precisa pensar na justiça reprodutiva e em tudo que a envolve, desde direito à moradia até assistência durante a gestação. O Estado deve intervir de maneira integral, seja pelo SUS ou por políticas públicas. “A gente precisa ter uma discussão sobre justiça reprodutiva mesmo, e isso significa pensar nesses direitos condicionado a uma condição de vida digna”, conta.</p>
<p dir="ltr">No fim, ela explica que a inclusão é essencial para resolver a questão, já que a barriga de aluguel envolve fatores culturais, sociais e econômicos da nossa sociedade. “Então, uma forma de contribuir é isso, pensando numa perspectiva ampliada de que universo é esse e tentando dar condições iguais para as mulheres acessarem os direitos. Não pensando num direito que explore, mas um direito que amplie a possibilidade de realizações.”</p>
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		<title>Câmara Municipal de Salvador faz homenagem à Dona Olga, matriarca do Bate Folha</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 18:36:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A AGN esteve presente no evento que contou com representantes do Bate Folha e líderes partidários da câmara.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Na última quarta (5), ocorreu a Sessão Especial pelo Centenário de Nengua Guanguacesse &#8211; Dona Olga Conceição Cruz, matriarca do Bate Folha, na Câmara Municipal de Salvador.  A solenidade foi proposta e conduzida pela vereadora Marta Rodrigues (PT) e teve como foco reconhecer a dedicação, conhecimento e sabedoria de Nengua, que completaria 100 anos em 17 de março de 2025. A Agência de Notícias esteve presente para acompanhar o evento.</p>
<div id="attachment_29583" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/IMG_04204.jpg"><img class="size-large wp-image-29583" title="IMG_0420" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/IMG_04204-1024x682.jpg" alt="" width="640" height="426" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por: Ricardo Barreto</p></div>
<p style="text-align: center;" dir="ltr"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/IMG_0418.jpg"></a></p>
<p dir="ltr">Cristiano Marcio de Jesus Santana, filho do terreiro Bate Folha, iniciado em 2004 aos 17 anos, falou um pouco sobre Mãe Olga e o legado por ela deixado: “A primeira coisa que me vem à cabeça é o reconhecimento. O reconhecimento dos filhos, o reconhecimento da casa. Para uma pessoa que praticamente viveu 100 anos dentro de um terreiro de candomblé, se dedicou praticamente sua vida toda e deixa um legado enorme de conhecimento e de sabedoria. Até como psicóloga ela foi para a gente. Tinha muitos ensinamento”, explica.</p>
<p dir="ltr">O evento contou com diversos integrantes do terreiro Bate Folha, dentre eles Cícero Rodrigues Franco Lima, conhecido como Tata Muguanxi, Tata/pai do terreiro Bate Folha desde 2006/2007, que também conduziu a solenidade junto com a vereadora Marta. A sessão também contou com manifestações musicais e vídeos relembrando a vida de Mãe Olga.</p>
<p dir="ltr">A respeito da homenagem e também sobre o documentário feito em 2016 ‘Bate Folha,  Banduquenqué’, realizado pela Agência de Comunicação e Cultura da UFBA (AECC-UFBA), Tata Muguanxi afirma: “É guardar, é você manter essa história viva. É você ter como passar para essas pessoas, não só eu contando, falando. Você tem como mostrar para as pessoas que virem e até para o futuro, daqui a dez, vinte ou trinta anos, esse registro do como era o Bate Folha, e poder fazer uma comparação de como estava a época.”</p>
<div id="attachment_29584" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/IMG_0465.jpg"><img class="size-large wp-image-29584" title="IMG_0465" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/11/IMG_0465-1024x682.jpg" alt="" width="640" height="426" /></a><p class="wp-caption-text">Foto por: Ricardo Barreto</p></div>
<p dir="ltr">O documentário, feito em celebração dos 100 anos do terreiro, contou com a participação de Carla Nogueira, ex-agenciadora da AECC e doutora em Cultura e Sociedade pelo Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade da UFBA, que teve como base para sua tese o protagonismo de Nengua Guanguacesse dentro do terreiro no processo de preservação das práticas e tradições do candomblé da nação Congo-Angola.</p>
<p dir="ltr">“O Candomblé para mim é minha existência, eu não me vejo, eu não me percebo fora dele. E no doutorado eu falei sobre o Bate Folha, o centenário do Bate Folha. E agora no pós doutorado eu trago também o centenário de Nengua Guanguacesse. Então tá tudo tão intrincado, tudo tão relacionado que só me faz agradecer e seguir firme nesse compromisso”, explica Carla.</p>
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		<title>Medicina: a corda bamba entre desvalorização e acessibilidade</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2025 17:27:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Agência de Notícias analisou o cenário do curso de medicina no Brasil e a relação com seus estudantes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Nos últimos anos, a busca pelo curso de medicina pelos vestibulandos brasileiros aumentou de maneira exponencial. A ideia de um bom ganho de dinheiro vem atraindo muitos jovens para a área, que se tornou a mais disputada entre todos os cursos de ensino superior no Brasil.</p>
<p dir="ltr">O ponto de partida para a criação do curso de medicina no Brasil tem a responsabilidade direta de Dom João VI, então príncipe regente de Portugal. Em 1808, já na América, concedeu a criação da Escola Cirúrgica da Bahia, em Salvador, no Terreiro de Jesus, o primeiro curso de medicina da colônia e que muitos anos depois seria integrado à Universidade Federal da Bahia (UFBA).</p>
<p dir="ltr">A escolha da Bahia foi política: a coroa precisava do apoio dos baianos para pacificar a colônia. “No Brasil, que era a América Portuguesa, muitos desses médicos e pessoas que trabalhavam dentro da cidade de Salvador tinham que ir para Coimbra, em Portugal, para se formar enquanto médicos. Não se tinha ainda uma organização ‘civilizatória’, entre aspas, sobre o desenvolvimento da ciência da universidade”, explica Henrique Garcia, historiador graduado pela UFBA. Na época, barbeiros eram dentistas e cirurgiões; para os escravos, sobrava utilizar ervas, raízes e outros ingredientes que encontravam na natureza para amenizar o sofrimento das doenças tropicais.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_29533" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/10/Salvador-Bahia_Terreiro_de_Jesus_Sé_Catedral_18621.jpg"><img class="size-full wp-image-29533" title="Salvador-Bahia_(Terreiro_de_Jesus)_Sé_Catedral_1862" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/10/Salvador-Bahia_Terreiro_de_Jesus_Sé_Catedral_18621.jpg" alt="" width="250" height="176" /></a><p class="wp-caption-text">Vista do Terreiro de Jesus, em 1862. À direita, o Colégio dos Jesuítas, atual Catedral Basílica, sede do curso de medicina da época. Reprodução: Wikipédia</p></div>
<p dir="ltr">“A gente tem que ter muita noção e clareza nesse período que o cargo de medicina &#8211; que ainda é, mas naquele período ainda mais &#8211; era da elite branca da sociedade. Precisava de muito dinheiro para poder ter a influência para entrar numa faculdade”, comenta Henrique. Ele complementa que, no período, a área de medicina recebeu intervenções das teorias eugenistas e do darwinismo social. Nelas, o branco era considerado superior ao negro, que tinha um viés natural para ser menos inteligente e, consequentemente, inferior. No Brasil, um dos principais nomes dessa corrente era Nina Rodrigues, que dá nome ao Instituto Médico Legal (IML) da cidade de Salvador. “Então, ela, de certa forma, representou isso. Hoje, há políticas de inclusão para a população negra tentar acessar mais os cursos, mas ainda é um acesso complicado”, complementa.</p>
<p dir="ltr">“A gente costuma ouvir muito lá dentro que a nossa geração vai ser uma das últimas em que o curso vai ser valorizado, que vai ser bom financeiramente”, comenta Maria Eduarda Lopes, mulher preta de 19 anos que atualmente está no 1° semestre do curso de medicina na Faculdade Zarns, uma instituição de ensino privado. “Eu acho que o que tá acontecendo é que ele está ficando mais acessível. Toda a estrutura de ensino do Brasil talvez esteja mudando para que as pessoas possam sonhar, e não só sonhar, mas realizar e adentrar nesses cursos que antes eram feitos para serem inacessíveis”, complementa a ‘mediciner’ (termo utilizado para referenciar uma pessoa que quer ou está cursando o curso de medicina).</p>
<p dir="ltr">A percepção de Lopes está correta. O Brasil vem formando mais médicos com o passar dos anos. Segundo a “Demografia Médica no Brasil 2025”, relatório feito pela Faculdade de Medicina da USP, o Ministério da Saúde, a Associação Médica de Saúde e a Organização Pan-americana de Saúde, o Brasil deve encerrar 2025 com mais de 600 mil médicos em atividade no país. O número é um recorde absoluto: em 2010, o país contava com pouco mais de 304 mil médicos; em 1980, 113 mil. Os valores aumentaram de forma constante, com o censo prevendo que o Brasil contará com mais de 1 milhão de médicos formados em 2035. Essa população será mais nova e feminina.</p>
<p dir="ltr">Há várias explicações para o aumento da quantidade de médicos no país. Uma delas é a grande oferta de cursos de medicina desde 2010. Na Bahia, era oferecido, principalmente, por duas instituições: a UFBA e a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Em 2012, a UNEB tornou-se a segunda universidade pública do Estado a oferecer o curso de medicina. Desde então, o curso de medicina na capital é oferecido por diversas instituições públicas e privadas de ensino, como UniFTC, UniFACS, UniDOMPEDRO, Zarns e entre outros.</p>
<p dir="ltr">A quantidade gera preocupação em muitos que analisam a área. Sendo uma resposta direta do mercado, elas teriam capacidade para gerarem bons profissionais? O termo ‘uniesquina’, desde então, tem sido usado para se referir a parte dessas instituições para representar o suposto nível de qualidade da sua educação. Programas como o FIES alavancaram ainda mais as universidades privadas, criando um mercado em torno do curso de medicina, que se expandiu para o ensino superior como um todo. Para muitas pessoas, como Lopes, as faculdades privadas, no entanto, são caminhos para realizar o sonho de conseguir o jaleco.</p>
<p dir="ltr">Para ela, há falta de matérias que aproximem o médico da realidade social da cidade, ocasiando em “uma pessoa que trabalha com pessoas e não conhece a realidade social delas”. Essa divisão, por exemplo, ocorre até nos campos da UFBA: enquanto os cursos sociais ficam espalhados pelos campus de São Lázaro e Ondina, direito e medicina, historicamente excludentes, tem sede no Canela, consideravelmente afastado dos outros dois. Não apenas isso, mas como todos os cursos da área de saúde são distantes uns dos outros. A separação é resultado da infraestrutura da cidade, mas não deixa de ser simbólica.</p>
<p dir="ltr">Mesmo com a expansão dos cursos privados, nenhum deles conseguiu derrubar a UFBA do pedestal de desejo dos ‘mediciners’. “Quando sai o resultado do SISU e você vê que tá aprovado, é uma coisa que eu comento com minha mãe, meu pai e meus amigos”, explica Ian de Jesus, estudante de medicina na UFBA, atualmente no 4° semestre. Ele conta que as pessoas o tratam de maneira diferente após descobrirem seu curso e universidade. “Então, querendo ou não, o jeito que a sociedade te enxerga é diferente”.</p>
<p dir="ltr">Para Ian, o motivo para preferir a UFBA é diverso: melhores professores, infraestrutura, oportunidade de contatos, pesquisa e a falta de um boleto no final do mês. “Fazer medicina não é algo fácil. Você precisa de um hospital e escola, de peças para anatomia. São muitos fatores para ter uma formação médica de qualidade”, comenta. Uma infraestrutura deficitária para estudantes de medicina pode acabar levando a erros na vida profissional, que custam, literalmente, vidas.</p>
<p dir="ltr">O cenário, além disso, não leva somente ao sucateamento do profissional, mas também às condições de infraestrutura dos locais de trabalho. UPAs e hospitais sem remédios, equipamentos para cirurgia ou consultas de qualidade. Nesses locais, crescem a quantidade de relatos de desconforto ou consultas desagradáveis. Mesmo com estimativas de mais de 1 milhão de médicos em 2035, filas no SUS e escassez de profissionais no interior ainda são problemas recorrentes para quem utiliza o serviço público.</p>
<p dir="ltr">Quem não consegue ingressar em medicina pelo SISU tenta utilizar métodos diferentes para pegar a sua vaga, dentre eles está o Bacharelado Interdisciplinar (BI). “O BI me trouxe uma percepção muito diferente do que eu tinha em relação à área de saúde e cursos de saúde”, explica Rosa Paola, estudante do BI de saúde. O curso é flexível para o seu estudante, oferecendo liberdade para escolher as matérias de sua formação e para qual curso deseja se direcionar. Na UFBA, ele se divide em quatro: humanidades, ciência e tecnologia, artes e saúde, sendo comumente utilizados por seus estudantes para acessar cursos concorridos, mas também por aqueles que estão indecisos sobre qual caminho deseja seguir. Mesmo com isso, não existe um perfil exato de um estudante de BI.</p>
<p dir="ltr">Rosa ingressou no curso para migrar para medicina futuramente. Ela não é a única que tenta isso, mas quer seguir um caminho diferente e aproveitar o que o curso oferece. “As pessoas até estranham quando vê outra pegando uma matéria artística, de música, dança ou qualquer outro assunto. Tipo: ‘como assim você não tá tentando a todo custo pegar uma matéria da área de saúde?’”.</p>
<p dir="ltr">O curso acaba virando somente um meio para entrar em medicina, muito longe da sua ideia inicial. “As pessoas acabam perdendo essa oportunidade de realmente vivenciar o curso por causa desse pensamento de ‘Quero migrar para medicina. Quero passar em medicina’ e estão usando o BI apenas como uma ferramenta para conseguir alcançar esse objetivo”, explica Rosa.</p>
<p dir="ltr">Medicina é um ecossistema que se alimenta desde o pré-vestibular até o mercado de trabalho. O médico, por sua parte, é essencial para a nossa vida. Graças a ele, sabemos o que comer, qual remédio tomar, a doença que nos ataca, as vacinas que nos protegem e etc. Precisamos sempre cuidar para que esse profissional seja o mais qualificado possível, pois, acima de tudo, precisamos dele para viver.</p>
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		<title>XVII Festival de Cultura Japonesa de Salvador comemora os 130 anos de amizade entre Brasil e Japão</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2025 16:12:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[O evento anual mobilizou uma multidão de pessoas de todas as idades para celebrar a cultura japonesa e brasileira.

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;" dir="ltr"><em>Por: Eric Tavares e Uelton Fael Souza</em></p>
<p dir="ltr">O Festival de Cultura Japonesa de Salvador, conhecido popularmente como Bon Odori, movimentou o final de semana da capital baiana nos últimos dias 5, 6 e 7 de setembro. O evento, sediado no Parque de Exposições de Salvador, contou com a participação de milhares de pessoas, que puderam se fantasiar do seu personagem favorito &#8211; os cosplays -, mostrar suas habilidades em jogos de console, como Mario Kart e EA FC (antigo FIFA), experimentar a culinária japonesa, participar de oficinas e workshops e aproveitar uma gama de shows e apresentações culturais. A Bon Odori, realizada anualmente, comemora as relações amigáveis entre Brasil e Japão e é um momento de diversão para todos aqueles que gostam do universo dos animes e da cultura pop. Além disso, comemora a chegada da primavera, com danças e festas típicas do evento.</p>
<p dir="ltr">O evento ocupou todo o espaço do Parque de Exposições, com atrações culturais em seus três palcos (Haru, Mirai e Natsu), que iam desde artes marciais, como Sumô, até grupos de dança japonesa; um espaço para o comércio de artes e outros itens, o Espaço Cultura POP; e outra praça alimentação com opções da culinária japonesa, o Espaço Culinário. Também houveram participações especiais de convidados, como os dubladores Guilherme Briggs e Feh Dubs, o sanfoneiro Denilson Félix, entre outros.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 555px"><img src="https://lh3.googleusercontent.com/pw/AP1GczMBwfstcTidtlmr3xFrwbsrZv5X_CLyTvjpwbAJonIoaw_74mbt6ii3wYsU_m1iD7zUBNe0wRP30zc7LaBCWtNMc-lt9TnSEk1-F3OnHaelC8qcjfllAlm59mQvJeZeBJMVVjNS80fwShB0fgJ7m0epJQ=w1169-h779-s-no-gm?authuser=0" alt="" width="545" height="363" /><p class="wp-caption-text">Reprodução: João Ataíde</p></div>
<p dir="ltr">Como um ponto vermelho em cima do morro que leva ao campo do Parque de Exposições e se destacando entre o verde do mato e das árvores, Adriano, de cosplay muito detalhado do personagem Alucard, do anime Hellsing, nos conta que frequenta a Bon Odori desde 2018 e explica a escolha do personagem: “Principalmente porque eu gosto muito do anime, mas a outra questão foi que nos outros Bon Odori’s nunca tinha visto um cosplay do Alucard. Então uni o útil ao agradável”.</p>
<p dir="ltr">Sua roupa foi feita por profissionais da empresa Cosguys, com muitos detalhes idênticos ao personagem. “Foi bem complicado, não exatamente para mim, mas os cosmakers que fizeram isso. [...] [Eles] demoraram um tempo porque foi muito trabalhoso, muito detalhe envolvido e muito carinho também. Eles são muito bons no que fazem.” Seu cosplay se destaca não somente pela beleza, mas por apresentar o vasto mundo dos cosplayers e da variedade de animes e mangás.</p>
<p dir="ltr">O Festival de Cultura Japonesa surgiu com o objetivo de celebrar a integração entre a cultura japonesa e brasileira. No século XX, uma grande massa de imigrantes japoneses chegaram ao Brasil, trazendo com eles sua cultura, que se adaptou à nova casa. Em cidades como São Paulo, bairros como a Liberdade foram formados e moldados em torno dos nipônicos. No entanto, a migração não se manteve somente nos grandes centros do país, com Salvador também recebendo parte dessa migração.</p>
<p dir="ltr">No final dos anos 90 e início dos anos 2000, a influência da cultura japonesa nos brasileiros expandiu-se também para as produções importadas do Japão. Animes e mangás &#8211; histórias animadas e desenhadas equivalentes a desenhos e quadrinhos no Ocidente &#8211; fizeram parte da geração dos nossos pais até os dias de hoje. Muitos adultos ainda se lembram da época que assistiam Dragon Ball, Naruto ou Cavaleiros do Zodíaco na TV aberta, em canais de streaming ou piratas. Essas produções se popularizaram na camada mais jovem e fazem parte da vida de muitos brasileiros. Muitos ainda se lembram de como eventos envolvendo anime e a cultura otaku eram pequenos e com um ar mais íntimo, se resultando em conversas em pequenos grupos e maratonas de animes que estavam em alta na época, com a chegada de grandes eventos, como o Bon Odori, cria um vínculo maior entre os fãs com os produtos que tanto amam.</p>
<div id="attachment_29512" class="wp-caption aligncenter" style="width: 730px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/09/MG_86361.jpg"><img class="size-full wp-image-29512" title="_MG_8636" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/09/MG_86361.jpg" alt="" width="720" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução: Eric Tavares</p></div>
<p dir="ltr">O público da Bon Odori, mesmo assim, não se limita somente aos animes e mangás, tornando o festival num verdadeiro centro da cultura pop, com pessoas fazendo cosplays de personagens de jogos, séries, desenhos e outras mídias. A variedade é muito aparente no evento, abrangendo todas as idades e públicos que gostam desse nicho.</p>
<p dir="ltr">Blanca, de cosplay de Enderman, do jogo Minecraft, contou um pouco sobre a preparação para a Bon Odori: “[Demorou] uns 5 dias. Para tudo, nesse caso. Até roupa. Eu tive que procurar porque eu não queria algo que me sexualizasse, sabe? E aí eu preferi algo mais coberto, já que o Enderman nem tem roupa, para falar a verdade, aí eu falei assim: ‘Não, vou ir toda coberta de preto e é isso’”. Cercada por crianças que não paravam de pedir para tirar fotos, para ela é gratificante ver o reconhecimento das pessoas com o seu trabalho e esforço entregues no cosplay. “É minha primeira vez e eu já tirei foto com umas 15 pessoas diferentes. Criança, adulto, adolescente. Foi bastante cansativo, mas é muito legal ver que o pessoal reconhece o cosplay e tem interesse em gravar o momento do evento comigo, né?”.</p>
<p dir="ltr">Além do público, pessoas que trabalham pela Anisa (Associação Cultural Nippo-Brasileira de Salvador), associação que ajuda na produção do evento, veem o Bon Odori um evento cultural muito importante. Alice Kimie, líder do grupo de dança do Anisa, <a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/agn-entrevista-lider-do-grupo-hanabi-sobre-a-cultura-oriental-em-salvador/">Hanabi</a>, esteve presente nos 3 dias de evento e vê muito bem essa importância: “Além de ser uma cidade marcada pela diversidade cultural e pela mistura de povos, a Bahia é o terceiro estado com maior presença de nipo-brasileiros no país. Viver momentos em que a cultura japonesa é celebrada aqui é uma emoção única para nós, descendentes. É valorizar, cultivar e manter viva uma história. Saber que um povo tão receptivo, alegre e gentil acolhe com tanto carinho as tradições de um país do outro lado do mundo é, sem dúvida, uma experiência profundamente gratificante”.</p>
<p dir="ltr">A dançarina também percebe a grande adesão para o evento e o aumento do público a cada ano, e junto disso, mais espaços e mais acessibilidade é criada para quem vai ao Parque de Exposições: “Em 2025, tivemos novidades importantes, como o espaço Yume, voltado especialmente para as crianças, além de melhorias no setor de acessibilidade. O objetivo é tornar o festival cada vez mais inclusivo, garantindo que todos possam se divertir e viver essa experiência única”. Para ela, o Bon Odori é mais do que uma comemoração: “Para mim, é falar de família, de tradição e de cultura. É um momento de conexão profunda com meus antepassados e, ao mesmo tempo, de celebração da vida. [...] É o instante em que visto meu yukata, danço no palco, tiro fotos e me permito ser genuinamente feliz. Mas, acima de tudo, é um lembrete da importância de manter viva a cultura e o verdadeiro sentido do Bon Odori: honrar os antepassados, agradecer pelas boas colheitas e guiar os espíritos para o paraíso, preservando suas memórias nas novas gerações”.</p>
<p dir="ltr">Diversos artistas de todos os lugares do Brasil divulgaram suas artes no festival. Jonas Jatahy comentou sua primeira experiência no festival e na cidade de Salvador: “É uma cidade maravilhosa, apesar das pessoas falarem mal às vezes, mas é uma cidade muito linda, cheia de cultura, sabe? [...] Sou de Manaus, Amazonas, e está sendo maravilhoso estar aqui.”. Suas obras são feitas 100% em aquarela e inspiradas em artistas da cultura pop, como a cantora Beyoncé. “Comecei em 2020. Como eu não tinha dinheiro para comprar um tablet ou alguma coisa para fazer digitalmente, então comecei tudo no papel mesmo e aqui estou mais avançado do que nunca”, explica.</p>
<div id="attachment_29511" class="wp-caption aligncenter" style="width: 730px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/09/MG_93031.jpg"><img class="size-full wp-image-29511" title="_MG_9303" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/09/MG_93031.jpg" alt="" width="720" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução: Eric Tavares</p></div>
<p dir="ltr">A Bon Odori, acima de tudo, não é somente um evento para celebrar a cultura japonesa, mas sim um espaço para celebrar toda forma de arte e cultura pop. O Festival de Cultura Japonesa é um universo que é criado todo ano na cidade de Salvador, relembrando a todos o seu amor pela cultura e as mídias que orbitam as suas vidas.</p>
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		<title>AGN Entrevista líder do grupo Hanabi sobre a cultura oriental em Salvador</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 15:35:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alice Kimie, líder do grupo, contou sobre sua experiência com o grupo de dança sendo uma Nikkei, descendente de japoneses fora do Japão, e sua conexão com Salvador
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			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">A cultura japonesa vive fora do Japão e está se espalhando por Salvador. Em entrevista com a Agência de Notícias (AGN), a líder do grupo Hanabi, Alice Kimie, contou um pouco da criação da equipe e explicou um pouco de sua conexão com a cultura japonesa sendo uma Nikkei, descendente de japoneses fora do Japão.</p>
<p dir="ltr">Elas se conheceram graças a Associação Cultural Nippo-Brasileira de Salvador (Anisa), algumas delas desde pequenas graças à escola de língua japonesa, parceira da Associação. O Hanabi já existia por outras estudantes da mesma escola que se apresentavam no festival de cultura japonesa Bon Odori. Elas tinham suas exibições pela escola e então, em 2023, fizeram um grupo oficial. Hoje em dia, elas têm sete integrantes no grupo e ainda pretendem aumentar os membros.</p>
<p dir="ltr">
<div id="attachment_29338" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/07/IMG-20250715-WA0027.jpg"><img class="size-large wp-image-29338" title="IMG-20250715-WA0027" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/07/IMG-20250715-WA0027-1024x682.jpg" alt="" width="640" height="426" /></a><p class="wp-caption-text">Arquivo pessoal do grupo</p></div>
<p>O Hanabi dança o Nihon Buyo, uma dança tradicional japonesa. A dança é feita em passos lentos, porém, as meninas do grupo decidiram colocar um pop na dança, transformando em Shin Buyo. “A gente tenta trazer músicas que atraiam os jovens”, afirma Alice. Ela afirma que é diferente do J-Pop, são usadas músicas mais atuais, porém menos enérgicas, por causa das roupas usadas serem difíceis para movimentos complicados. “A gente traz os movimentos tradicionais, usando músicas mais pop, para chamar atenção dos jovens”, aponta.</p>
<p>E a sua conexão com a cultura de seu país descendente não fica só na dança. “Lá no Anisa, ocorrem diversos eventos para manter a cultura japonesa viva. A gente participa de eventos relacionados com a cultura japonesa, desde aulas de japonês e dança, como também outras atividades de integração entre a comunidade Nikkei de Salvador”, aponta a líder.</p>
<div id="attachment_29340" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/07/IMG-20250715-WA00251.jpg"><img class="size-large wp-image-29340" title="IMG-20250715-WA0025" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/07/IMG-20250715-WA00251-1024x768.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Arquivo pessoal do grupo</p></div>
<p>Todo ano o grupo se apresenta no Bon Odori, a época favorita para Alice “É muito emocionante ter a chance de se apresentar nesse evento, é uma forma de se conectar com a cultura japonesa”, afirma. Porém, durante uma época, ela negava seu lado japonês por achar que, por ser mestiça, não era Nikkei o bastante, porém, graças a sua mãe, ela ganhou mais contato com a cultura japonesa e se orgulha de suas descendências.</p>
<p>Ela e<span style="text-align: center;">ntende que  tem desafios de trazer uma cultura nova em meio a uma tão enraizada no povo, como a cultura baiana. Porém, ela aponta que sente uma recepção boa quando é para abraçar coisas novas. “Eu sinto que as pessoas acolhem bem a cultura japonesa, até por conta dos eventos”, percebe.</span></p>
<p>Esse é só alguns dos variados casos de como a cultura na Bahia e Salvador é plural e está sempre se desenvolvendo e crescendo. O grupo Hanabi é apenas uma gota no mar de pessoas que fazem isso acontecer e faz a Bahia ser Bahia.</p>
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		<title>AGN Entrevista: Márcia Sant’Anna sobre preservação cultural no estado</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2025 15:09:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ex-diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) expõe seu ponto de vista sobre as legislações de patrimônios materiais e imateriais. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O verbo “preservar” é definido no dicionário como:  “Conservar, evitar a destruição de algo, de alguém ou de si mesmo; fazer com que continue vivo, presente”. Hoje em dia, vivemos em um contexto de constantes mudanças, tanto no espaço, quanto nas ideias e percepções. Para que não percamos o passado e nossa história no meio desse turbilhão de novidades, foram criados órgãos e artifícios legais para preservar o que é ameaçado, tanto pelo tempo quanto pela ação humana. A AGN conversou  com Márcia Sant’Anna, professora da Faculdade de Arquitetura e ex-diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sobre as questões que permeiam a conservação cultural no Brasil.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/07/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-07-10-às-14.49.45_7504edf7.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-29327" title="Imagem do WhatsApp de 2025-07-10 à(s) 14.49.45_7504edf7" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/07/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-07-10-às-14.49.45_7504edf7.jpg" alt="" width="539" height="464" /></a>Fotos: Web</p>
<p dir="ltr">A primeira vez que esse assunto foi discutido nacionalmente foi na <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">Constituição Federal de 1988</a>, em seus artigos 215 e 216, que ampliou a noção pública de patrimônio cultural ao reconhecer a existência de bens culturais de natureza material e imaterial. Antes disso, o que se tinha era o Decreto-Lei nº 25/1937, que estabelece o regime de tombamento para proteção do patrimônio. Além disso, o patrimônio imaterial também é protegido por leis como a Lei nº 11.645/2008, que, dentre outras definições, torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas, contribuindo para a valorização e preservação das tradições culturais de grupos formadores da cultura brasileira.</p>
<p dir="ltr">Apesar da primeira legislação nacional de preservação do patrimônio ser de 1938, Márcia ressalta que até hoje existe uma falta de leis efetivas para o patrimônio urbano de maneira específica. Em geral, o patrimônio urbano tem sido protegido pelas mesmas leis de reconhecimento patrimonial citadas anteriormente pela professora, como o decreto lei Nº25. Um agravante para essa falta de proteção circunstancial para patrimônios urbanos é a dimensão complexa que as grandes cidades enfrentam em meio aos desafios ambientais contemporâneos. Márcia argumenta que a proteção patrimonial pode sim ser aliada da causa sustentável, mas que para isso urge a composição de leis que tratem desses espaços efetivamente.</p>
<p dir="ltr">Na entrevista, questionamos Márcia sobre como ela percebe as mudanças das leis de preservação na sociedade e no meio legislativo. Para a professora, até o início dos anos 90 se praticou uma política de preservação de cunho técnico e pouco participativo, e que no meio dos anos 2000, quando essa política se estrutura, começa a se praticar um processo participativo, não só de identificação e reconhecimento do patrimônio, mas também de gestão desse patrimônio após o seu reconhecimento. Marcia acredita que não existe patrimônio sem os atores que os produzem. O patrimônio histórico de um lugar, sejam as tradições, monumentos ou edifícios, ajudam a formar a memória de um povo,  quase como um sentimento coletivo, a cultura ajuda a formar o ideal do patrimônio de uma sociedade.</p>
<p dir="ltr">Mas o que determina se uma tradição ou lugar vai ser tombado como patrimônio histórico e cultural? Quais são os processos e questões que envolvem dar esse título? Sant’Anna tem uma visão geral sobre esse feito: “Ela (a Constituição) diz que o patrimônio não é algo pré-existente dado, mas é aquilo que a sociedade considera patrimônio. E cabe ao Estado, com a participação da sociedade, contribuir para a preservação desse patrimônio”, explica. São as pessoas que praticam ou vivem certas tradições que determinam essa preservação, não existem regras ou atributos necessários para algo ser reconhecido como patrimônio, qualquer grupo de pessoas pode solicitar ao Estado o reconhecimento de algo como patrimônio nacional. Essa transformação é super importante. Em determinados momentos, um determinado grupo, pode decidir que algumas daquelas referências culturais, devem ser reconhecidas como patrimônio para além daquele grupo. E é aí nesse momento que o grupo pode propor ao estado o reconhecimento daquele bem cultural como patrimônio da nação.</p>
<p style="text-align: center;">
<p dir="ltr">“É preciso voltar para dentro, aproveitar mais as infraestruturas instaladas, os espaços vazios que estão no interior da cidade, que já tem esgoto, que já tem abastecimento de água, que já tem energia, já tem tudo e estão esvaziados, ao invés de ficar avançando sobre a natureza cada vez mais. Então, preservar o patrimônio e aproveitá-lo dessa forma é uma ação ambiental significativa”.</p>
<p dir="ltr">Outro ponto que aumenta a complexidade dessa questão é o turismo, que é por vezes entendido como tática de preservação. No entanto, Márcia defende que esse é um modelo falido. “O turismo é sazonal, de modo que não há, durante todo o ano, pessoas suficientes para ocupar as localidades de forma eficiente. Outro entrave é que a maior parte dos edifícios voltados ao turismo possui os andares superiores desocupados, de forma que dependem de ajuda estatal para sua conservação. Por conta da insuficiência da “monocultura do turismo”, a professora  sugere uma diversificação das táticas de preservação.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/07/25-07-2016-capoeira-foto-divulgacao-embratur-jpg.jpeg"><img class="aligncenter size-full wp-image-29328" title="25-07-2016-capoeira-foto-divulgacao-embratur-jpg" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/07/25-07-2016-capoeira-foto-divulgacao-embratur-jpg.jpeg" alt="" width="746" height="423" /></a>Fotos: Web</p>
<p dir="ltr">Ainda falando sobre as relações socioeconômicas entre preservação de espaços na sociedade, questionamos a professora sua visão sobre como se dá a disputa do mercado imobiliário por terreno de preservação histórica na cidade de Salvador. “Veja só, as áreas de patrimônio ambiental de Salvador que são mais visadas pelo capital imobiliário, não são as áreas exatamente do centro histórico, mas todas aquelas que estão voltadas para o mar.  A orla marítima de Salvador é toda tombada. Ela é reconhecida como patrimônio. Mas ela já foi, a gente pode considerar, praticamente destruída pelo capital imobiliário. E, infelizmente, o planejamento da cidade, o plano diretor da maneira como ele foi aprovado, abriu possibilidades imensas para que o capital imobiliário atue na cidade sem nenhuma consideração por essa qualidade ambiental. E é assim que a gente tem edifícios de 40 e tantos andares sendo construídos em qualquer lugar”, afirma.</p>
<p dir="ltr">As polêmicas em torno da votação da nova Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (Louos), que ocorreu em 2016, visava estabelecer as normas para altura dos prédios da orla de Salvador. Desde então, o possível sombreamento causado pelas construções é amplamente discutido entre especialistas da área.</p>
<p dir="ltr">Essas questões entre consciência e educação são os principais fatores que carregam o poder de derrubar ou levantar leis como essa. Para Márcia a educação patrimonial deve trazer a ideia de compartilhamento de valores “Precisamos criar canais mais eficientes de diálogo entre Estado e sociedade, entre grupos sociais. Para que esses valores atribuídos ao patrimônio sejam mais disseminados. Outra coisa é a falta de um trabalho mais sistemático junto às escolas. Há muito tempo já se sabe que é fundamental para a própria preservação do patrimônio que desde o primário,, as crianças tenham acesso a essa discussão, sobre o que é patrimônio na sua cidade, o que elas entendem que é patrimônio, o que tem valor e etc.</p>
<p dir="ltr">Nesse ensinamento, o local imaginário popular do que é preservado ainda está muito ligado às práticas sancionadas no início da década. A dita “Arquitetura Vernacular”. Uma vertente arquitetônica que é caracterizada como um tipo de construção que se baseia em técnicas e materiais daquele local, adaptando-se às condições do ambiente e às tradições culturais de uma determinada região. Segundo a professora Márcia boa parte dos patrimônios tombados desde o início aono fim dos anos 30 até os dias atuais se configura como Arquitetura vernacular.</p>
<p dir="ltr">“A arquitetura vernacular se desenvolve dentro do período de Brasil colônia. Então toda essa arquitetura ou quase toda essa arquitetura que se chama colonial, ela é vernácula. O que a gente precisa é dar relevo a isso. E, claro, isso de um lado. De outro lado, a gente ainda tem no Brasil em áreas aqui na Bahia, por exemplo, como a Chapada Diamantina e outras, onde uma arquitetura vernácula contemporânea que é feita ainda até hoje com base em conhecimentos passado de geração para geração, com base no aproveitamento de materiais locais, ela ainda existe e ela é um patrimônio dessas regiões também. Então, o reconhecimento dessa arquitetura vernacular é fundamental para o próprio campo do patrimônio. Não só para reconhecermos que muito daquilo do passado é construção popular, mas também para reconhecermos que essas tradições estão vivas até hoje e que são ainda um patrimônio de muitas regiões do Brasil”. Discute a professora.</p>
<p dir="ltr">A ideia de patrimônio vem mudando e conquistando novos significados nos dias atuais. Esses artefatos que antes se resumiam a prédios, hoje passam a ser também sobre manifestações culturais e sociais. Alguns exemplos são o Samba do Cardosão, recentemente tombado como patrimônio do Rio de Janeiro e o Forró que foi reconhecido como  patrimônio cultural e imaterial de Alagoas. Esses atos servem para mostrar que a cultura nacional está viva e pode continuar respirando por muito tempo.</p>
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		<title>Tecendo memórias: as associações de artesanato como forma de preservação cultural na Bahia</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jun 2025 12:45:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pesquisador</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Instituições sem fins lucrativos no estado atuam pelo resgate e promoção de memórias ao longo das gerações]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O saber-fazer manual carrega consigo os costumes, vivências e histórias daqueles que o praticam e, quando passado de mão em mão, é capaz de manter vivas memórias geracionais. A Bahia busca preservar esse legado, sendo o segundo estado com maior número de artesãos ativos cadastrados, por dados do Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB). Com diversos modos de bordar, tecer, esculpir e trançar, a cultura ancestral baiana é continuada por meio das famílias, iniciativas governamentais e associações de artesãos.</p>
<p dir="ltr">Em meio ao ouricuri e à maré, a Associação de Artesãos do Município de Saubara mantém viva a cultura local há mais de 35 anos. Durante uma visita à cidade, é possível notar a presença de diversos pontos de venda de artesanato, sinal concreto da potência simbólica e econômica que a prática exerce na vida comunitária. Em 1982, deu-se início a um grupo de mulheres rendeiras sob a coordenação da atual Mestra Maria do Carmo Amorim na chamada Casa das Rendeiras. Em 1999, por meio de uma iniciativa do Sebrae com o Programa de Sistematização do Artesanato, o espaço passou a sediar a Associação de Artesãos de Saubara, unificando os saberes da renda de bilro com o trançado da palha — joias do artesanato municipal.</p>
<p style="text-align: center;" dir="ltr"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/06/IMG_8803.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-29310" title="IMG_8803" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/06/IMG_8803.jpg" alt="" width="720" height="480" /></a>Foto por: Melissa Carlos</p>
<p dir="ltr">“Mudou muita coisa. Muita coisa mesmo, porque, quando era grupo, a gente não saía daqui para lugar nenhum. Quando virou associação, nós tínhamos o CNPJ. Isso facilitou os convites, a compra de matéria-prima, e o pessoal foi se interessando pelo nosso trabalho”, disse a mestra Maria do Carmo, em entrevista à AGN, sobre as mudanças após a formalização da instituição.</p>
<p dir="ltr">As associações são instrumentos importantes para direcionar políticas públicas de fomento e valorização do saber artesanal no estado, especialmente em territórios que aliam a preservação de recursos naturais à manutenção de tradições culturais. Segundo dados das Organizações da Sociedade Civil (OSC), 272 associações de artesanato foram registradas na Bahia até 2020, sendo 69 delas compostas exclusivamente por mulheres.</p>
<p dir="ltr">O portal Artesanato na Bahia, fruto de uma parceria entre a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), a Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA) e a Associação Fábrica Cultural, estabelece 20 rotas do artesanato baiano. Essas rotas são organizadas com base nos Territórios de Identidade e nas principais técnicas manuais de cada área. Uma delas é a Rota D. Cadu, da qual fazem parte os municípios de Saubara e Cachoeira.</p>
<p dir="ltr">Em Cachoeira, o tecido de chita é o elemento central do artesanato desde o período colonial. Com cores vibrantes e estampas florais, a chita se tornou símbolo da expressão cultural local, marcando presença em manifestações como o Bumba Meu Boi, a Trança-Fita, o Samba de Roda — originado em Cachoeira — e a Festa d’Ajuda. Nessa última, figuras como as cabeçorras e os mandus são, em sua maioria, confeccionadas com chita, especialmente no município.</p>
<p dir="ltr">“A importância da chita não é só para a comunidade de Cachoeira, mas para o nosso estado, nossa nação. Ela chega no período colonial e, desde então, faz parte da nossa memória, da nossa história, da nossa identidade nacional. A chita se espalhou por todo o país. Não tem quem não goste da chita. Ela transmite alegria com seus tecidos tropicais e floridos”, disse Bárbara Nunes de Santana, Mestra artesã da Associação Chitarte, situada em Cachoeira.</p>
<p dir="ltr">Em Saubara, a renda de bilro e o trançado de palha do ouricuri são cultivados há gerações por mulheres que dividem sua rotina entre a mariscagem e o trabalho artesanal. Para elas, o artesanato não é apenas produção manual — é também legado afetivo e forma de resistência. “Aqui, toda artesã é marisqueira. A gente vai para a maré e depois vai fazer renda. Era assim que a gente era criado, vendo nossas mães fazendo renda e ensinando para a gente. Minha avó já fazia, minha bisavó também, e minha mãe passou para mim”, contou Maria do Carmo.</p>
<p style="text-align: center;" dir="ltr"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/06/IMG_8814.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-29311" title="IMG_8814" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/06/IMG_8814.jpg" alt="" width="720" height="480" /></a>Foto por: Melissa Carlos</p>
<p dir="ltr">Atualmente, para que as políticas públicas alcancem os artesãos, é necessário o cadastro no SICAB e a emissão da Carteira Nacional do Artesão, instrumento que possibilita a identificação e o apoio federal aos trabalhadores do setor. Vale lembrar que, na Bahia, o artesanato é vinculado à Secretaria do Trabalho, e não à de Cultura.</p>
<p dir="ltr">“O nosso trabalho aqui é o de qualificar o Estado para assegurar aos artesãos ferramentas como cursos de design, fotografia, técnicas de venda e de precificação”, explica Weslen Moreira, coordenador da CFA. Uma das ações promovidas pelo órgão é o encontro entre associações, pensado por conta das dificuldades burocráticas que essas instituições enfrentam. Já na área de promoção e comercialização, são realizadas feiras em pontos estratégicos e participação em eventos fora da Bahia.</p>
<p dir="ltr">Para Bárbara Nunes, da Chitarte, ainda é preciso avançar. “A gente tem uma grande política pública quando se fala em capacitação. Hoje, existe uma escola online, criada pela Fábrica Cultural, em parceria com a CFA. Mas ainda faltam espaços para comercialização. Existe a Loja do Artesanato da Bahia, onde as peças passam por curadoria, o que já representa um avanço. Mas, como gestora de política pública e ativista do artesanato, reconhecida como mestra pelo Programa do Artesanato Brasileiro, eu quero mais.”</p>
<p dir="ltr">Já em Saubara, o maior desafio relatado por Maria do Carmo ainda é o mercado. “O mercado caiu muito. Depois da pandemia, agora é que está começando a melhorar. A gente passou por uma situação muito difícil.”</p>
<p dir="ltr">Outro entrave para a continuação dos saberes tradicionais é a obtenção da matéria-prima, que por vezes é uma prática desgastante para os artesãos. “Minha bisavó, minha avó, meu pai, minha mãe, todos faziam isso (trançado de palha). E eu aprendi e faço até hoje. Um monte de gente deixou de fazer porque está difícil conseguir a palha. Antigamente, a gente mesmo colhia. Agora, tem lugar onde não pode mais tirar. É trabalhoso. Tem que secar ao sol, guardar… nem todo mundo quer. Tá difícil manter”, relatou a mestra Raimunda Alexandria, líder da parte de trançado de palha.</p>
<p style="text-align: center;" dir="ltr"><a href="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/06/IMG_8823.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-29312" title="IMG_8823" src="http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/wp-content/uploads/2025/06/IMG_8823.jpg" alt="" width="720" height="480" /></a>Foto por: Melissa Carlos</p>
<p dir="ltr">Por isso, tanto em Saubara quanto em Cachoeira, as associações investem no ensino das técnicas às crianças da região, que não se mostram tão interessadas nas práticas quanto as gerações anteriores. Na Casa das Rendeiras, cursos de renda e trançado são ofertados desde a fundação da associação. No entanto, atrair os jovens tem sido um desafio. “Eu já dei aula para 30 meninas. Eram 15 de manhã e 15 de tarde. E agora? Tô querendo 10 e não tô conseguindo”, diz Maria do Carmo.</p>
<p dir="ltr">Já a Chitarte atua diretamente com comunidades quilombolas da região, e parece ter uma visão mais otimista quanto ao futuro do artesanato. Por meio de parceria com o Movimento Juventude, do Instituto Localiza, a associação promove oficinas de técnicas artesanais em escola da Comunidade Quilombola de Opalma. “Tivemos uma grande procura, principalmente das comunidades rurais e quilombolas, pois a maioria dos jovens vem de lá. Como somos um grupo que luta pelo fazer local, pelo fazer cultural, não queremos que esses jovens percam sua cultura de origem. Que adquiram novos saberes, mas que não abandonem os nossos”, destaca Bárbara.</p>
<p dir="ltr">Para Maria do Carmo, o segredo da permanência do artesanato está na alma de quem o faz: “É um trabalho que requer muita ciência, muita paciência e muito amor. E por isso ele prevalece.”</p>
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